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Entre os dias 10 e 12 de abril, o mundo terá nova oportunidade para conhecer mais sobre os cafés especiais do Brasil. A Associação Brasileira de Cafés Especiais (BSCA) estará presente na World Of Coffee San Diego 2026.
De acordo com a entidade, o mercado de cafés especiais brasileiro mantém ritmo de expansão consistente. O setor avança impulsionado por consumidores que buscam qualidade, rastreabilidade e experiências sensoriais diferenciadas.
Nesse contexto, compreender o papel da World of Coffee San Diego 2026 se torna fundamental para produtores, exportadores e demais elos da cadeia do café especial brasileiro.
O que é a World of Coffee e por que 2026 marca uma virada?
A World of Coffee é reconhecida como um dos principais eventos globais do setor de cafés especiais. Organizada pela Specialty Coffee Association (SCA), a feira reúne milhares de profissionais de toda a cadeia de suprimentos e valor do café, incluindo produtores, importadores, torrefações, cafeterias, fornecedores de equipamentos e formadores de opinião.
Desde sua criação na Europa, em 2010, o evento estabeleceu sucessivos recordes de público e negócios. Além da ampla área de exposição, a feira se consolidou como espaço estratégico de discussão e educação, com workshops, seminários e fóruns técnicos que antecipam tendências e discutem os rumos do mercado.
Neste ano, há, ainda, um movimento simbólico e estratégico: a tradicional Specialty Coffee Expo nos Estados Unidos passa a se chamar World of Coffee San Diego 2026, consolidando a marca global também na América do Norte. Portanto, não se trata apenas de uma mudança de nome, mas de uma reconfiguração de posicionamento que amplia o alcance internacional do evento.
O café especial nos EUA: maturidade, sofisticação e escala

Os Estados Unidos são o maior consumidor mundial de café e um dos mercados mais maduros para cafés especiais. Estima-se que 66% dos adultos americanos consomem café diariamente, de acordo com a National Coffee Association (Associação Nacional do Café nos Estados Unidos). Além disso, o público entre 18 e 39 anos tem impulsionado o crescimento do segmento premium, valorizando qualidade, origem e propósito.
Nesse cenário, o café especial vai além da bebida: transforma-se em experiência. Grãos arábica de alta pontuação, métodos artesanais de preparo e práticas sustentáveis compõem a narrativa que conecta produtor e consumidor. Consequentemente, tendências como cold brew, nitro coffee e bebidas prontas para beber (RTD – ready to drink) ganham espaço, enquanto a rastreabilidade total, do produtor à xícara, deixa de ser diferencial e passa a ser requisito básico.
Ao mesmo tempo, o mercado norte-americano exerce forte influência na definição de tendências globais. É na World of Coffee que novas tecnologias de torra, equipamentos de preparo e modelos de negócio são apresentados, moldando estratégias empresariais e comportamentos de consumo.
Brasil e EUA: parceria estratégica em meio a volatilidades

O Brasil é o maior exportador de café para os Estados Unidos. Em 2024, o país norte-americano foi o principal destino do café brasileiro, com cerca de 7,6 milhões de sacas importadas, o equivalente a 16,5% do total exportado. Esse dado, por si só, evidencia o grau de interdependência comercial entre as duas nações.
Além do volume, há reconhecimento de qualidade. O café brasileiro é valorizado pelo corpo, doçura e versatilidade, sendo amplamente utilizado tanto em blends quanto em microlotes de alta pontuação. Entretanto, o cenário recente trouxe desafios. Em 2025, tarifas adicionais impostas pelos EUA geraram queda temporária nas exportações, especialmente em segmentos como solúvel e especiais.
Ainda assim, apesar da volatilidade tarifária, o Brasil mantém liderança histórica no fornecimento de café ao mercado americano. Por isso, o foco tem migrado para estratégias de valor agregado, certificações, práticas ESG e relações comerciais mais diretas com torrefadores (direct trade), fortalecendo contratos de longo prazo e justificando preços premium.
Califórnia dita tendências; Costa Leste consolida volume
O mercado americano não é homogêneo. A Califórnia, onde ocorrerá a World of Coffee San Diego 2026, consolidou-se como um verdadeiro hub de inovação. Cidades como San Diego, Los Angeles e San Francisco apresentam uma cultura vibrante de cafeterias, marcada por experimentação sensorial, fermentações diferenciadas e novas experiências de consumo.
Além disso, há crescente interesse por produção local e pesquisas com variedades adaptadas ao clima californiano. Assim, a região se posiciona como laboratório de tendências, influenciando o restante do país.
Por outro lado, a Costa Leste, especialmente cidades como Nova York, reflete um mercado maduro e sofisticado, porém mais orientado à rotina e ao volume. Torrefadores influentes equilibram a busca por conveniência com experiências sensoriais elevadas. Portanto, enquanto a Califórnia dita o “cool” e o experimental, a Costa Leste sustenta escala, constância e influência comercial.
Para o café especial brasileiro, compreender essas diferenças regionais é essencial. Afinal, estratégias de posicionamento e narrativa precisam dialogar com perfis distintos de consumidores e compradores.
Por que participar com a BSCA e o projeto setorial é uma decisão estratégica
A participação na World of Coffee San Diego 2026 com a BSCA e a ApexBrasil, através do projeto setorial “Brazil. The Coffee Nation”, é estratégica. O evento funciona como ponto de encontro global entre produtores e compradores norte-americanos, facilitando networking qualificado e fechamento de contratos.
Além disso, a recente remoção de tarifas adicionais criou ambiente mais favorável para a retomada das exportações brasileiras. Portanto, o momento é oportuno para reforçar a presença do Brasil no mercado dos EUA, especialmente no segmento de cafés especiais de alta pontuação.
O projeto setorial “Brazil. The Coffee Nation”oferece aos membros uma estrutura completa de participação, com estande, bancadas individuais, salas de cupping e espaços para reuniões. Paralelamente, será organizada missão técnica com visitas a cafeterias e torrefações locais, permitindo imersão prática nas tendências e dinâmicas do mercado californiano.
Mais do que exposição de marca, trata-se de posicionamento estratégico. Ao integrar o projeto setorial, o produtor brasileiro amplia sua visibilidade internacional, fortalece sua narrativa de sustentabilidade e qualidade e se conecta diretamente a compradores que valorizam rastreabilidade e consistência sensorial.




