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O agravamento das tensões entre Irã, Israel e Estados Unidos acende um alerta para os produtores rurais do Espírito Santo e de todo o Brasil. Embora distante geograficamente do Oriente Médio, o setor agropecuário poderá sentir os efeitos indiretos de uma guerra na região, especialmente nos custos de produção, na logística e nas exportações. No Espírito Santo, cuja base agrícola se concentra nas culturas de café, mamão, cacau, gengibre e pimenta, o aumento nos custos pode comprometer a rentabilidade e o planejamento da próxima safra.
Um dos principais impactos esperados é a alta no preço do petróleo, já que cerca de 20% da produção global passa pelo Estreito de Ormuz, localizado entre o Irã e o Golfo Pérsico. Qualquer interrupção nesse fluxo — uma das ameaças feitas pelo Irã — pressiona os valores do barril e, por consequência, encarece combustíveis, fretes e fertilizantes nitrogenados, todos fundamentais para a produção agrícola.
“Esse ponto é bastante alarmante, já que o Estreito de Ormuz é uma rota fundamental para as exportações, inclusive para o Oriente Médio, e o Irã tem ameaçado fechar esse canal. Isso pode causar dificuldades nas exportações e na importação de fertilizantes, o que configura um sinal de alerta para o agronegócio nacional e capixaba”, disse o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli.

O encarecimento — e possível escassez — de fertilizantes pode ser visto como o ponto mais delicado. O Brasil importa mais de 80% dos insumos utilizados na agricultura, e muitos deles vêm de países parceiros do Irã ou ligados à cadeia do gás natural. Para se ter uma ideia, em 2024 o país persa foi responsável por 19% da ureia utilizada no agronegócio brasileiro.
“O Irã é um grande fornecedor de ureia e potássio para o Brasil, principalmente a ureia. E, na fertilização, a ureia é um macronutriente essencial, que as plantas precisam em grande quantidade. O preço subiu mesmo antes da entrada dos Estados Unidos no conflito”, explicou Bergoli.
A lei da oferta e da procura, no entanto, pode amenizar — mas não anular — os impactos. Com a dificuldade de os produtos brasileiros chegarem aos seus destinos consumidores, os preços tendem a subir. Isso vale para todos os itens que o agro capixaba exporta, como café, chocolates e derivados de cacau, carne, entre outros.
Ainda assim, o aumento dos custos com fertilizantes, a elevação do preço do petróleo, a interrupção de rotas comerciais e o encarecimento do transporte podem não ser compensados pela valorização das commodities brasileiras. Há risco de prejuízos para o setor caso o conflito se estenda por muito tempo, principalmente se os bloqueios se tornarem frequentes.
“Tudo indica que o aumento dos custos de transporte, a dificuldade nas rotas e a alta do petróleo terão um impacto maior do que o possível aumento no preço das commodities que exportamos. Portanto, o balanço, por enquanto, é negativo para o agronegócio”.





