Greening continua desafiando citricultores brasileiros, exigindo ação rápida para proteção de pomares

Doença exige estratégias integradas que reduzem a disseminação e contribuem para a sustentabilidade da citricultura brasileira

citricultura Embrapa
Foto: Agência Brasil

Responsável por abastecer o mundo com suco de laranja, o Brasil produz mais de 16 milhões de toneladas da fruta por ano e tem liderança global na exportação, informa o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). No entanto, a citricultura nacional enfrenta um dos maiores desafios de sua história: o avanço do greening – também conhecido como HLB. Considerada a doença mais destrutiva dos citros, ela compromete a produtividade, a qualidade dos frutos e a longevidade dos pomares.

Diante desse avanço, a recomendação é adotar estratégias de manejo que atuem não apenas na proteção da safra atual, mas na preservação do potencial produtivo do cultivo. Afinal, o greening provoca amarelecimento das folhas, deformação dos frutos, queda de produtividade e declínio gradual das árvores. E pior: sem controle rápido e eficiente, o problema pode ser espalhar com facilidade e destruir toda a produção.

Leandro Valerim, gerente de inseticidas da UPL Brasil, explica: “Diversos levantamentos mostram que, no Brasil, duas variantes de bactérias são responsáveis pela doença: Candidatus Liberibacter asiaticus (CLas), presente em mais de 99% das árvores contaminadas, e Candidatus Liberibacter americanus (CLam). Ambas são transmitidas pelo psilídeo (Diaphorina citri), inseto de coloração branco-acinzentada, muito frequente nos pomares durante os períodos de brotação. Ele se alimenta de seiva e, ao ‘picar’ a planta, acaba a infectando”.

Como não existe tratamento para erradicar o problema, a árvore doente precisa ser derrubada e queimada. Por isso, a principal recomendação técnica de Valerim, engenheiro agrônomo e mestre em fitotecnia pela Universidade de São Paulo (USP), é a manutenção de pomares saudáveis com o uso de práticas integradas, como monitoramento constante, controle rigoroso do vetor e, ainda, preparar a planta enfrentar os desafios do campo.

Mariana Yama, gerente de produtos da UPL Brasil, complementa: “Uma das frentes mais inovadoras do manejo agrícola é o uso de tecnologias baseadas em peptídeos sinalizadores. Essas moléculas funcionam como sinais químicos que são reconhecidos pela própria planta e desencadeiam a ativação coordenada de seus mecanismos naturais de defesa.”

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