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O ora-pro-nóbis é um velho conhecido da população de Minas Gerais. Muito apreciada e consumida pelos mineiros, a planta ainda é pouco conhecida do restante dos brasileiros. Assim ela é classificada na categoria de Plantas Alimentícias Não Convencionais (Pancs).
Essa hortaliça guarda muitos presentes, segundo matéria divulgada no site da Universidade Federal de Minas Gerais. Ela é fonte de vitaminas e tem alto teor proteico, características que não se perdem nem mesmo quando a planta é desidratada. Pesquisa realizada no campus Montes Claros, em 2018, constatou que suas folhas contêm 22% de proteína bruta na matéria seca, índice considerado elevado pelo grupo que estuda a planta.
De acordo com a professora Neide Judith de Oliveira, após a desidratação, foram realizados testes de presença de sujidades, avaliação microbiológica e caracterização da composição nutricional.
“Os vegetais desidratados pelas duas vias, tanto na estufa quanto na exposição ao sol, mantiveram as principais qualidades nutricionais das folhas verdes, em termos de proteínas, minerais lipídios e carboidratos totais. Além disso, seu tempo de prateleira [expressão usada no comércio para designar a duração da vida útil de um alimento perecível] aumentou”, explica a professora. Ela destaca que a hortaliça é alternativa para substituição de proteína animal.
Segundo Neide de Oliveira, a hortaliça oferece muitos benefícios para a saúde, como a alta presença de proteínas e a presença de mucilagem, tipo de fibra que melhora o funcionamento do intestino, além de oferecer aminoácidos essenciais.
O diferencial do ora-pro-nobis em relação a outras hortaliças é o seu cultivo facilitado, pois demonstra grande tolerância à seca, característica que garante a fixação da planta na região do Norte de Minas, mesmo em períodos de escassez hídrica. Neide de Oliveira acrescenta que a hortaliça tem a vantagem de crescer em solo pobre e é multifuncional: além de alimentícia, é usada como cerca viva, serve à contenção de áreas degradadas e ainda apresenta propriedades terapêuticas.
“Um resultado importante da pesquisa é a exequibilidade da técnica, ou seja, ela pode ser executada com métodos simples na casa do produtor agrícola se ele tomar os cuidados necessários no preparo dos alimentos”, comenta a professora do ICA.
A intenção é que, a partir dos resultados do trabalho, os produtores rurais possam, após a desidratação, aproveitar o excedente da produção. A pesquisadora também acredita que, no futuro, o ora-pro-nóbis desidratado poderá ser comercializado, a exemplo de temperos e outros vegetais.
As Pancs estão com tudo
Tomatinho do mato, serralha, amora-silvestre, pitanga preta, peixinho da horta, azedinha. Essas plantas também são consideradas Pancs. No passado, estiveram nos pratos dos brasileiros, mas foram rebaixadas à categoria de ervas-daninha por um tempo. Hoje, no entanto, foram novamente elevadas ao posto de alimentos riquíssimos, que podem fazer a diferença nutricional nos pratos dos brasileiros.
Para dar uma ideia da pobreza nutricional dos nossos pratos atualmente, somente 20 espécies vegetais fornecem 90% do alimento humano do planeta, sendo que apenas três delas — trigo, milho e arroz — fornecem mais da metade, segundo o biólogo Edward Wilson, da Universidade da Harvard. Um desperdício de novos sabores e repositórios de vitaminas. E não é por falta de diversidade. Calcula-se que há mais de 10 mil espécies nativas no Brasil e que poderiam ser consumidas. Para muitos, elas são ilustres desconhecidas. Mas isso está mudando aos poucos.
“Esses alimentos foram redescobertos por chefs de cozinha e ganham um ar mais nobre. Muitos buscam inovações e as Pancs estão sendo revisitadas e valorizadas em vários pratos, com roupagem mais bonita e receitas mais sofisticadas”, explica a bióloga do Incaper, Fabiana Ruas.
Ela completa: “é importante a retomada desses alimentos. Em função da pandemia, voltamos a ter contato com a natureza e rever costumes que nossas avós tinham na roça, de usar essas plantas no dia a dia da alimentação da família. E as pesquisas mostram que são alimentos riquíssimos e nossas avós tinham razão em colocá-los nos pratos”.





