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O Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) apresentou, durante a RuralturES, realizada na semana passada, em Venda Nova do Imigrante, o projeto de pesquisa “Viticultura de Inverno Capixaba: Inovação, Adaptação e Transferência de Conhecimento para a Produção de Uvas e Vinhos Sustentáveis”. A iniciativa conta com investimento previsto de R$ 550,5 mil do Governo do Estado, por meio da Secretaria da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca (Seag).
Integrada ao projeto Vines, desenvolvido em parceria com o Sebrae/ES, o Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac) e o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-ES), a pesquisa tem como objetivo gerar conhecimento e tecnologias adaptadas às regiões mais frias do Espírito Santo, com foco na produção de uvas destinadas à elaboração de vinhos finos. O trabalho, que terá duração de 48 meses, também busca contribuir para a redução dos riscos de quem já investe na atividade e oferecer maior segurança técnica a novos produtores, especialmente agricultores familiares.
Atualmente, a vitivinicultura capixaba ocupa 199 hectares em 222 propriedades. Em 2021, a atividade produziu 3.205 toneladas de uvas e movimentou R$ 20,5 milhões, segundo dados do Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (Pedeag 4). A demanda das agroindústrias por uvas com características adequadas à produção de vinhos finos tem crescido, mas as condições climáticas da região serrana ainda representam um desafio para algumas variedades.
Uma das tecnologias avaliadas pelo projeto será a dupla poda, técnica que altera o ciclo da videira para concentrar a maturação e a colheita durante o inverno, período de menor ocorrência de chuvas e maior amplitude térmica. A estratégia pode contribuir para reduzir problemas fitossanitários e melhorar a qualidade das uvas.
“O investimento do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Agricultura e do Incaper, no projeto de pesquisa sobre uvas de inverno para produção de vinhos finos, no contexto da agricultura e do enoturismo, tem como objetivo principal a geração de conhecimento e tecnologias para a realidade das regiões mais frias do Espírito Santo, tanto para diminuir o risco de quem já está empreendendo quanto para dar maior segurança e confiabilidade para novos entrantes nesse arranjo, especialmente os agricultores familiares”, destacou o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli.
Pesquisa e transferência de tecnologia
O projeto terá três unidades experimentais no Espírito Santo, onde serão avaliadas 10 cultivares de uvas, sendo oito finas e duas híbridas, em sistemas de espaldeira e dupla poda. Também serão instaladas estações para monitoramento de condições agrometeorológicas.
Entre as linhas de pesquisa estão a definição das melhores épocas de poda e colheita, o monitoramento de geadas, chuvas intensas e períodos de seca, a avaliação da fertilidade das plantas e da produtividade das videiras, além da análise da qualidade física e química das uvas.
A pesquisa também vai acompanhar pragas e doenças fúngicas e testar estratégias de manejo sustentável, com o objetivo de reduzir perdas e o uso de agrotóxicos. As uvas produzidas serão avaliadas em aspectos como teor de açúcar, acidez, antocianinas, fenóis e taninos, com a realização de vinificações em parceria com cantinas da região serrana.
“O projeto vai nos permitir ampliar o conhecimento sobre o comportamento das diferentes variedades de uva nas condições das regiões mais frias do Espírito Santo e avaliar aspectos de manejo, clima, produtividade e qualidade dos frutos. A partir desses resultados, queremos transformar o conhecimento técnico e científico gerado pela pesquisa em orientações e capacitações que possam ser aplicadas pelos produtores e técnicos envolvidos com a viticultura capixaba”, explicou a pesquisadora do Incaper Girlaine Pereira Oliveira, que vai coordenar os experimentos.
Resultados
Os primeiros resultados, relacionados a dados agroclimáticos e ao desenvolvimento das plantas, estão previstos entre o oitavo e o 12º mês do projeto. A expectativa é que protocolos de poda e manejo fitossanitário sejam validados entre o 18º e o 36º mês, enquanto as ações de capacitação e transferência de tecnologia aos produtores começam a partir do 18º mês.
Além de contribuir para o aumento da produção, produtividade e qualidade das uvas, o projeto pretende incentivar a diversificação agrícola, a produção de vinhos e o enoturismo, fortalecendo uma atividade tradicional das regiões serranas e criando novas oportunidades de renda para os produtores capixabas.
Mapeamento preliminar de áreas com potencial
Também como contribuição ao projeto Vines, o Incaper realizou um mapeamento preliminar das áreas potencialmente aptas à produção de uvas de inverno para vinhos finos, com base no protocolo da Associação Nacional de Produtores de Vinhos de Inverno (Anprovin).
Elaborado pelo pesquisador Samuel Coura, o estudo identificou regiões do Espírito Santo com condições de clima e altitude semelhantes às encontradas em áreas de Minas Gerais e São Paulo, onde a vitivinicultura de inverno já está consolidada. O levantamento representa uma indicação inicial desse potencial, que deverá ser avaliado e validado a partir dos estudos de campo e dos resultados gerados pela pesquisa.





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