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Capixabas exportam conhecimento e são referência em Floricultura Tropical

por Redação Conexão Safra

em 07/10/2013 às 0h00

10 min de leitura

Capixabas exportam conhecimento e são referência em Floricultura Tropical


Quem os vê em suas propriedades nem imagina a importância dessas fi guras para a fl oricultura tropical e o paisagismo no Espírito Santo, principalmente na região das montanhas e sul do estado. Simplicidade é marca registrada e a humildade uma conseq&uuml,ência. Talvez o anonimato seja mesmo uma opção ou estilo de vida. O que de fato acontece é que os capixabas demonstram cada vez mais sua capacidade de produzir diversas culturas, entre elas, a fl oricultura tropical.


Entre os agentes que contribuem para o desenvolvimento sustentável, economicamente viável, socialmente justo e ecologicamente correto estão José Luiz Sudré e Eduardo Baleia, engenheiros agrônomo e florestal, respectivamente. Muito embora não sejam contemporâneos, ambos são formados na Universidade Federal de Viçosa, em Minas Gerais.


Sudré, como é chamado pelos colegas de profissão, mora e tem propriedade em Rio Fundo, distrito de Marechal Floriano. Já Eduardo reside em Richmond, no município de Vargem Alta. O que os dois têm em comum? Conhecimento para dar e vender. Mais para dar, do que lucrar com isso, porque acreditam no compartilhamento das idéias, visando uma sociedade mais consciente de seus deveres e direitos, aplicando esses valores ao meio ambiente.


Pensando em contar um pouco da história desses dois personagens, a Revista Safra mostra o que tem acontecido no interior capixaba e que muitas vezes passa despercebido. Sudré e Eduardo são verdadeiros exportadores de conhecimento. Eles são referência em fl oricultura tropical e paisagismo, sendo consultados por profi ssionais da área do país inteiro e publicado trabalhos por instituições como Sebrae e Centro de Produções Técnicas (CPT), essa última produz vídeos cursos e os comercializa em vários outros países.


Sudré: Referência e Inovação


Caminhar pela propriedade de José Luiz Sudré é uma aula prática a cada passo. São tantas espécies de flores, plantas e folhagens que ele quase perde a conta. O seu carro chefe, entretanto, é o avencão: a quinta folha para decoração mais vendida no mundo. Mas outras belezas como antúrias, alpinias, sorvetão, bastão do imperador, helicônias, entre tantas outras são facilmente encontradas em suas plantações.


Ele contabiliza que são entre oito a 12 hectares de terra de plantação diversa. José Luiz Sudré recebeu a reportagem da Revista Safra em sua residência, sem muita cerimônia. Pelo contrário, assim que foi contatado, sentiu-se honrado em ser lembrado.


Sudré conta que sua escolha pela agronomia foi sem nenhuma motivação plausível. “Quando chegou a época de fazer vestibular, meu pai perguntou qual curso eu escolheria. Disse que seria engenharia agrônoma. E só ”, resumiu, em tom de brincadeira.

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Na época, ele morava em Vitória, em meio a tantos prédios e urbanização. Sua escolha pela agronomia, para ele, portanto, foi algo na contramão dos negócios da família. “Com o tempo fui tomando gosto pela profi ssão e decidi me mudar de vez para Marechal Floriano ”, contou. Antes disso, entretanto, Sudré acumulou alguns cargos de destaque no serviço público (ver fi cha técnica à frente). Ele se emociona ao lembrar-se de sua trajetória e o legado que deixa para a atualidade. “A gente fica emocionado porque não imaginava que iria ser lembrado dessa maneira positiva. Isso demonstra que fi zemos a coisa certa ”, disse.


Aos 65 anos, Sudré recebe em sua propriedade delegações de profi ssionais de vários estados, como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, além de técnicos e universitários, todos em busca de conhecimento prático, facilmente encontrado no seu quintal. “O mais recente foi um grupo de Campinas (SP). Eles são especialistas em fl oricultura e vieram conhecer um pouco mais sobre o assunto, como técnicas de reprodução, por exemplo ”, revelou.


