Mais lidas 🔥

Mudanças no clima
Fim da La Niña abre caminho para volta do El Niño em 2026

Cotações
Café, boi e hortifrúti: confira as cotações do dia 22 de abril

Desenvolvimento rural
Mais de 161 mil mudas impulsionam produção no Norte do ES

Rio Grande do Sul
Azeite brasileiro atinge nota máxima e é eleito o melhor do mundo em concurso na Suíça

El Niño muito forte já entra no radar das agências meteorológicas para 2026 e 2027

O município de Ipanema, em Minas Gerais, tem apostado na combinação entre turismo sustentável, agroindústria familiar e identidade territorial para ampliar sua visibilidade e fortalecer a economia local. A estratégia foi destacada pelo prefeito Júlio Fontoura, em entrevista à editora da Conexão Safra, Kátia Quedevez, durante o encontro “Eu Sou do Doce”, realizado neste fim de semana em Caratinga, em celebração aos 21 anos do Fórum das Águas do Rio Doce.
Nascido e criado em Ipanema, Fontoura está no quarto mandato como prefeito e afirma que o desenvolvimento da cidade passou a ser planejado com foco em qualidade de vida, sustentabilidade e valorização das vocações locais. Segundo ele, o município não possui grandes indústrias, o que levou a gestão a buscar alternativas ligadas ao turismo e à produção agropecuária.
“Eu sou nascido em Ipanema, sou criado ali, correndo descalço. Conheci cada canto da minha cidade e tenho um amor muito especial pela minha terra. A gente tem essa preocupação em estar trazendo desenvolvimento. Mas desenvolvimento de uma forma sustentável”, afirmou.
A principal vitrine dessa estratégia é a Festa do Queijo, evento que consolidou Ipanema como a “terra do maior queijo do mundo” e, mais recentemente, como a “Terra dos Gigantes da Gastronomia Mineira”. De acordo com o prefeito, a iniciativa surgiu como forma de dar identidade ao município, conhecido até então por ser confundido com o bairro carioca de mesmo nome.
A primeira grande marca foi a produção do maior queijo do mundo. Depois vieram outros recordes, como o maior doce de leite, a maior queimadinha, o maior pão de queijo, a maior mussarela, a maior paella mineira e o maior frango com quiabo. Ao todo, segundo Fontoura, foram sete recordes e cerca de 7,5 toneladas de alimentos distribuídos durante a festa.
A iniciativa, segundo o prefeito, tem papel estratégico. “O recorde não traz dinheiro, estar no livro dos recordes não traz dinheiro, mas é uma estratégia para trazer turismo. Trouxemos turismo, nosso turismo cresceu”, disse.
O impacto aparece na estrutura da cidade. De acordo com Fontoura, Ipanema passou de três para nove hotéis e registra 100% de ocupação da rede hoteleira durante a Festa do Queijo, considerada o maior evento do município e um dos principais de Minas Gerais.
Além da visibilidade, a proposta busca agregar valor à produção local. Ipanema é uma bacia leiteira, com laticínios fortes, produção de queijos, iogurtes, doces de leite e outros derivados. Para o prefeito, transformar esses produtos em símbolos turísticos ajuda a fortalecer o pequeno produtor rural e a agricultura familiar em um momento de dificuldade para a pecuária leiteira.
“Ao mesmo tempo, agregamos valor ao nosso produto. Então, nossos queijos, doces e iogurtes ficaram famosos. Isso agregou valor ao nosso pequeno produtor rural, à nossa agricultura familiar”, afirmou.
Fontoura destacou ainda ações voltadas à melhoria genética do rebanho, ao manejo do leite e ao beneficiamento de produtos nas propriedades. Segundo ele, a possibilidade de produzir queijos, doces e derivados pode gerar renda extra para famílias rurais, especialmente por meio da feira da agricultura familiar e do mercado municipal.
O mercado, segundo o prefeito, também passou a integrar a identidade turística de Ipanema. O espaço recebe o concurso de queijo artesanal durante a Festa do Queijo e ganhou uma marca visual ligada ao produto: um queijo em formato de coração. A cidade também conta com portal temático, letreiros e pontos instagramáveis voltados à cultura do queijo.
“Hoje o turista quer visitar a cidade, quer levar para casa o queijo, quer levar o doce, mas quer levar também uma foto de lembrança para postar na rede social”, afirmou.
A estratégia também reforçou o sentimento de pertencimento dos moradores, segundo o prefeito. Ele afirma que o ipanemense passou a se apresentar com orgulho como morador da cidade do maior queijo do mundo. Para Fontoura, essa apropriação da marca local é parte essencial do projeto de desenvolvimento.
“O ipanemense hoje tem muito orgulho de pertencer a Ipanema. Quando você pergunta de onde ele é, ele fala: ‘sou da cidade do maior queijo do mundo’. Virou uma marca, e isso traz orgulho ao produtor”, disse.
A visibilidade alcançada levou Ipanema a programas de televisão nacionais e atraiu influenciadores para a cobertura dos eventos. O município também participou de uma ação em Belo Horizonte ligada ao reconhecimento do Queijo Minas Artesanal como patrimônio imaterial, quando produziu um queijo gigante para ser partido na Pampulha.
Além do turismo gastronômico, Fontoura defende que o desenvolvimento de Ipanema passa pela melhoria dos serviços públicos. Ele citou investimentos em saúde, educação, praças e infraestrutura urbana. Um dos exemplos mais curiosos é um banheiro público instalado em uma praça da cidade, com estrutura espelhada, ar-condicionado, teto solar e wi-fi, que viralizou nas redes sociais e se tornou ponto turístico.
Para o prefeito, obras públicas bem executadas ajudam a fortalecer o cuidado da população com os espaços coletivos. “Dinheiro público é dinheiro do povo. Então, não vamos estragar, porque senão a gente vai ter que consertar, e aquele dinheiro poderia ser utilizado em áreas essenciais, como saúde e educação”, afirmou.




