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*Matéria publicada originalmente em 11/08/2020
Produtividade com baixo custo de produção e sustentabilidade. Que agricultor familiar capixaba em tempos atuais não gostaria de reunir esses fatores para alavancar os negócios no campo?
A boa notícia: isso já é possível para quem cultiva banana da terra. Uma pesquisa que titulou a doutora em Produção Vegetal Marjorie Spadeto, pelo Programa de Pós-graduação em Produção Vegetal do Centro de Ciências Agrárias e Engenharias da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), comprovouo aumento da produtividade da bananeira da terra com o uso do efluente da suinocultura. A tese da engenheira agrônoma e pesquisadora foi defendida em junho e será publicada em breve numa revista científica.
Segundo Marjorie, dentre os diversos fatores que influenciam na produção da bananeira, a nutrição é decisiva para obtenção de alta produtividade, uma vez que as plantas apresentam crescimento rápido e acumulam quantidades elevadas de nutrientes, a exemplo do nitrogênio e do potássio, este último importante para o incremento da biomassa.
A média de produtividade da banana da terra chegou a 62 toneladas por hectare, superior à relatada em pesquisas na área. Além disso, o peso do cacho aumentou em torno de 64% comparando a menor dose de potássio no efluente (200 kg) com a maior dose (600 kg), aplicada 15 vezes por hectare/ano.
“A aplicação do potássio influencia positivamente no número de frutos por cacho e no peso da penca e, por consequência, na produtividade. Na menor dose do efluente de suinocultura, atingimos uma produtividade média superior a encontradas em pesquisas e relatadas em literatura sobre banana da terra ”, afirma a doutora.

O diferencial dos resultados consolidados pela pesquisa acadêmica está no parcelamento da aplicação do dejeto líquido suíno no solo e no manejo respeitando a curva de absorção de cada nutriente necessário para o desenvolvimento da bananeira da terra. Ou seja, a planta só recebeu nutrientes na quantidade certa e quando necessitou deles.
Ao citar a curva de absorção, a pesquisadora explica que a aplicação do material orgânico na bananeira da terra tomou por base o seu estágio fenológico. Em linhas gerais, é a observação das diferentes fases do crescimento e desenvolvimento das plantas, não se atentando somente à análise do solo.
Baixo custo e sustentabilidade
A doutora em Produção Vegetal Marjorie Spadeto ressalta a importância da bananicultura para a agricultura familiar do Espírito Santo e a necessidade de os produtores rurais baratearem os custos na propriedade a partir do uso do efluente da suinocultura como fertilizante.
“O que encarece os cultivos são os insumos agrícolas, por isso o uso do efluente se apresenta como opção viável, principalmente em pequenas propriedades com criação de porcos em chiqueiro. A ideia é tornar solução aquilo que era problema no quintal, promovendo uma gestão ambiental mais correta na propriedade ”, salienta a doutora.
Antes de ser aplicado na plantação, o dejeto líquido do chiqueiro passou por um sistema de tratamento com três etapas. A primeira foi o gradeamento (para retenção dos sólidos mais grosseiros), a segunda foi o decantador e, por fim, a lagoa de estabilização. O processo é importante para tornar os nutrientes disponíveis, ou seja, mineralizados, para absorção pelas plantas.
Outra boa notícia é que a utilização do efluente de suinocultura na bananeira da terra é uma prática ambientalmente correta. A pesquisa revelou que o uso do dejeto líquido não causou malefícios ao solo, tampouco ao lençol freático, num período de dois anos.







