Cafeicultura

Café de Caparaó chega à Espanha e Arábia Saudita

Produto deixou as terras mineiras para ganhar cafeterias de outros estados do Sudeste, Sul e Nordeste

por Sistema Faemg Senar

em 11/04/2023 às 9h55

5 min de leitura

Café de Caparaó chega à Espanha e Arábia Saudita

(*Fotos: Sistema Faemg Senar/Divulgação)

Espanha, Arábia Saudita e cafeterias de São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba e estados do Nordeste. Estes são alguns dos mercados, nacionais e internacionais, que integram a lista de clientes do café especial Sítio Rochedo. Os grãos são cultivados pelo cafeicultor Marinaldo de Freitas Santos, de Caparaó, na Zona da Mata de Minas. Ele é um dos atendidos pelo programa de Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) Café+Forte, do Sistema Faemg Senar.

E foi justamente a partir de uma experiência vivenciada a partir do ATeG que Marinaldo observou a expansão dos negócios, com a negociação dos primeiros lotes de café ao exterior. “Se eu não tivesse conhecido o Programa ATeG não teria ido à Semana Internacional do Café (SIC) em 2022 e feito contato com os possíveis compradores”, atestou Santos, que seguiu os passos do bisavô e, hoje, atua junto com familiares na cafeicultura.

Marinaldo foi incentivado a participar da SIC pelo técnico de campo do ATeG Café+Forte, Jorge Araújo, do Sistema Faemg Senar, que o acompanha desde junho de 2021. A partir do evento, ele comercializou 17,5 sacas de 30kg, por cerca de R$2.000 cada. Desde 2019 o produtor investe em cafés especiais, mas foi com a assistência técnica e gerencial que ele começou a ver os resultados.

“Nosso propósito era fazer algo diferente da lavoura à moda antiga para conseguir mais qualidade, mas faltava conhecimento sobre como fazer e sobre o mercado para esse produto diferenciado”, explicou Marinaldo, que relembrou a trajetória do bisavô, o também cafeicultor Dedicácio Faria. “É a realização de um sonho de homenagear o legado que ele deixou, e tudo que construiu para a família com muito trabalho”, comentou.

Marinaldo Santos observou um grande salto após o ATeG.

Ganhos 

A grande virada para Marinaldo e família, especialmente o filho Luan Faria Santos, de 19 anos, foi quando passaram a seguir as recomendações técnicas para melhorar a produção, e, principalmente, a pós-colheita. Eles também fizeram diversos cursos como de Classificação e Degustação de Café e Torra oferecidos pelo Sindicato dos Produtores Rurais de Caparaó em parceria com o Sistema Faemg Senar.

“Mesmo com muitos anos na lida, ainda temos muito que aprender para corrigir erros e aprender mais. Agora eu consigo provar e classificar o meu café e isso é maravilhoso, agrega muito”, disse Marinaldo. Além disso, o técnico de campo, reconhecendo o potencial do café Sítio Rochedo, não só pela localização geográfica, mas pela dedicação dos produtores, incentivou a família a participar de concursos de qualidade.

Já na primeira competição, no ano passado, o café recebeu 86 pontos e foi o sexto colocado no concurso municipal realizado pela Emater e pela prefeitura. O resultado animou Marinaldo e toda a família. Confiantes e com vontade de alcançar um bom mercado para seu produto, os produtores levaram à SIC amostras do café para oferecer aos possíveis compradores. “Ficamos três dias abordando possíveis clientes, conhecendo pessoas e falando sobre o nosso café e isso nos abriu muitas portas”, relembrou Marinaldo.

E os contatos feitos se transformaram em vendas. Além do lote premiado no concurso, o produtor vendeu outros dois que alcançaram 87,75 pontos. “Estou muito feliz e realizado. É uma conquista formidável, de encher o coração de alegria. Agradeço a família e ao ATeG Café+Forte, que abriu nossos olhos. Tinha tudo na mão, mas faltava o incentivo”, sintetizou o cafeicultor.

A ideia de levar as amostras foi do técnico Jorge Araújo. O profissional destacou a satisfação ao ver que o produtor aceitou as sugestões e conseguiu bons negócios. Jorge ainda ressaltou que o produtor já tinha lavouras bem cuidadas e produtivas, excelente organização e que, com o ATeG, Marinaldo e família puderam focar na comercialização.

“A qualidade é o grande potencial deles. Eles comercializavam perdendo dinheiro, mas, com orientação, vamos encontrando caminhos para um novo mercado. Estamos juntos há um ano e meio e o trabalho decolou muito rápido e tem tudo para crescer ainda mais. Este ano a produção será de 180 a 200 sacas e, em 2024, deve ultrapassar 300 sacas”, pontuou Jorge.

Marinaldo e Jorge Araújo durante um dos encontros do ATeG Café+Forte.

Novo negócio

Há cerca de um mês a família investiu na própria marca de café torrado e moído. Os cafés especiais do Sítio Rochedo são vendidos em embalagens de 250g, por R$20. A família segue envolvida na comercialização que é feita pela internet e no mercado local de Caparaó.

“O produto tem tido boa aceitação. Acredito que temos potencial e vemos possibilidade de crescer muito. O Sistema Faemg Senar e o ATeG vão nos ajudar muito e acompanhar mais vitórias e oportunidades”, concluiu Marinaldo. O instagram para interessados é @sitio_rochedomg.

Marinaldo e o filho, Luan, que segue os passos do pai na cafeicultura.

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