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Cafeicultura

Documento apresenta características agronômicas de 600 genótipos de Coffea canephora

por Assessoria de Comunicação do Incaper

em 29/06/2022 às 13h08

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Documento apresenta características agronômicas de 600 genótipos de Coffea canephora

foto: reprodução

É por meio de um documento on-line que são apresentadas as mais de 30 características agronômicas, de forma detalhada, e o estudo da variabilidade genética de cada um dos genótipos de café conilon pertencentes ao Banco Ativo de Germoplasma (BAG) Conilon do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).

O conteúdo traz características minuciosas relacionadas à caracterização da planta, hastes, ramo, folhas, fruto, semente, ciclo de maturação, reação a pragas e doenças e tolerância à seca, com base nos descritores de café.  Por exemplo, se o formato da folha é cilíndrico, cônico ou cilíndrico-cônico; se a cor da folha na fase jovem é verde, bronze, verde-bronze ou púrpura; se o formato do fruto é redondo, longo ou elípitico; se a largura da semente é estreita, média ou larga; e assim para todos os descritores.

“A manutenção dos genótipos com características de interesse e a sua caracterização, ao longo dos anos, é de grande relevância para os programas de pesquisa e de melhoramento da espécie, para que a variabilidade da espécie seja devidamente guardada e explorada em cruzamentos e, ou em seleções futuras”, explicou a pesquisadora do Incaper e da Embrapa Café, Maria Amélia Gava Ferrão.

Segundo a pesquisadora, verificou-se que os genótipos do tipo Conilon e Robusta concentram-se em agrupamentos diferentes, como esperado, em função de suas diferenças agronômicas. “Adicionalmente, observou-se que os clones componentes das dez cultivares clonais do Incaper apresentam variabilidade e estão distribuídos entre materiais do tipo Conilon e Robusta, o que caracteriza que muitos são oriundos de hibridações ocorridas ao longo dos anos”, disse.

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Maria Amélia Ferrão também explicou que os cafés chamados “Conilon” caracterizam-se por apresentar plantas de hábito de crescimento arbustivo, caules ramificados, folhas alongadas, ciclo de maturação precoce a tardia, tolerância à seca e maior suscetibilidade a doenças. Já os cafés do tipo “Robusta” têm plantas com arquitetura maior, folhas e frutos de tamanhos maiores, maturação mais tarde, menor tolerância à seca e maior resistência a doenças.

A publicação é intitulada “Variabilidade Genética de Coffea canephora do Banco Ativo de Germoplasma do Incaper: Caracterização dos Acessos com Base em Descritores Mínimos” e encontra-se acessível na Biblioteca Rui Tendinha do Incaper.

O BAG Conilon do Incaper foi estabelecido a partir de 1997, por meio do Programa de Melhoramento Genético do Instituto, com o objetivo de manter os materiais genéticos com características de interesse. Com o passar dos anos, o número de acessos foi se ampliando, com a inclusão gradativa de novos genótipos selecionados ou introduzidos. “Paralelamente, foram realizadas avaliações e estudos relativos à variabilidade e divergência genética existente entre eles”, relembrou a pesquisadora.

Atualmente o BAG está presente em três locais representativos da cultura no Estado, com objetivo de garantir a guarda do patrimônio genético e avaliação mais adequada para reação a pragas, doenças, seca e outras características influenciadas pelas diferenças ambientais.  Assim, os seus acessos são mantidos nas Fazendas Experimentais de Marilândia, Sooretama e Bananal do Norte, localizadas nas regiões noroeste, nordeste e sul do Espírito Santo, respectivamente.

Os genótipos estão replicados e avaliados nesses três ambientes, para que todos eles sejam caraterizados, considerando as diferenças para cada região do Estado. A manutenção dos acessos no campo nesses locais estratégicos da cultura, permite aos melhoristas o monitoramento contínuo dos genótipos com características agronômicas promissoras dentro do contexto de pressão de seleção advindas das mudanças climáticas”, reforçou Maria Amélia Ferrão.

 

A cafeicultura no Espírito Santo

O Espírito Santo destaca-se como maior produtor nacional de café Conilon e o terceiro de Arábica. No Brasil, o café Conilon foi introduzido pelo Estado em 1912, e o nome para este tipo de café originou-se da palavra “Kouillou”, porque durante uma expedição francesa, foi encontrado às margens do rio Kouillou, localizado no Congo, na África.

O cultivo de Coffea canephora concentra-se em regiões com menor altitude e de temperatura mais elevada, com média anual entre 22º e 26ºC, sendo que nos últimos anos observa-se a expansão da cultura para áreas também de maior altitude e de temperatura amena.

Para manter e ampliar a base genética dessa espécie de conilon no Estado é fundamental que no processo de formação das lavouras, os produtores utilizem o conjunto de clones de cada cultivar indicada e sempre que possível mais de uma cultivar, clonal e de semente. “Essas ações contribuirão para conservação da diversidade genética e sustentabilidade da atividade cafeeira frente aos novos desafios e demandas tecnológicas nos processos de desenvolvimento e de inovação da cadeia do café”, completou a pesquisadora.

Entre as instituições que apoiaram este trabalho, estão o Consórcio Pesquisa Café, a Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) pelo financiamento da pesquisa e pela concessão de bolsas científicas.