Mais lidas 🔥

Premiação internacional
Do cafezal ao Vale do Silício: capixaba conquista prêmio internacional com invenção

Lucas Souza Alves, jovem do Caparaó, especialista em cafés, morre aos 24 anos em grave acidente

Café de valor agregado
Nova modalidade de café chega ao Vale do Jequitinhonha com financiamento do BNB

Anuário do Agronegócio Capixaba 2025
Da lavoura ao mundo: o domínio capixaba da pimenta-do-reino

Cotações
Café, boi e hortifrúti: confira as cotações do dia 26 de agosto
O tema agrotóxicos ou defensivos agrícolas é geralmente abordado pela mídia e opositores ao Agro de forma pejorativa, distorcendo os dados reais e deixando pesar o viés ideológico.
O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do ES (Faes), Júlio Rocha, destaca que dentre 14 países principais produtores de alimentos, o Brasil figura em 11º lugar como o que menos consome defensivos.
Abaixo, segue um conjunto de informações relevantes sobre o uso de defensivos na produção agrícola e o posicionamento da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo sobre questões relacionadas a esse tema.

“O objetivo é esclarecer e desmitificar a abordagem que afeta negativamente o Agro brasileiro ”, complementa Júlio Rocha.
1 – Quanto tempo um novo produto leva para ser aprovado e registrado no Brasil? E nos Estados Unidos? E na Europa?
RESPOSTA: No Brasil, a fila existente impõe um prazo de 8 a 10 anos para um registro. Essa conta é simples, verifica-se o número de processos na fila e o número de processos concluídos no ano anterior e faz a conta de quantos anos o último processo da fila está distante de sua análise. Por exemplo, uma fila com 1.200 processos e uma finalização de 120 processos por ano, indica a previsão de 10 anos para que o último processo da fila seja analisado. E uma situação semelhante à que ocorre no Brasil nos últimos anos. Quem protocolizar um processo hoje terá o resultado em 10 anos.
No Canadá, o registro de um produto baseado em molécula nova leva um tempo de 24 meses. O registro de um similar, desde que não envolva problemas com sigilo de dados, é sempre um processo objetivo, com prazo de 12 a 15 meses. Nos EUA, o prazo de registro para produto com molécula nova não é superior a 2 ou 3 anos, e para produto similar o tempo de registro é de 12 a 18 meses. Na Europa não é diferente.
2 – Qual a quantidade de agrotóxicos/defensivos agrícolas utilizados anualmente no Brasil, em volume?
RESPOSTA: Considerando dados da FAO, o Brasil utilizou em 2014 (ano que o cadastro da FAO está com mais dados disponíveis) 4,07 kg de ingrediente ativo por hectare. Cabe observar que no Brasil, onde se pratica uma agricultura tropical, não contamos com o período de inverno para interromper o ciclo das pragas. Assim, o agricultor brasileiro utiliza os pesticidas de forma muito parcimoniosa, principalmente quando comparado a outros países. (*Confira tabela abaixo).

3 – Segundo estatísticas da Abrasco e Fiocruz relativas a 2013, dividindo-se a quantidade de agrotóxicos/defensivos agrícolas utilizada no Brasil pela população teríamos 7,3 litros de agrotóxicos/defensivos agrícolas por habitante. Esses dados são verdadeiros?
RESPOSTA: Esses dados não representam a realidade brasileira. Esses argumentos são utilizados geralmente por ativistas e são repetidos seguidamente sem um mínimo de responsabilidade. Primeiro cabe observar que esses produtos não são feitos para o consumo humano, eles são utilizados nas lavouras para os fins de combate a pragas, doenças e plantas daninhas, também é utilizado nas residências para combater mosquitos e baratas. Como demonstra o banco de dados da FAO, o agricultor brasileiro utiliza os pesticidas em menor quantidade por hectare do que grande parte dos agricultores do mundo. O agricultor brasileiro não é irresponsável. Além disso, quanto mais o agricultor gastar dinheiro com esse insumo, mas a margem de renda dele diminui. Logo, o interesse do produtor é utilizar em menor quantidade quanto for possível.
Ademais, o Brasil é grande exportador de produtos do agro, o que já derruba o cálculo por habitante ano. Soma-se isso, o fato do uso de pesticidas em produtos que não são comestíveis como algodão, madeira e cana-de-açúcar quando destinada a produção de etanol.
4 &ndash, Comparativamente qual é o rendimento obtido por cada litro de defensivo no Brasil e nos demais produtores mundiais?
RESPOSTA: O Brasil produz 3.281kg de alimentos por cada litro de defensivo utilizado. O Brasil é muito mais eficiente quando comparado aos demais países que constantemente questionam a utilização de agroquímicos. (*Veja tabela abaixo)

