Mais lidas 🔥

Inovação no campo
Nova variedade de banana chama atenção de produtores no ES

Rio Grande do Sul
Azeite brasileiro atinge nota máxima e é eleito o melhor do mundo em concurso na Suíça

Chuva de um lado, seca de outro
El Niño de 2026/2027 pode repetir a força e os impactos do fenômeno de 2015/2016?

Desenvolvimento rural
Mais de 161 mil mudas impulsionam produção no Norte do ES

Produção artesanal
Valença, no Rio de Janeiro, conquista 13 medalhas no Mundial do Queijo

Responsável por cerca de 17% do mel produzido no país, o Ceará conquistou, nesta terça-feira (11), o reconhecimento de Indicação Geográfica (IG) para o mel de aroeira extraído na região dos Inhamuns – que reúne os municípios de Aiuba, Arneiroz, Parambu, Quiterianópolis e Tauá. O registro foi concedido na modalidade Indicação de Procedência (IP). Com a publicação, passam a ser 130 IGs brasileiras reconhecidas no país, sendo 101 por Indicação de Procedência e 29 por Denominação de Origem – além de outras 10 estrangeiras. Este é o oitavo registro concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI) para o segmento de mel e própolis.
“O mel de aroeira dos Inhamuns já é reconhecido nacional e internacionalmente, com vendas para países como Suécia, Alemanha e França. A Indicação Geográfica terá um papel de fortalecer ainda mais a reputação do produto e promover a abertura de novos mercados”, avalia a coordenadora de Tecnologias Portadoras de Futuro do Sebrae, Hulda Giesbrecht. “São pequenos apicultores do semiárido nordestino que garantem um protagonismo na proteção desse patrimônio e na garantia da qualidade do produto, com potencial de maior agregação de valor para a sua comercialização”, completa a especialista ao lembrar que a região já possui uma Indicação Geográfica concedida para o algodão colhido no território.
O registro da IG é um reconhecimento ao compromisso dos produtores locais com tradição, qualidade e sustentabilidade no processo de produção e ao resultado de um trabalho desenvolvido pelo Sebrae/CE. Desde 2020, a unidade vem atuando na identificação de culturas, produtos e práticas características das regiões cearenses com potencial de serem reconhecidas pelo INPI e apoiando produtores e artesãos dessas regiões no processo necessário para a obtenção do selo da IG.
Como é produzido?
O mel de aroeira dos Inhamuns é produzido no período de estiagem, quando há escassez de flores disponíveis para que as abelhas se alimentem e possam produzir seu mel. Isto porque a florada da árvore de aroeira não é afetada pela seca e, nesse período, suas flores permanecem disponíveis às abelhas. A condição permite a produção de um mel monofloral mais puro, com maior consistência e coloração âmbar mais escurecida, com elevados níveis de compostos fenólicos, sendo um mel que não cristaliza.
Um dos primeiros registros de trabalho com o mel na região é da década 1980. No entanto, há relatos que apontam para a produção antes mesmo desse período, na época em que o mel de abelha era o adoçante dos sertanejos. A partir de 2001, a atuação com as abelhas africanizadas foi estabelecida como uma atividade econômica fundamental para toda a região.
Indicações Geográficas
As Indicações Geográficas (IG) são ferramentas coletivas de valorização de produtos tradicionais vinculados a determinados territórios. Elas possuem duas funções principais: agregar valor ao produto e proteger a região produtora.
O sistema de Indicações Geográficas promove os produtos e sua herança histórico-cultural, que é intransferível. Essa herança abrange vários aspectos relevantes: área de produção definida, tipicidade, autenticidade com que os produtos são desenvolvidos e a disciplina quanto ao método de produção, garantindo um padrão de qualidade. Tudo isso confere uma notoriedade exclusiva aos produtores da área delimitada.




