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Matéria publicada originalmente 08/02/2022
O Espírito Santo tornou-se, em 2018, o maior produtor de pimenta-do-reino do país, superando o Pará. Os dados são da última Pesquisa Agrícola Municipal (PAM), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2020, a produção foi de 67.594 mil toneladas, segundo dados do IBGE elaborados pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) em uma área colhida de 17.100 hectares. São Mateus, no Norte do Estado, é o maior produtor capixaba da especiaria.
O engenheiro agrônomo com Mestrado em Agricultura Tropical Welington Secundino afirma que, apesar de ter chegado ao Estado ainda na década de 1950, só em 2003, com a criação do Plano Estratégico de Desenvolvimento da Agricultura Capixaba (Pedeag), a pipericultura ganhou força e se expandiu no Espírito Santo.
“Só depois disso a pipericultura começou a receber incentivos para expandir os recursos técnicos e financeiros, implementar o Programa Estadual de Pipericultura e ampliar as atividades de assistência técnica, financiamento, gestão associativa e cooperada”, destaca Secundino, que na época coordenou o programa.
A partir daí foram criados a Cooperativa dos Produtores Agropecuários da Bacia do Cricaré (Coopbac), o Comitê Gestor Estadual da Pipericultura, a Associação Capixaba dos Exportadores de Pimenta e Especiarias, o edital de pesquisa pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Espírito Santo (Fapes), com recursos exclusivos para a pimenta, e instalado o Centro Universitário do Norte do Espírito Santo (Ceunes/Ufes), contemplado com um curso de agronomia e, posteriormente, mestrado em Agricultura Tropical, com inúmeras pesquisas relacionadas à pimenta.
“Com tudo isso acontecendo, as instituições voltaram a financiar a atividade em grande escala, principalmente via Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), surgiram novos e modernos viveiros de produção de mudas e o Incaper passou a promover cursos, encontros, reuniões e palestras em praticamente quase todos os municípios do Estado, divulgando as vantagens da cultura”, diz Welington.
A estiagem foi outro importante acontecimento para o Espírito Santo alcançar o posto de maior produtor de pimenta-do-reino. “A grande estiagem de 2014 a 2016 também influenciou. Os produtores verificaram que a pimenta é mais rústica do que o café conilon, suportando melhor o estresse e ainda usando muito menos defensivos. A partir desse período, a pimenta passou a ser uma segunda cultura quase obrigatória para as pequenas propriedades, juntamente com o café”, avalia o especialista.
Além de todo trabalho feito para o desenvolvimento da pipericultura, o diretor administrativo da Coopbac, Erasmo Negris, pontua alguns motivos que, para ele, ajudaram o Estado a chegar à atual posição no ranking nacional, entre eles o preço.
“O Espírito Santo possui uma localização estrategicamente favorável ao cultivo da pimenta-do-reino, pelo clima tropical atlântico e o posicionamento entre as linhas do Equador e do Trópico de Capricórnio. Essa faixa, em nível global, contempla geograficamente a concentração mundial de especiarias. A localização, aliada ao espírito empreendedor do agricultor capixaba, transformou a cultura da pimenta-do-reino, antes regionalizada, em uma atividade agrícola praticada em vários municípios do Estado. Sem contar o incentivo do preço, principalmente entre 2014 e 2016, quando o quilo da pimenta chegou a dez dólares e o número de novos pipericultores aumentou freneticamente”, destaca Negris.
Inclusivo e sustentável
Para Erasmo, a pipericultura é uma atividade inclusiva e sustentável, e a previsão é que o mercado da pimenta-do-reino se mantenha em alta. “A produção de pimenta é uma atividade extremamente inclusiva, pois valoriza jovens e mulheres que atuam na atividade laboral, traz renda ao produtor e é extremamente sustentável quanto ao meio ambiente. Embora o custo de implantação seja extremamente alto, o mercado tende a manter-se firme”.





