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O crescente aumento nas importações brasileiras de morango preocupa autoridades e produtores capixabas. Para se ter uma ideia, as importações cresceram 10 vezes em apenas quatro anos. Em 2022, o país comprou 4,3 mil toneladas da fruta; em 2025, esse número saltou para 42 mil toneladas.
O Espírito Santo é o quarto maior produtor nacional da fruta, e Santa Maria de Jetibá, na região serrana, é o município onde mais se colhe morango no estado. Preocupado com a situação, o secretário de Agropecuária, Vanderlei Marquez, emitiu, nesta quarta-feira, 21, uma nota de repúdio.
“Emitimos a nota de repúdio e buscamos apoio junto aos órgãos competentes após dois produtores nos procurarem manifestando preocupação. E é realmente preocupante. Praticamente 100% da produção é da agricultura familiar e representa, para as famílias produtoras, cerca de 50% da renda. Ou seja, o impacto financeiro e social é muito grande. É um risco para a sustentabilidade econômica da cadeia produtiva”, disse Vanderlei.
Por meio de suas redes sociais, o secretário de Estado da Agricultura, Abastecimento, Aquicultura e Pesca, Enio Bergoli, também manifestou preocupação com o avanço das importações e informou que oficiou o Ministério da Agricultura pedindo providências.
“O aumento desenfreado das importações de morango representa uma ameaça à produção brasileira e capixaba. Trata-se de um arranjo típico da agricultura familiar brasileira, conduzido com bom nível tecnológico e eficiência técnica”, destaca Enio.
No ofício, o secretário ressalta que o produto chega ao Brasil ultracongelado, com uma alíquota de apenas 4%, sendo comercializado em território nacional a R$ 7 a R$ 8/kg — valor bem inferior aos custos de produção, que estão na faixa de R$ 10 a R$ 14/kg.
O pedido é para que sejam tomadas medidas junto à Câmara de Comércio Exterior (Camex) com relação à elevação da alíquota de importação de morango ultracongelado, de forma técnica e criteriosa, com vistas ao desenvolvimento sustentável da cadeia produtiva nacional, à previsibilidade regulatória e ao interesse público.
Em entrevista ao Conexão Safra, Enio destacou que o objetivo não é interromper as importações, mas frear o ritmo, para que os produtores continuem evoluindo.
“Tivemos uma evolução fantástica de produtividade nos últimos anos. O nível tecnológico aumentou e a produção mais que dobrou em três anos, sem ampliação da área cultivada. Porém, muitas famílias produtoras ainda não acessaram essas tecnologias, mantêm uma produção mais cara, não conseguem competir com os valores do morango importado. Estamos trabalhando para produzir com cada vez mais qualidade, mas a importação está crescendo em um ritmo muito acelerado”, enfatiza.
O secretário afirmou ainda que, até o momento, “não existem perdas, mas, da maneira como está, a situação força o preço para baixo, e os produtores não aguentam por muito tempo, correndo o mercado O objetivo é justamente evitar prejuízos para os próximos meses e anos”.
O Espírito Santo é o quarto maior produtor da fruta no país, segundo o Anuário do Agronegócio Capixaba. São cerca de 300 hectares cultivados em diversos municípios da região serrana do estado. Em 2024, foram colhidas 33 mil toneladas de morango. Santa Maria de Jetibá colheu, no mesmo ano, mais de 25 mil toneladas.
Veja o ofício e a nota, abaixo, na íntegra:







