Mercado do café

Café arábica reage em março, mas robusta surpreende com queda

Oferta limitada sustenta alta do arábica, enquanto maior disponibilidade pressiona preços do robusta

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Foto: Paulo Sena / SEAMA

O mercado de café encerrou o mês de março com comportamentos distintos entre as principais variedades negociadas no Brasil. Enquanto o café arábica registrou valorização, o robusta apresentou queda ao longo de boa parte do período, refletindo dinâmicas diferentes de oferta e expectativa de safra.

De acordo com pesquisadores do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), a alta do arábica foi sustentada, sobretudo, pela oferta restrita no mercado. Além disso, preocupações geopolíticas também contribuíram para manter os preços elevados. Mesmo diante de projeções positivas para a safra brasileira 2026/27, o movimento de valorização se manteve firme, superando o impacto dessas estimativas.

A próxima colheita de arábica deve ganhar ritmo entre maio e junho. Há expectativa de que a produção alcance níveis recordes, o que representaria a primeira safra com desempenho máximo após cinco temporadas marcadas por volumes abaixo do potencial produtivo. Esse cenário foi influenciado, principalmente, por condições climáticas adversas nas principais regiões cafeeiras do País nos últimos anos.

Por outro lado, o mercado de café robusta seguiu em trajetória de enfraquecimento ao longo de março. Segundo o Cepea, a maior disponibilidade dessa variedade, em comparação ao arábica, pressionou as cotações. Além disso, a proximidade do início da colheita reforçou o movimento de baixa.

A entrada de novos volumes da safra 2026/27 de robusta deve ocorrer entre abril e maio. Com isso, a tendência é de manutenção da pressão sobre os preços no curto prazo, à medida que o produto chega ao mercado e amplia a oferta disponível.