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As mudanças climáticas já estão impactando diretamente a agricultura brasileira. É o que aponta um estudo divulgado pelo Cepea, da Esalq/USP, que analisa as emissões de gases de efeito estufa no mundo e no Brasil, com foco especial na agropecuária e no desmatamento.
De acordo com o documento, o aumento da concentração de gases que aquecem a atmosfera está diretamente ligado à elevação da temperatura média do planeta. Desde a década de 1960, esse aquecimento se intensificou, e a temperatura global já subiu mais de 1 grau em relação aos níveis históricos. Essa mudança tem alterado os padrões climáticos em diferentes regiões do mundo.
No Brasil, os efeitos são cada vez mais visíveis. Entre 1991 e 2023, o número de desastres climáticos, como secas, enchentes, tempestades e enxurradas, cresceu de forma expressiva. Segundo o estudo, 92% dos municípios brasileiros já registraram algum tipo de evento extremo relacionado ao clima nesse período.
Esses eventos têm impacto direto sobre a agricultura. A análise mostra que quanto maior o número de desastres climáticos em um ano, maior é a instabilidade do desempenho do setor agropecuário. Na prática, isso significa mais dificuldade para planejar safras, maior risco de perdas e maior imprevisibilidade na renda do produtor rural.
O levantamento também aponta que a agropecuária tem peso relevante nas emissões brasileiras de gases de efeito estufa. Em 2023, o setor respondeu por cerca de 27% das emissões brutas do país. A principal fonte é a pecuária, especialmente a fermentação entérica do gado, além do manejo de dejetos e do uso de fertilizantes.
Outro ponto central do estudo é o papel do uso da terra e do desmatamento. Diferentemente da média mundial, no Brasil a mudança no uso da terra ainda responde por uma parcela significativa das emissões. Embora o desmatamento tenha apresentado redução ao longo das últimas décadas, a preservação das florestas ainda não consegue compensar totalmente as emissões geradas pela derrubada de vegetação nativa.
Diante desse cenário, o Cepea destaca que a agricultura brasileira precisa avançar não apenas na redução de emissões, mas também na adaptação a um clima mais instável. Ferramentas como o Zoneamento Agrícola de Risco Climático ajudam os produtores a identificar os períodos mais seguros de plantio e a reduzir prejuízos causados por eventos extremos.
O estudo conclui que as mudanças no clima já fazem parte da realidade do campo. Para garantir a continuidade da produção agrícola, será cada vez mais necessário investir em práticas que reduzam emissões, protejam o solo e a água e aumentem a capacidade de adaptação da agropecuária brasileira aos novos padrões climáticos.





