Anuário do Agro 2023

Produção de camarão-da-malásia cresce no ES, veja os desafios do setor

Presente em apenas três municípios do Estado, a produção capixaba de camarão da malásia teve um aumento em 2022, se comparado a 2021

Foto: divulgação Incaper

Presente em apenas três municípios do Estado, a produção capixaba de camarão da malásia teve um aumento em 2022, se comparado a 2021. A produção passou de 9.750 toneladas para 12.900. É o que apontam os dados consolidados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), elaborados pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper). 

Governador Lindemberg lidera o ranking com 77,52% da produção total, o que corresponde a 10 toneladas, seguido de Ibiraçu, com 19,38% e Marilândia com 3,10%. O produtor Telmo Bayer, da Comunidade Rio Bonito, em Governador Lindemberg, é um dos únicos que segue trabalhando com a espécie no município. 

“Ainda estou produzindo cerca de 120 quilos por mês, mas se a falta de chuva persistir também vou parar”, disse. Telmo conta que a única fábrica de ração do Espírito Santo encerrou as atividades e o custo ficou muito elevado, tornando inviável a produção. 

“Só continuei trabalhando com camarão porque eu mesmo passei a produzir minha ração, caso contrário não vale a pena”. 

Com água em abundância, da comunidade Santo Antônio, Ibiraçu, Ângelo Zandoná, cria camarão desde 2010. Para ele o camarão é um bom negócio, porém, alguns entraves atrapalham a criação da espécie. “Não é um mau negócio, pelo contrário, é muito bom, com oito meses já é possível fazer a despesca e a venda é certa. Mas a gente não tem suporte técnico, a ração tem que comprar de fora, demora chegar e acaba encarecendo a produção. O pós larva é outro problema. Temos pouca oferta no Estado, e tudo isso desanima”, explica o produtor. 

O instrutor do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) Fabiano Giori dá treinamento em carcinicultura em todo o Estado e explica que a falta de conhecimento por parte dos produtores continua sendo o principal entrave para a atividade no Estado. 

“Percebo um aumento na procura por informações por parte dos produtores de municípios como Cachoeiro de Itapemirim, Castelo e Jerônimo Monteiro, mas ainda é pequena. A carcinicultura é sem dúvida uma cultura promissora e relativamente fácil, é necessário apenas informações básicas, como preparo do viveiro, alimentação e manejo. Mas o maior gargalo ainda é justamente esse, a falta de informação por parte dos produtores que acham que é difícil”, reforça o instrutor.

Sobre o autor Rosimeri Ronquetti Rosi Ronquetti é jornalista, formada em 2009 e pós-graduada em gestão em assessoria de comunicação. Repórter do agro, sua atuação se concentra na produção de reportagens do setor (incluindo perfis e histórias). Algumas de suas reportagens conquistaram premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos