Campo à Xícara

Projeto ensina alunos a produzirem café especial em Boa Esperança

Projeto ensina alunos a fazer café de qualidade do campo à xícara. Alunos são do CEIER e do curso de agronomia

Fotos: divulgação

Acompanhar o processo de produção do café de qualidade, desde o plantio até a xícara. Essa é a proposta do projeto “Do Campo à Xícara: Estufa para Secagem de Café Especial como Experiência de Aprendizagem“, desenvolvido no Centro Estadual Integrado de Educação Rural (CEIER) de Boa Esperança. O estudo teve início em março deste ano e segue até dezembro.

A iniciativa busca proporcionar aos estudantes uma compreensão aprofundada das etapas que envolvem a cadeia produtiva do café, desde o cultivo e a colheita até o beneficiamento, a torra, o preparo e a degustação.

Durante o projeto, os alunos executam uma série de atividades práticas e teóricas, com foco na valorização do café especial produzido de forma agroecológica pelos próprios estudantes da escola.

As ações são integradas à disciplina de cafeicultura, já presente na matriz curricular da escola, dentro do componente de Escola, com o apoio técnico do Incaper e da coordenação do projeto.

Entre as principais atividades do projeto estão orientações sobre a produção de cafés especiais, participação em palestras técnicas sobre colheita, pós-colheita e qualidade do café, construção de um terreiro suspenso e coberto, orientações sobre colheita seletiva e manejo pós-colheita, curso de torra e análise sensorial.

Durante o projeto, os alunos realizam uma série de atividades práticas e teóricas

Vale destacar que a escola tem como princípio pedagógico a produção agroecológica, e todo o café cultivado pelos estudantes segue práticas sustentáveis, sem uso de agrotóxicos, respeitando o meio ambiente e promovendo a saúde do solo e dos alimentos.

De acordo com a coordenadora geral do projeto, Jozyellen Nunes da Costa, os alunos não participam apenas como observadores; eles realmente colocam a mão na massa. “Os alunos atuam como pesquisadores em formação, desenvolvendo habilidades práticas e teóricas por meio da iniciação científica”, conta.

Além disso, explica Jozyellen, “o projeto também valoriza o conhecimento local, a agricultura familiar e os aspectos socioeconômicos e culturais ligados à produção de café na região”.

Ainda de acordo com a coordenadora, “mais que ensinar técnicas, o projeto abre caminhos para que os estudantes enxerguem novas possibilidades de futuro no meio rural, valorizando o conhecimento, a pesquisa e a sustentabilidade como pilares de uma agricultura moderna, consciente e conectada com as demandas do mercado”.

A aluna Isis Vitória Ferreira, 16 anos, do Córrego Água Fria, que fica no interior de Santo Antônio do Pousalegre, em Boa Esperança, conta que a experiência está sendo muito boa e que, mesmo sendo filha de produtores rurais, tem se surpreendido bastante com o que tem aprendido.

Meus pais cultivam o café de forma tradicional e, no curso, cultivamos o especial, e o manejo é totalmente diferente. Duas coisas me chamaram atenção. A primeira foi a estufa. Mesmo tendo pais agricultores, nunca tinha visto formas de secar café sem ser no secador ou no terreiro. A outra foi no laboratório, quando fomos preparar e provar as amostras de café. Achei muito interessante as máquinas e a prova das amostras”, relata Isis.

Resultados

A professora Nídia Alves de Barros, tutora do projeto, conta que o trabalho começou com a construção das estufas, depois veio a colheita e pós-colheita dos grãos, com lavagem e secagem dentro dos parâmetros do café especial. Em seguida, levaram as amostras para o laboratório, onde pilaram, selecionaram os grãos, fizeram curso de torra, análises sensoriais do café e emissão dos laudos.

Participam do projeto estudantes do ensino médio, concomitantes com técnico em agropecuária e de agronomia da Ufes.

E os resultados são promissores. Dos 14 clones cultivados, sete alcançaram entre 80 e 85,5 pontos. “Todo o processo foi feito com eles. Agora estão na fase da análise dos dados: qual clone apresentou mais defeito, qual é mais produtivo, qual demorou mais para secar, qual o melhor clone e assim por diante”, explica a professora.

A expectativa, segundo a tutora do projeto, é despertar nos alunos o desejo de permanecer no campo e, assim, multiplicar os conhecimentos adquiridos.

A gente, enquanto professores, espera despertar neles a vontade de dar sequência nesse aprendizado, escolhendo profissões voltadas para a área agrícola. Assim poderão contribuir, levando essas práticas e conhecimentos inovadores para os pequenos proprietários e agricultores familiares”, destaca a tutora.

Participam do projeto cinco estudantes do ensino médio, integrado com o curso técnico em agropecuária do CEIER, e um aluno de graduação em agronomia da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Campus São Mateus. Os alunos são bolsistas contemplados pelo Edital do Programa de Iniciação Científica Júnior (PIC Júnior) da Fundação de Apoio à Pesquisa no Espírito Santo (Fapes), em parceria com a Secretaria da Educação (Sedu).

Sobre o autor Rosimeri Ronquetti Rosi Ronquetti é jornalista, formada em 2009 e pós-graduada em gestão em assessoria de comunicação. Repórter do agro, sua atuação se concentra na produção de reportagens do setor (incluindo perfis e histórias). Algumas de suas reportagens conquistaram premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos