Café e negócios

Feira Internacional do Café Conilon amplia pauta e mira novos investimentos no Norte do ES

Segunda edição da FICC será realizada de 8 a 10 de outubro e amplia o olhar sobre a economia da região, conectando conilon a especiarias, infraestrutura, comércio exterior e desenvolvimento

Feira Internacional do Café Conilon (FICC)
Foto: divulgação

A Feira Internacional do Café Conilon (FICC) chega a São Mateus, no Norte do Espírito Santo, entre os dias 8 e 10 de outubro de 2026, com uma proposta mais ampla para sua segunda edição. Sem perder o café conilon como protagonista, o evento amplia o olhar para outros setores que ajudam a movimentar a economia regional, como a produção de especiarias, logística, infraestrutura, comércio exterior e atração de investimentos.

A mudança de local faz parte da proposta itinerante da FICC, que circula pelos municípios da área de abrangência da Agência de Desenvolvimento do Turismo da Região Norte do Espírito Santo (Adetur). A escolha de São Mateus aproxima a feira de um dos principais polos produtivos do Norte e Extremo Norte capixaba.

O município tem no café conilon uma de suas principais forças econômicas. Segundo o Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), o conilon é a cultura de maior expressão na agricultura de São Mateus. A importância local acompanha a liderança capixaba no setor: o Espírito Santo é o maior produtor de café conilon do Brasil e responde por aproximadamente 70% da produção nacional.

São Mateus também ocupa posição de destaque na produção de especiarias. Conhecida como a Capital das Especiarias do Espírito Santo, a cidade está inserida em um arranjo produtivo que vem ganhando relevância nos mercados nacional e internacional. O município concentra cerca de 35% da produção estadual de pimenta-do-reino, enquanto o Espírito Santo lidera a produção brasileira da especiaria.

Para a organização da FICC, aproximar essas cadeias é um movimento natural. Café conilon e pimenta dividem território e produtores, além de desafios e oportunidades relacionados à qualidade, infraestrutura, acesso a mercados, tecnologia e agregação de valor.

“Quando a feira chega a São Mateus, ela continua tendo o conilon como sua essência, mas passa a olhar de maneira ainda mais ampla para a economia que existe ao redor dele. Café e pimenta convivem na mesma região e têm desafios e oportunidades em comum. Queremos conectar essas cadeias e discutir o desenvolvimento do Norte e do Extremo Norte do Espírito Santo”, afirma Marcus Magalhães, curador da FICC.

Entre as instituições que o evento receberá está o Centro do Comércio de Café de Vitória (CCCV), uma das mais tradicionais entidades da cadeia cafeeira capixaba. Com oito décadas de atuação, o Centro reúne empresas ligadas à comercialização e à exportação de café e atua na conexão do Espírito Santo com o mercado internacional. O CCCV é ainda agência da Organização Internacional do Café (OIC) para certificação da origem das exportações realizadas pelo Estado.

A FICC receberá também a Brazilian Spice Association (BSA), entidade sediada em São Mateus e ligada à cadeia de pimenta-do-reino e outras especiarias. A associação reúne empresas exportadoras e atua em questões relacionadas à qualidade, boas práticas, competitividade e adequação às exigências dos mercados internacionais.

Outro olhar será para a atração de investimentos, com a presença da NOVA ES, Agência de Atração de Investimentos do Espírito Santo. A instituição atua na prospecção e atração de novos negócios e na promoção do Estado como destino de investimentos, tendo entre seus eixos o desenvolvimento regional e o fortalecimento das cadeias produtivas.

Logística e investimentos no radar

A logística também estará entre os assuntos da FICC. São Mateus foi oficialmente incluído no ParkLog ES em junho deste ano, ampliando para 11 o número de municípios envolvidos no programa estruturante do Governo do Estado, que integra portos, rodovias, ferrovias, aeródromos e áreas produtivas para fortalecer a infraestrutura e a atração de investimentos.

A entrada de São Mateus amplia as perspectivas para o Norte capixaba, especialmente para atividades ligadas ao agronegócio, petróleo e gás, indústria, transporte e serviços. Entre os grandes investimentos que compõem esse novo cenário logístico está a Imetame Logística Porto, em Aracruz, empreendimento com potencial de ampliar a conexão da região com os mercados nacional e internacional.

“A produção cresce, as exportações avançam e novos investimentos chegam ao Espírito Santo. A pergunta é como transformar esse movimento em desenvolvimento para toda a região. São Mateus está em uma posição importante para participar dessa nova dinâmica econômica”, destaca Magalhães.

Projeto testa gás natural na secagem do conilon

Inovação e eficiência produtiva também entram nesse cenário. Em parceria com o CCCV, a FICC apresentará o projeto inédito que testa o uso de gás natural na secagem do café conilon no Espírito Santo.

O projeto-piloto recebeu investimento inicial de R$ 1 milhão e começou a ser testado nesta safra na Fazenda Chapadão, em Linhares, envolvendo 9,4 mil sacas de 60 quilos de café entre maio e agosto. A iniciativa reúne ES Gás, CCCV, Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes), JDE Peet’s e Base27, com aprovação e acompanhamento da Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP).

A pesquisa avalia o gás natural como alternativa à lenha e a outras biomassas utilizadas na secagem. O estudo considera aspectos como viabilidade industrial, custo, sustentabilidade e qualidade do café. Os primeiros resultados foram apresentados durante o Vitória Coffee Summit 2026, realizado em agosto, em Vitória.

Um olhar para o que acontece dentro e fora do campo

A curadoria da edição de 2026 parte da necessidade de compreender os fatores que hoje interferem no negócio do café conilon para além da propriedade rural. Questões geopolíticas, acordos comerciais, exigências dos mercados compradores, novos mercados e transformações no comportamento do consumidor fazem parte desse ambiente.

“A dinâmica global nos impõe pensamento estratégico, visão de mundo e adaptações às questões mercadológicas. A FICC 2026 chega com esta missão: mostrar ao negócio do café conilon os desafios e oportunidades e ampliar essa conversa para outras culturas do agro e para a logística do Norte do Espírito Santo”, afirma Marcus Magalhães.

Turismo de experiência e o futuro do consumo também integram o olhar da curadoria, conectando produção, território, comportamento e novas formas de geração de valor.

“A FICC quer discutir o café conilon a partir de tudo o que se conecta a ele. Não apenas o que acontece dentro da propriedade, mas o mercado, os investimentos, o turismo e as mudanças no consumo. São Mateus reúne muitos desses elementos e simboliza bem esse novo momento da feira”, completa o curador.

A programação completa da 2ª Feira Internacional do Café Conilon será divulgada em breve. O evento será realizado de 8 a 10 de outubro de 2026, em área anexa ao Sesc, em São Mateus, com entrada gratuita.

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