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Chance de El Niño em 2026 aumenta e já chega a 62%, dizem modelos

O padrão climático do Brasil para os próximos meses deve fugir do comportamento típico da estação fria. Projeções da Ampere Consultoria indicam um cenário de mais chuva no Sul, tempo mais seco no Norte e temperaturas acima da média em grande parte do Centro-Sul ao longo do outono e do inverno de 2026.
A análise aponta para a consolidação de um novo ciclo climático no Oceano Pacífico, com avanço das condições de El Niño. Segundo o meteorologista sênior da Ampere Consultoria, Bruno César Capucin, a possibilidade do fenômeno já vinha sendo indicada desde o inverno de 2025 e, agora, os modelos reforçam essa tendência.
As anomalias de temperatura da superfície do mar já são positivas na costa oeste da América do Sul e na região Niño 1+2. Modelos climáticos indicam que esse aquecimento deve se expandir pelo Pacífico Equatorial nos próximos meses, podendo atingir os limiares de El Niño a partir de maio.
Na prática, isso começa a alterar o padrão de chuva e temperatura no Brasil ainda durante o outono, com efeitos mais perceptíveis no trimestre de maio, junho e julho.
Para o Sul do país, a tendência é de chuvas acima da média, com aumento do risco de episódios intensos e tempestades. Esse cenário está associado ao fortalecimento de sistemas atmosféricos que favorecem a formação de frentes mais persistentes na região.
Ao mesmo tempo, o extremo Norte do Brasil deve enfrentar condições mais secas, ampliando o contraste climático entre as regiões. Esse tipo de configuração é comum em períodos de El Niño, quando a circulação atmosférica global se reorganiza.
No Centro-Sul, o destaque não será apenas a chuva em algumas áreas, mas principalmente o comportamento das temperaturas. A expectativa é de um período mais quente que o normal, com menor frequência de ondas de frio.
Esse padrão está ligado ao aumento da atuação de ventos vindos do norte do continente, que dificultam a entrada de massas de ar frio. Como consequência, episódios típicos de frio mais intenso tendem a ser menos frequentes.
Outro efeito esperado são os chamados veranicos, períodos de vários dias seguidos com tempo seco e temperaturas elevadas, mesmo durante a estação fria. Esses eventos podem impactar diretamente a agricultura e o abastecimento de água em algumas regiões.
A combinação de mais chuva no Sul, calor no Centro-Sul e seca no Norte aumenta o risco de eventos climáticos extremos. Entre eles estão chuvas intensas, tempestades severas e períodos prolongados de calor fora de época.
Os padrões atmosféricos que sustentam esse cenário envolvem mudanças na circulação global, incluindo maior atividade de chuvas no Pacífico Equatorial. Isso fortalece correntes de vento em altitude e sistemas de pressão que influenciam diretamente o clima da América do Sul.
Além disso, a atuação mais intensa de sistemas de alta pressão no Atlântico pode contribuir para a formação de frentes frias mais lentas e persistentes, aumentando o volume de chuva em determinadas regiões.
Apesar da tendência atual indicar um El Niño de intensidade fraca a moderada, há possibilidade de evolução para um evento mais forte ao longo da primavera. Esse período costuma concentrar o pico do fenômeno, com impactos mais amplos sobre o clima global.
O cenário reforça a necessidade de atenção nos próximos meses, especialmente em setores sensíveis ao clima, como agricultura, energia e gestão de recursos hídricos.





