Fruticultura

Da quente Marataízes para a fria Santa Maria de Jetibá: nasce o abacaxi das montanhas capixabas

Produtor de Santa Maria de Jetibá investe no primeiro cultivo experimental da região serrana, onde já resistiu à temperatura de 2ºC

por Leandro Fidelis

em 25/10/2021 às 7h00

3 min de leitura

Da quente Marataízes para a fria Santa Maria de Jetibá: nasce o abacaxi das montanhas capixabas

*Fotos: Divulgação

O abacaxi é uma fruta tropical que se desenvolve em regiões de clima quente. Marataízes lidera a produção capixaba. E é do município litorâneo que um produtor saiu para iniciar um cultivo experimental de abacaxi na região serrana do Estado. Fica no distrito de Garrafão, em Santa Maria de Jetibá, onde no inverno as temperaturas chegam a 2ºC.

A iniciativa é do agricultor Bruno Louzada. Filho de produtores de abacaxi da localidade de Jabuti, zona rural de Marataízes, ele iniciou os testes com a fruta em dezembro do ano passado, em um terreno arrendado de três hectares, próximo à vila de São João do Garrafão, em Santa Maria.

O experimento conta com 30 mil pés da variedade Pérola. Bruno conta que ganhou as mudas de um sobrinho que, segundo ele, é o maior produtor da fruta nos Estados do Espírito Santo e Rio de Janeiro. No entanto, atesta que a dificuldade de encontrar mão de obra qualificada na região vai impactar na produção, prevista para janeiro de 2022.

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“Não houve a escolha adequada das mudas para um plantio correto, o que seria evitado caso tivesse mão de obra qualificada. Com isso, espero colher daqui a três meses entre quinze e vinte por centro da plantação. As mudas precisam ser selecionadas, o que evita que alguns pés morram”, explica Bruno Louzada.

O agricultor vive na região há três anos, desde que se casou com a moradora Rosiane Broedel. “Sempre ouvi que terra fria não dá abacaxi. Abacaxi é plantar e cuidar, com adubação e inseticidas na época certa”.

Bruno trabalha sozinho no experimento e divide o tempo entre o cultivo e a compra e venda de morango, principal produto agrícola do Distrito de Garrafão e destaque na economia capixaba.

Segundo o produtor, iniciar a lavoura de abacaxi exigiu preparação do terreno e manter as mudas regadas nos dois primeiros meses. As chuvas das últimas semanas foram bem-vindas e continuam na torcida de Bruno para os próximos meses.

“Tivemos três meses de seca, quando o ideal seria chover todos os meses. A falta de chuva atrasa um pouco a colheita. Se fossem regulares, teria abacaxi com um ano e meio. Porém, tudo é experimento, já que o solo das montanhas é bem diferente do litorâneo”, diz.

De acordo com Bruno, o plantio irrigado requer outro processo e consegue antecipar em até seis meses a safra de abacaxi.

E por ser algo novo na região, a desconfiança se a plantação de abacaxi vai vingar persegue Bruno Louzada. “A vizinhança está naquele ‘quero ver pra crer’. Mas estou muito satisfeito e não esperava desenvolvimento tão bom. Em julho, deu dois graus, achei que o crescimento fosse retardar, mas superou minhas expectativas”.

Animado, o produtor pretende dobrar a área plantada no início do próximo ano. O plano inicial é comercializar a fruta nas regiões mais próximas de Santa Maria de Jetibá para diminuir custos. Para quando a produção aumentar, a ideia é fornecer abacaxi para o mercado da Grande Vitória e do Rio de Janeiro.

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