Além desses, Sudré conta que estudantes de faculdades em Vitória, como a Faesa, freq&uuml,entemente estão em sua propriedade. “O pessoal faz contato conosco e os alunos vêm conhecer de perto como funciona a fl oricultura e aprendem um pouco mais ”, ponderou.


Com quatro filhos, todos morando em outra cidade, ele não mede esforços para ministrar palestras e cursos. “Conhecimento não se guarda. Dinheiro não é tudo na vida. A minha satisfação profi ssional é ver outra pessoa desenvolvendo alguma atividade a partir daquilo que nós ensinamos ”, comentou, visivelmente emocionado. Em 2005, Sudré lançou o catálogo de plantas e fl ores ornamentais do Espírito Santo. Como seu nome é um dos mais lembrados, em se tratando de fl oricultura tropical, ele pensa em abrir as portas de sua propriedade para visitação o ano inteiro. “Estamos catalogando todas as espécies em um sistema de GPS, onde o visitante, antes mesmo de entrar na propriedade, vai saber onde está. Além disso, as trilhas são de fácil acesso e qualquer pessoa consegue percorrê-las. Esse é um projeto que está em andamento e penso que deverá sair do papel em maio de 2013 ”, acrescentou.


Curiosidades


Na propriedade de Sudré existem ainda algumas espécies de palmeiras que ele acredita que são as únicas no Espírito Santo.


“Trouxe de outros estados, como a palmeira tamareira ”, revelou. Outras raridades, como a árvore viajante, algumas trepadeiras e plantas que têm cheiro de pomada utilizada para dores também são encontradas no local.


“Procuro sempre trazer coisas novas, dinamizando o que já temos e inovando onde é possível. É preciso renovar sempre o nosso conhecimento e ampliar a diversidade de produção. Mas, atualmente, a nossa propriedade sobrevive da fl oricultura. É essa modalidade que nos permite ter cinco funcionários e bancar todas as despesas ”, contou.


Ficha técnica


José Luiz Neves Sudré, fi lho de Raul Sudré e Stella Neves Sudré, nasceu em 27 de outubro de 1946, em Vitória, capital do Espírito Santo. Atualmente, vive em Rio Fundo, Marechal Floriano, onde desenvolve suas atividades, com especialização em fl oricultura tropical.

Estudou o ensino fundamental e médio na sua cidade natal, mas o curso superior fez em Viçosa, Minas Gerais, na época Universidade Rural do Estado de Minas Gerais, hoje Universidade Federal de Viçosa (UFV).

Foi o primeiro colocado no concurso público estadual, em 1973, para o cargo efetivo de engenheiro agrônomo, na Secretaria Estadual de Agricultura, onde exerceu a função até 1993. Participou de conselhos, comissões, elaboração de projetos, assessorias, congressos e seminários, publicou artigos técnicos, palestras, entre outras atividades relacionadas à sua área.

Já foi homenageado na Assembléia Legislativa do Espírito Santo, em virtude dos 50 anos da Sociedade Espíritossantense de Engenheiros Agrônomos (SEEA), que ele ajudou a regularizar o Estatuto Social.

Foi, ainda, secretário municipal de agricultura, em Marechal Floriano. Dessa época, lembra com orgulho o trabalho que iniciou, mas que, infelizmente, não deram continuidade. “Oferecemos diversos cursos profi ssionalizantes, capacitando o homem do campo, além de termos iniciado um projeto de paisagismo totalmente inovador e moderno para a cidade ”, disse.


De Vargem Alta para o mundo


Quem segue de Vargem Alta sentido a Richmond, nem percebe a entrada à esquerda, que leva à Cachoeira do Caiado e a comunidade de Guiomar. É nesse lugarzinho escondido que está Eduardo Baleia e sua esposa Solange Bravim Coelho dos Santos, engenheiro fl orestal e técnica agrícola, respectivamente.


Eduardo foi escolhido pelo Centro de Produções Técnicas para gravar vídeo curso de jardinagem, lançado em DVD. Para ele, motivo de orgulho e satisfação pessoal. Esse trabalho é comercializado, além do Brasil, vários países, passando pela Europa e chegando até em alguns lugares do Oriente e &Aacute,frica.


Não é a primeira vez que Eduardo publica um trabalho nesse sentido. Com o DVD, acompanha um livro especifi cando todas as técnicas necessárias para implantação e manutenção de jardins. É um curso profi ssionalizante.


“Entre tantos engenheiros fl orestais da nossa região, principalmente a sudeste, eles decidiram nos escolher, o que demonstra a confi ança no nosso trabalho e a capacidade de fornecer conhecimento para várias regiões ”, comentou Eduardo.


Foram oito dias de gravação, passando por cidades, além de Vargem Alta, chegando até municípios do norte do Espírito Santo. “O que mais nos deixou surpreso é que grande parte do material produzido foi feito aqui mesmo em nossa propriedade, já que produzimos diversas espécies como bastão do imperador, helicônias, sorvetão, entre outras ”, acrescentou Eduardo.


O vídeo curso foi dirigido por Marcos Orlando de Oliveira, engenheiro florestal e pós graduado em Cinema, na direção de fotografi a e câmera man, Antônio José da Silva, e assistente de produção, Adriano Saraiva.


“Escolhemos Eduardo para ser o consultor técnico e científico do projeto porque já trabalhamos com ele e sabemos da sua capacidade de transmitir todo o conhecimento que ele possui ”, comentou o diretor do vídeo curso, Marcos Orlando.


Além desse trabalho, Eduardo está produzindo um material pioneiro para o Sebrae de Mato Grosso. No ano passado, ele foi contatado e fez diversas viagens para Cuiabá e o interior daquele estado, onde desenvolveu e implantou projetos inovadores. Atualmente, uma metodologia de curso de jardinagem, para professor e aluno, está em fase fi nal de produção e deverá ser lançado em breve.


Em relação ao paisagismo, Eduardo já ministrou diversos cursos, inclusive em Cuiabá. Na época, ele conduziu uma ofi cina Topiaria Arte Viva com duas turmas, na edição da Feira do Empreendedor.


Quintal de casa


Em seu sítio, em Vargem Alta, Eduardo produz diversas espécies de flores e plantas ornamentais com sua esposa Solange Bravim. É ela, na verdade, quem conduz o processo de produção, desenvolvimento e reprodução. Como estudou e formou em técnica agrícola, Solange mantém em sua propriedade o cultivo dessa modalidade.


Ficha técnica


Eduardo Elias Silva dos Santos, fi lho de Madalena Silva dos Santos e Sebastião Maurício dos Santos (conhecido por Baleia), nasceu em 04 de Março de 1956, em Cachoeiro de Itapemirim, Espírito Santo. Atualmente, vive em Vargem Alta com sua esposa, no Sítio Mãe D&rsquo,água, onde desenvolvem atividades no âmbito da fl oricultura tropical, com foco no estudo de cultivo de espécies tropicais para o paisagismo e também para fornecimento de folhas e fl ores para corte e uso em arranjos fl orais. Estudou o ensino fundamental e médio na sua cidade natal, mas o curso superior fez em Viçosa, Minas Gerais, na Universidade Federal de Viçosa (UFV), cursando Engenharia Florestal e pós-graduação em Plantas Ornamentais e Paisagismo na Universidade de Lavras/MG (UFLA). Trabalhou no Instituto Estadual de Florestas/ MG ( Vale do Jequitinhonha)- juntamente com outro Capixaba, o renomado e também Engenheiro Florestal José Carlos de Carvalho, atual Secretário Estadual do Meio Ambiente de Minas Gerais. Foi Empresário na área de Paisagismo no Sul de Minas. Atulamente é consultor e instrutor do SEBRAE nacional, Instrutor do SENAR Espírito Santo, desde 1999 e do SENAR MG desde 2004, nas áreas de Floricultura, Produção de Plantas Ornamentais e Paisagismo e Jardinagem. Eduardo publicou pelo CPT dois vídeos-cursos e está na produção de um terceiro. (“Planejamento, Implantação e Manutenção de Jardins ” e “Treinamento de Jardineiro ”). Além do vídeo-curso, ele é autor de um curso online, denominado “Jardins: Planejamento, Implantação e Manutenção ”, pela UOV (Universidade Online de Viçosa).

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