Fiscalização ambiental

Ibama apreende 1,5 tonelada de barbatanas de tubarão e desmonta esquema ilegal na Bahia

Carga de alto valor comercial foi encontrada em unidade clandestina de beneficiamento em Rodelas (BA); sete pessoas foram conduzidas à Polícia Federal

Barbatanas apreendidas durante ação coordenada do Ibama e demais instituições na Bahia - Foto: Reprodução/Inema

O Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apreendeu 1.583 quilos de barbatanas de tubarão em um imóvel utilizado para beneficiamento e armazenamento ilegais do produto, na zona rural de Rodelas, no norte da Bahia. A operação foi realizada em meados de fevereiro, em ação conjunta com a Polícia Federal e o Instituto do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Inema).

A carga tem alto valor comercial e inclui barbatanas de diferentes espécies marinhas, algumas ameaçadas de extinção. O produto é alvo frequente do tráfico internacional, sobretudo para uso na culinária e na medicina tradicional em países asiáticos.

No local, que funcionava como unidade clandestina de secagem e preparo das barbatanas, os agentes ambientais também apreenderam uma balança de precisão. A área foi embargada.

Sete pessoas foram conduzidas à Delegacia da Polícia Federal em Juazeiro (BA): quatro brasileiros, entre eles um adolescente, e três cidadãos chineses. Os envolvidos foram autuados e deverão responder por crimes contra a fauna, beneficiamento de produto sem origem comprovada, ausência de licença para atividade potencialmente poluidora, receptação qualificada e corrupção de menores.

Impacto ambiental

A retirada de barbatanas costuma estar associada à prática conhecida como finning, na qual as nadadeiras são cortadas e o tubarão é devolvido ao mar ainda vivo. O método é considerado cruel e provoca forte desequilíbrio ecológico, já que os tubarões exercem papel fundamental na regulação das cadeias alimentares marinhas.

A legislação brasileira proíbe a captura dirigida de tubarões e tipifica como crime o armazenamento, transporte, beneficiamento ou comercialização de partes desses animais sem autorização dos órgãos competentes. A investigação prossegue para apurar a origem do material e possíveis conexões com redes de tráfico internacional.