Mais lidas 🔥

Empreendedorismo no café
Empreendedor transforma Kombi em ponto de venda dos cafés de qualidade que ele mesmo produz

Dia do Agricultor
Do concreto ao cafezal: uma história de transformação no interior capixaba

Investigação
Operação prende suspeitos de fraude na comercialização de café no sul do ES

Política agrícola
Projeto cria preço mínimo para proteger produtores de cacau

Mercado do boi
Preço do boi gordo convergem entre estados produtores

A microbacia do Córrego Frigério, em Nova Venécia, inserida na bacia hidrográfica do rio São Mateus, no norte do Estado, continua sendo palco para estudos e investimentos do projeto Água na Medida, da Agência Estadual de Recursos Hídricos (Agerh) em parceria com a Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes). Entre dezembro de 2021 e janeiro deste ano, a comunidade de base agrícola familiar recebeu uma estação meteorológica e um sensor de umidade do solo.
A estação meteorológica foi instalada numa propriedade localizada em região estratégica e relativamente central da microbacia. O equipamento já está captando automaticamente dados de precipitação/chuvas, radiação solar, temperatura, umidade do ar, evapotranspiração, direção e velocidade do vento.
O sensor de umidade com tecnologia TDR (Reflectometria no Domínio do Tempo), também já está disponível no local e sendo calibrado para as condições e características do solo predominante na microbacia. A equipe realizou a leitura do solo nas propriedades em cinco condições diferentes de umidade e enviou amostras para análise no laboratório de solo do Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) Campus Nova Venécia para validação dos dados gerados pelo TDR.
O sensor será utilizado semanal ou quinzenalmente em algumas propriedades que fazem parte da pesquisa, para medir a disponibilidade de água no solo.
Os dados levantados pela estação meteorológica e pelo TDR serão somados às informações dos irrigâmetros instalados em 15 propriedades da microbacia e inseridos em um Sistema de Apoio à Decisão (SAD), software desenvolvido pelo Laboratório de Gestão de Recursos Hídricos e Desenvolvimento Regional (LabGest) da Ufes.
O SAD é a tecnologia responsável por cruzar as informações e auxiliar a gestão da água nas microbacias por meio de mensagens via celular, como explica a coordenadora-chefe do projeto, Silvia Soares.
“Os produtores receberão em seus smartphones informações que os indicarão quando e o quanto irrigar suas lavouras, já que o SAD estará configurado com informações sobre clima, solo e água que são altamente relevantes para o manejo da irrigação”, adianta Sílvia Soares.
Para o melhorar a assertividade da orientação emitida pelo SAD, no mês de janeiro, a equipe avaliou ainda a eficiência dos sistemas de irrigação de 11 propriedades do Frigério. Caso a eficiência encontrada seja baixa, os produtores serão orientados quanto à necessidade de prover melhorias no sistema, segundo o engenheiro agrônomo e também coordenador do projeto, Pedro Murilo Andrade.
“Às vezes a água aplicada pode estar mal distribuída na lavoura, demandando maior volume e diminuindo a produtividade da irrigação. Por isso, é importante avaliarmos cada detalhe antes de colocar o Sistema de Apoio à Decisão para rodar”, esclarece Pedro.
Os pesquisadores do Projeto Água na Medida e os servidores da Agerh que coordenam o projeto atuam diariamente no local, dando suporte técnico aos agricultores e manutenção aos equipamentos.
Água na Medida
O Água na Medida é um projeto de pesquisa voltado às microbacias hidrográficas de bases agrícola e familiar do Espírito Santo. Devido à escassez hídrica, a microbacia do Córrego do Frigério, em Nova Venécia, foi a primeira região escolhida para receber o projeto, pois tem um histórico de conflito pelo uso da água e uma alta demanda de recursos hídricos para irrigação.
Além de incentivar métodos modernos que promovam o uso sustentável da água para este fim, o objetivo é promover a distribuição justa e consensual dos recursos hídricos entre as propriedades rurais, uma vez que os produtores poderão definir regras de uso da água em momentos de escassez com base em monitoramento de campo.
O projeto Água na Medida é coordenado pela Agerh e tem o suporte metodológico de uma tecnologia desenvolvida na Ufes, por meio do Centro de Ciências Agrárias e Engenharias (CCAE) – Campus de Alegre, e do Laboratório de Gestão de Recursos Hídricos e Desenvolvimento Regional (Labgest) – Campus de Goiabeiras. A pesquisa é custeada pelo Fundo Estadual de Recursos Hídricos e Florestais do Espírito Santo (Fundágua), com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes).




