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As chuvas torrenciais que atingem o Vietnã há dias provocaram um cenário de devastação humana e econômica e abriram um ponto de atenção no mercado global de cafés. Principal produtor mundial de canéfora, que inclui o conilon e o robusta o país enfrenta enchentes generalizadas no centro e no sul, com efeitos ainda incertos sobre a safra que cuja colheita se concentra entre os meses de novembro e dezembro.
Em algumas localidades, o volume de chuva superou 1,5 metro em três dias, ultrapassando os picos registrados nas históricas enchentes de 1993. Entre as áreas mais atingidas está o planalto central, núcleo da produção de canéfora. A província de Dak Lak, maior região cafeeira do país, decretou estado de emergência após enchentes e deslizamentos danificarem estradas, inundarem milhares de casas e interromperem rotas de escoamento.
Impacto desconhecido
Para o secretário de Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca do Espírito Santo, Enio Bergoli, os efeitos sobre a oferta internacional ainda são difíceis de mensurar. “A chuvarada é um problema sério. A carga da lavoura estava no pé e precisamos ver o nível de prejuízo que existirá, com queda dos frutos no chão, perda de qualidade e queda de barreiras. Ainda não temos essas informações”, afirma.
No entanto, a combinação de incerteza e danos potenciais já liga um “sinal amarelo” no mercado internacional. “Pode ocorrer aumento de preços, mas é sempre muito difícil prognosticar o comportamento do café. Não é somente produção: contratos futuros e outros papéis também influenciam a formação de preços”, explica Bergoli.
O cenário climático adverso soma-se a meses marcados por extremos climáticos no Vietnã. Antes das enchentes atuais, os tufões Kalmaegi e Bualoi deixaram rastro de destruição. Para dar uma ideia, de janeiro a outubro, o país acumula US$ 2 bilhões em prejuízos associados a desastres naturais, segundo estimativas do governo vietnamita.
Tarifaço (in)solúvel
Para além do clima no Vietnã, o Brasil enfrenta outro fator determinante no cenário cafeeiro: a negociação da tarifa de importação de café solúvel pelos Estados Unidos. “Temos expectativa de redução das tarifas nas próximas semanas. O Vietnã tem tarifa de 20%, o México de 25%, a Indonésia de 19%. Nós estamos com 50%. O tarifaço, portanto, inviabiliza as exportações para os Estados Unidos. Mas as conversas entre os setores público e privado dos dois países avançam bem”, observa.
O Espírito Santo, maior exportador brasileiro de café conilon, acompanha de perto os desdobramentos. Em 2024, o Estado embarcou 7 milhões de sacas, o equivalente a 76% das exportações nacionais, além de 571,4 mil sacas de café solúvel. Somente no primeiro trimestre de 2025, já foram exportadas 432,5 mil sacas de conilon e 109 mil sacas de solúvel.





