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Safra urbana: os alimentos que nascem na metrópole

Com cerca de 2 milhões de habitantes, a região metropolitana do Espírito Santo não é formada apenas por consumidores de alimentos. Confira primeira parte da reportagem especial!

Do alto das lavouras de banana orgânica, o produtor Rafael Ribeiro (Cariacica) tem a visão da capital do Estado. (*Foto: Leandro Fidelis/Conexão Safra)

Matéria publicada originalmente 10/06/2021

Olhando assim a Ilha de Vitória com tantas opções de praias, edifícios residenciais, shoppings e outros prédios comerciais, fica difícil imaginar que perto desse movimento tão cosmopolita existe zona rural com destaque até continental. Não é exagero. Sem a pujança da agropecuária do interior do Estado, a região metropolitana do Espírito Santo- com cerca de 2 milhões de habitantes- não é formada apenas por consumidores de alimentos. Segundo dados de 2020 do Programa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Proater), do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper), 2.786 estabelecimentos comandados por produtores da Grande Vitória também levam comida à mesa dos capixabas.

Criada em 1995 pela Lei Complementar Estadual nº 58/95, a Região Metropolitana da Grande Vitória (RMGV) é composta por sete municípios (Cariacica, Fundão, Guarapari, Serra, Viana, Vila Velha e Vitória), com área de 2.331 km² e população rural de 28.697 pessoas. Entre 2008 e 2018, a capital capixaba passou a integrar o grupo de 15 metrópoles brasileiras, revelou pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Do território total, englobando os sete municípios, 835,72 km² (quase 36%) são áreas onde agricultores familiares ou não exercem atividades ligadas ao agronegócio. São exemplos: bananicultura, olericultura, horticultura, citricultura, cana-de-açúcar, pecuária leiteira e fruticultura diversificada, inclusive orgânica.

Ao cruzar as movimentadas vias da região mais populosa do Espírito Santo (49,25% dos habitantes do Estado, segundo o IBGE em 2019), parece impossível conhecer a relevância da Grande Vitória em algumas atividades agropecuárias. Enquanto Cariacica conta com a maior área de produção da banana orgânica da América Latina, Guarapari será o primeiro município capixaba de clima quente a colher uva este ano. Por sua vez, Viana quer se tornar a “Capital dos Orgânicos no Espírito Santo”, como veremos nos próximos dias nesta série de reportagens especiais.

De acordo com o Proater, a Grande Vitória conta com 1.937 estabelecimentos de agricultura familiar, 71 organizações rurais, entre associações e cooperativas, além de 182 agroindústrias familiares (Confira gráfico abaixo). Vale destacar ainda a representatividade dos municípios metropolitanos no agro capixaba. Dados relativos a 2019 e divulgados no nosso “Anuário 2020” mostram Fundão líder na produção de mel (12,11%) e Guarapari como segundo município na produção de látex, com 13,93%. No mesmo ranking, Serra aparece em terceiro lugar (10,56%) na cultura da seringueira.

O coordenador do Centro Regional de Desenvolvimento Rural (CRDR) Metropolitano do Incaper, Luiz Carlos Bricalli, destaca o diferencial do movimento agro da Grande Vitória.

“A região metropolitana é onde está localizada a Ceasa, o principal entreposto de distribuição dos produtos agropecuários que irão abastecer a extensa rede de supermercados. Ao mesmo tempo, inúmeras feiras livres acontecem todos os dias, proporcionando a oferta de alimentos frescos e de qualidade para os consumidores. Os próprios municípios metropolitanos fornecem uma produção diversificada, com destaque para as agroindústrias artesanais de derivados de leite, polpa de frutas e panificação”, diz.

*Divulgação

O presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Espírito Santo (Faes), Júlio Rocha, acredita numa aproximação entre o urbano e o rural na troca de experiências e na geração de oportunidades.

“Há uma necessidade imperiosa dos setores urbano e agro se aproximarem e se conhecerem mais. Existe um nicho amplo que pode ser colocado em prática. Por exemplo, as prefeituras podem fazer comodato com lotes para aliviar imposto e concessão para hortas comunitárias e intensificar um trabalho com detentos para que possam produzir alimentos, como já fizemos com auxílio do Senar (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) em Viana”.

E para Rocha, não é preciso morar no interior das grandes cidades para viver um pouco do agro, uma experiência potencializada pelos urbanos na quarentena desta pandemia.

“Para quem mora em apartamento é possível desenvolver produções de hortaliças e plantas ornamentais em vasos e também hidropônicos. Já em pequenas áreas há também a oportunidade de criar animais de pequeno porte, claro que utilizando produção sustentável para ensejar o consumidor uma noção exata de segurança alimentar. O que para muitos nessa pandemia virou terapia, pode se transformar em lucro”, finaliza o presidente da Faes.

*Fonte: Proater Metropolitano (2020-2023)- Incaper

 

Sobre o autor Leandro Fidelis Formado em Comunicação Social desde 2004, Leandro Fidelis é um jornalista com forte especialização no agronegócio, no cooperativismo e na cobertura aprofundada do interior capixaba. Sua trajetória é marcada pela excelência e reconhecimento, acumulando mais de 25 prêmios de jornalismo, incluindo a conquista inédita do IFAJ Star Prize 2025 para um jornalista agro brasileiro. Com experiência versátil, ele construiu sua carreira atuando em diferentes plataformas, como redações tradicionais, rádio, além de desempenhar funções estratégicas em assessoria de imprensa e projetos de comunicação pública e institucional. Ver mais conteúdos