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Balanço 2025 do agronegócio brasileiro e perspectivas para 2026

Em 2025, o agronegócio brasileiro alcançou US$ 169,2 bilhões em exportações, mostrando o crescimento do setor

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Foto: Pixabay

Em 2025, o agronegócio brasileiro alcançou um marco histórico: as exportações do setor atingiram US$ 169,2 bilhões, montante equivalente a quase metade das exportações totais do país, com crescimento de 3% em relação ao ano anterior. Segundo dados do Ministério da Agricultura e Pecuária, o resultado foi impulsionado pelo aumento de 3,6% no volume exportado, que compensou a leve queda nos preços médios no mercado internacional. Esse desempenho contribuiu para a manutenção de um superávit robusto na balança comercial, fundamental para o equilíbrio das contas externas brasileiras.

A diversificação geográfica de mercados foi um dos principais vetores desse resultado. Em 2025, o Brasil consolidou a abertura de 525 novos mercados desde 2023, ampliando a presença de produtos do agronegócio em países como Paquistão, Argentina, Filipinas, Bangladesh, Reino Unido e México. De acordo com a Forbes Brasil, a China manteve-se como principal destino das exportações do setor, absorvendo mais de 30% do total exportado, seguida pela União Europeia e pelos Estados Unidos.

Nesse cenário, a pauta exportadora permaneceu fortemente ancorada em commodities tradicionais: a soja em grãos respondeu por parcela expressiva das receitas, com mais de 108 milhões de toneladas embarcadas; a carne bovina alcançou recordes de valor e volume; o Brasil consolidou-se como o terceiro maior exportador mundial de carne suína; e o café registrou crescimento superior a 30% em valor exportado, impulsionado por preços internacionais elevados, conforme análise destacada pelo Financial Times.

O ano também foi marcado por negociações comerciais capazes de influenciar o futuro das exportações brasileiras. Um dos principais destaques foi a assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, após 26 anos de negociações, que prevê a eliminação gradual de mais de 90% das tarifas entre os blocos, formando uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, com mais de 700 milhões de consumidores. Segundo o jornal britânico, embora a ratificação do acordo possa ampliar o acesso dos produtos brasileiros ao mercado europeu, o processo ainda enfrenta entraves, incluindo uma votação no Parlamento Europeu que solicitou análise jurídica antes de seu avanço.

Já 2026 se desenha como um ponto de inflexão para o agronegócio brasileiro. Mais do que produzir e exportar volumes recordes, o desafio passa a ser interpretar com precisão os sinais do mercado global. A consolidação de acordos comerciais tende a abrir portas em economias de alto poder aquisitivo, enquanto regulações ambientais, exigências de rastreabilidade e padrões de sustentabilidade elevam o nível de competitividade internacional.

Soma-se a esse cenário uma mudança silenciosa, porém profunda, nos hábitos alimentares, impulsionada pelo uso crescente de medicamentos para perda de peso, como o Ozempic, que já começa a alterar o padrão de compras no varejo alimentar, com redução no consumo de produtos ultraprocessados e maior demanda por alimentos mais saudáveis.

Menos calórica, mais seletiva e orientada por valor, essa nova lógica de consumo pode impactar a demanda global e o perfil dos produtos exportados. Para o agro brasileiro, 2026 exigirá mais do que escala: exigirá inteligência de mercado, adaptação rápida e capacidade de antecipar tendências em um mundo que consome de forma diferente.

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Sobre o autor Paula Cristiane Oliveira Braz *Paula Cristiane Oliveira Braz é administradora, especialista em Agronegócios, tutora dos cursos de pós-graduação na área de Agronegócios do Centro Universitário Internacional UNINTER. Ver mais conteúdos