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O carnavalesco da escola de Samba Imperatriz Leopoldinense falou com exclusividade ao Mercado&Cia nesta sexta-feira. Ele explicou o enredo da escola e afirmou que “em nenhum momento a Imperatriz se colocou numa posição de agredir ao agronegócio ”. Leia mais em: Escola de samba vai criticar o agro na Sapucaí
Veja a entrevista completa com o carnavalesco Cahê Rodrigues:
Na opinião de entidades do agronegócio o enredo e a ala são um crítica ao setor, que trata de forma generalizada o setor do agronegócio como vilão na luta dos indígenas. Qual sua opinião?
Primeiramente quero agradecer o carinho e a oportunidade de explicar o grande mal entendido.
Na verdade, o enredo da imperatriz é um enredo de exaltação aos povos indígenas, sua luta pela sobrevivência e sua floresta. Em momento nenhum a Imperatriz se colocou numa posição de agredir ao agronegócio.
Nós temos uma ala fazendeiros e seus agrotóxicos e em toda a ala criada existe uma defesa que o jurado vai olhar e analisar. Na verdade, julgaram apenas a fantasia e o título da fantasia, quando na verdade a intenção não é de agredir o agronegócio. Assim como existem bons profissionais, existem maus profissionais.
Assim como tem empresas que fazem um trabalho digno e sério, existem empresas que não se preocupam com o ser humano. Então quando a gente cita o mau uso do agrotóxico é justamente fazendo uma crítica aos profissionais que não se preocupam com a água do índio, com a floresta e o ar.
A escola pretende mudar a forma de apresentar o assunto na avenida?
Não existe nenhum tipo de agressão ao meio do agronegócio, pelo contrário. No ano passado a Imperatriz fez uma exaltação à agricultura brasileira com o enredo que falou sobre os sertanejos, na ocasião fizemos uma homenagem ao Zezé di Camargo e Luciano. Falamos da vida do caipira, da lida do homem do campo, exaltamos a profissão do agricultor. O agronegócio já patrocinou grandes carnavais, inclusive de escolas campeãs aqui no Rio de Janeiro. Então, a proposta da imperatriz não é de agressão ao agronegócio, pelo contrário.
A gente levanta a bandeira para aqueles que não respeitam nossa floresta, nosso verde.
Você tocou numa ponto importante chamado patrocinador. Muitos telespectadores perguntam quem é o patrocinador e como é feita a escolha do tema que levam para a avenida?
Esse tema não tem patrocínio. A escola está fazendo Carnaval com a subvenção que recebe da Liesa [Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro], o mesmo valor que é repassado para todas as escolas. Eu sou um profissional que não gosto de polêmicas, que sempre respeito o próximo. A Imperatriz nunca entrou em polêmicas, acho que foi um grande mal-entendido. Volto a bater na tecla que a estrela principal da festa é o índio xinguano, a bandeira das causas dos índios. Nossa intenção nunca foi agredir ninguém. Pelo contrário, o enredo foi construído em cima de histórias que eles vivem e acho que teve uma má interpretação da ala e do título da fantasia. A defesa da fantasia deixa claro que não é generalizando o mercado. Pelo contrário, a gente exalta aqueles que fazem o trabalho com dignidade e seriedade. E condena o mau uso do agrotóxico, que muitas das vezes polui e contamina. A gente quis citar isso no enredo, que é algo que o índio vive e sente na pele.
Veja o vídeo completo da entrevista:
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