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Artigo
Ameaça à cafeicultura brasileira
O aumento da capacidade da indústria de torrefação nos últimos anos, com a construção de fábricas pelas principais empresas do setor, como Nespresso, 3corações e Melitta, deve garantir uma produção adicional para expandir as exportações brasileiras de café torrado e moído, na avaliação do diretor executivo da Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic), Nathan Herszkowicz. “As grandes empresas do setor estão focadas no mercado interno, que é um dos maiores do mundo, e nos últimos três anos construíram várias fábricas no Brasil. Essa capacidade maior pode gerar excedente para levar lá para fora”, disse Herszkowicz ao Broadcast Agro. A Abic promove até quinta-feira (29) o 26º Encontro Nacional das Indústrias de Café (26º Encafé), em Punta del Este, no Uruguai.
A maior participação de torrefadoras brasileiras no mercado externo, segundo o executivo, poderia se dar por meio da aquisição de participação em companhias estrangeiras com atuação no mercado internacional. “O mercado de torrefação é muito concentrado, não só no Brasil. É mais rápido e mais fácil fazer acordos entre empresas privadas do que uma empresa brasileira ir para o exterior com sua marca e tentar desenvolvê-la, mas isso não é barato”, explicou Herszkowicz. O crescimento no mercado brasileiro, assim como eventual interesse de investidores privados em obter ganhos com o setor do café, pode viabilizar a aquisição de participações em empresas estrangeiras. “Até 2020 devemos ver notícias de aumento da participação das exportações brasileiras (de café torrado e moído) no mercado externo”, comentou o executivo.
A participação do governo federal no estímulo às vendas externas deste segmento têm sido tímidas, na avaliação de Herszkowicz, e mais dirigidas aos cafeicultores. “O governo tem trabalhado mais para dar respaldo aos produtores de café e proporcionar a eles remuneração mínima ou melhor (do que a praticada no mercado)”, ponderou o diretor-executivo da Abic. “A não ser por meio da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), não lembro de projetos do governo que privilegiem a indústria”, acrescentou.
O crescimento do consumo interno de cafés no Brasil, inclusive de cafés de alta qualidade, deve garantir continuidade ao movimento de fusões e aquisições no segmento de torrefadoras ao longo de 2019, de acordo com o executivo. “Existe ainda um número substancial de empresas de valor médio que geram interesse para grandes empresas do setor que buscam conquistar participação em mercados regionais do Brasil”, explicou Herszkowicz. (*Fonte: CNC- Com informações da Agência Estado)





