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*Matéria publicada originalmente em 24/03/2022
Clima favorável, ausência de predadores e alimento disponível. A junção de todos esses fatores tem favorecido o aumento da população do caramujo-africano nos municípios do norte do Espírito Santo, e preocupa os produtores. A infestação acontece em plantações de café, pimenta-do-reino e mamão.
“Essa praga é favorecida por alta umidade e excesso de matéria orgânica. Tivemos um excesso de chuva de outubro até agora e esse aumento da chuva fez também aumentar a matéria orgânica, o que favorece o desenvolvimento do caramujo-africano. Ausência de predadores e alimento disponível, isso tudo favoreceu para que essa população aumentasse muito”, explica Renan Queiroz, doutor em entomologia e pesquisador do Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper).
O engenheiro agrônomo Marcilei Soares, que atua em São Mateus e Jaguaré, afirma que, além desses dois municípios, produtores de Vila Valério e Sooretama, também estão se queixando do problema. A maior preocupação no momento, segundo Marcilei, é a colheita de café que se aproxima. “Já estamos próximos da colheita e esse bicho é nojento, as fezes dele nos grãos de café, quando levadas para o secador, catingam. Além disso, temos o risco de doenças, não sabemos se pode ocorrer alguma contaminação”, destaca o agrônomo.
Para os produtores de mamão, o diretor executivo da Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Papaya (Brapex), José Roberto Macedo Fontes, afirma que, no caso do mamão, o mais preocupante, além do prejuízo pelas perdas com as frutas, são as doenças que podem ser veiculadas através do mamão.

“Sem dúvida nenhuma causa prejuízo, porque o caramujo come parte do mamão e ele é descartado, para exportação então nem pensar. Agora o principal, e mais preocupante são doenças que podem ser veiculadas através do mamão e transmitir doenças, por isso os frutos de exportação precisam ser higienizados e lavados”, destaca Fontes.
Combate
Para Renan, a única coisa a se fazer são as medidas de controle. “Não tem o que fazer, pois não tem inimigo natural e clima favorável. São duas coisas que a gente não consegue controlar. O único método é fazer o controle. Se tivermos uma situação agora de diminuição de chuvas e, consequentemente, umidade, a população tenderá a diminuir”, pontua o pesquisador.
Caramujo-africano
O caramujo-africano foi introduzido no Brasil na década de 1980, com o objetivo de ser utilizado na culinária, como uma alternativa ao caracol escargot. Porém, por causa da pouca aceitação no mercado e com o alto desenvolvimento da praga, devido à falta de inimigos naturais e ao clima favorável para a sua reprodução, até os dias de hoje o caramujo-africano prejudica as lavouras capixabas, uma vez que se alimenta de culturas economicamente importantes para o Estado e para os agricultores.