5 – Por que, o Brasil ainda autoriza o uso de produtos que já foram banidos em outros países, como o carbofurano, o glifosato e a cihexatina, entre outros?
RESPOSTA: A Cihexatina e o Carbofurano já foram proibidos pela Anvisa, logo o produtor rural não os utiliza por nem serem comercializados no País. O Glifosato foi reavaliado pela Anvisa onde foi aprovado a manutenção de uso do mesmo. Vale ressaltar que esse mesmo produto foi recentemente avaliado pela autoridade Europeia e continua com autorização de uso no Bloco Europeu.
O Brasil não é um paraíso para produtos proibidos. Tem muita gente que fala sem conhecer esse mercado mundial. O Brasil é um grande exportador de alimentos. Não é interessante para a agricultura brasileira utilizar produtos proibidos em outros países, ou produtos que não tenha Limite Máximo de Resíduo &ndash, LMR estabelecido e vigente nos países importadores.
Pode ocorrer que um produto não seja comercializado em um determinado país, especialmente no Hemisfério Norte, por questões que nada tem a ver com a falta de segurança do produto, mas sim porque não é necessário naquele país.
6 – O uso desmedido de defensivos traz muitos malefícios? Qual a posição da CNA quanto a isso?
RESPOSTA: O primeiro maleficio do uso desmedido de defensivos ocorre no bolso do agricultor. Quanto mais ele gastar dinheiro utilizando esse insumo além do necessário, menor será a sua renda.
A CNA defende o uso adequado de qualquer insumo agrícola, na medida das recomendações técnicas e, no caso dos defensivos, somente quando for necessário para proteger as lavouras das pragas e das ervas daninhas. Inclusive, o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural oferece capacitação para produtores e trabalhadores rurais em aplicação de defensivos, com o objetivo de tornar a prática cada vez mais responsável.
7 – Quais são as principais preocupações no que diz respeito a forma de utilizar os defensivos?
RESPOSTA: Respeitar as recomendações técnicas para uso, armazenamento e transporte é fundamental. Defensivos Agrícolas são produtos aprovados para uso, mas exigem uma aplicação técnica adequada. O agricultor precisa cuidar de sua proteção e de seus funcionários, do meio ambiente em sua propriedade e dos consumidores. No caso da proteção aos consumidores, o agricultor precisa respeitar o prazo de carência após a aplicação para só assim vender sua produção. Fazendo isso o agricultor assim como os trabalhadores rurais estarão com a segurança garantida.
8 – De que forma o uso de defensivos de maneira responsável foi e é importante para a agricultura?
RESPOSTA: Os defensivos constituem ferramenta importante para proteger as lavouras das pragas e das ervas daninhas, e são fundamentais para garantir e melhorar a produção agrícola.
O uso de pesticidas como insumo garantidor da produção constitui uma prática mundial. Países como Estados Unidos, Alemanha, Japão, França e Holanda, que estão na vanguarda da inovação tecnológica, ainda utilizam esses produtos. Lá, igual aqui, a ciência ainda não apresentou uma alternativa disruptiva ao uso de defensivos na produção agrícola. Trata-se de um insumo que foi e ainda é importante para a produção agrícola mundial.
No Brasil, convive de forma harmô,nica a prática da agricultura convencional, agricultura convencional transgênica e orgâ,nica. A agricultura pode ser praticada utilizando insumos químicos, transgênicos ou biológicos, para qualquer uma é fundamental seguir as boas práticas de produção.
9 – Quais são as dez moléculas de defensivos agrícolas mais vendidas no país?
RESPOSTA: Os herbicidas em geral, inclusive o glifosato, os fungicidas para a soja e inseticidas para a cana e algodão. O tamanho do mercado de um produto depende da quantidade de área ocupada pela cultura e da frequência e intensidade do ataque de pragas e infestação de ervas daninhas.
10 – Quantas empresas atuam nesse mercado no Brasil? E quantos produtos estão à disposição dos agricultores brasileiros?
RESPOSTA: O mercado é oligopolizado. Com a fusões que ocorreram, 3 empresas dominam a maior fatia de mercado. São muitos os produtos disponibilizados para os agricultores, salvo para os agricultores que trabalham com frutas e hortaliças.
11 – A CNA tem o faturamento das indústrias de defensivos agrícolas no Brasil nos últimos anos?
RESPOSTA: O mercado atual é de aproximadamente US$ 9,5 bilhões. É, um grande mercado para as indústrias. Os produtos no Brasil não são baratos. No Mercosul diversos produtos que são produzidos no Brasil e exportados para países como Uruguai e Argentina, são vendidos com preços melhores para os agricultores daqueles países. Seria interessante para o agricultor brasileiro um acordo de livre comércio com os países do Mercosul.
12 – Na sua opinião, não se deveria buscar alternativas para reduzir o uso desses produtos, privilegiando-se, por exemplo, a agroecologia?
RESPOSTA: O uso de defensivos é uma prática real e necessária em todos os países que tem produção agrícola. A ciência e a tecnologia ainda não apresentaram aos agricultores do mundo uma alternativa técnica e economicamente viável de produzir em quantidade necessária e custo acessível sem o uso de pesticidas. Caso isso ocorra no futuro, quem sentirá o impacto disruptivo será a indústria e não o agricultor.
Cabe observar, e isso é importante, que o Poder Público Federal não elege um sistema de produção agrícola como sistema oficial. No Brasil, convive de forma harmô,nica a prática da agricultura convencional e orgâ,nica.
Importante também ressaltar que qualquer proposta destinada a eleger um modelo de produção agrícola em detrimento dos demais deve ser objeto de debate exaustivo, responsável e transparente, com a participação do Poder Público, sociedade civil e produtores rurais, iniciando-se pela avaliação da viabilidade da proposta.
Qualquer atuação isolada praticada por qualquer órgão do Governo no sentido de dificultar ou depreciar as práticas necessárias à utilização de um modelo de produção, com o objetivo de promover, de forma velada, a adoção de modelo que considera mais adequado deve ser de pronto rechaçada, visto que tal prática, quando desprovida do debate necessário e sem o suporte de políticas públicas, flerta com a irresponsabilidade. Ações dessa natureza podem prejudicar a qualidade dos produtos, aumentar o preço dos alimentos e até inviabilizar a produção em quantidades suficientes.
*Acesse o documento completo da CNA neste link
*Foto capa: Reprodução Globo Rural




