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A pecuária desempenha um papel crucial na economia brasileira, sendo uma das principais fontes de produção de carne e leite. No entanto, o país enfrenta desafios significativos relacionados à escassez de água, queda de temperatura e menor incidência de luz durante o período da seca, o que impacta diretamente a disponibilidade de pasto para o gado. Nesse contexto, a implementação de estratégias de alimentação adequadas se torna fundamental para garantir o bem-estar dos animais e a sustentabilidade da atividade pecuária. Uma das principais estratégias adotadas pelos pecuaristas durante a seca é o armazenamento de alimentos. Isso inclui a produção e conservação de silagem e feno que são formas de forragem processada e desidratada, respectivamente.
Esses alimentos armazenados fornecem uma fonte de nutrientes essenciais durante os períodos em que a pastagem está escassa. Estudos demonstram que a utilização de silagem e feno pode contribuir significativamente para manter o desempenho produtivo do gado durante a estação seca (Correa et al., 2018). Além do armazenamento de alimentos, a suplementação nutricional também desempenha um papel importante na dieta do gado durante a seca. Suplementos concentrados com adição de farelo de soja, farelo de milho e ureia, são frequentemente utilizados para complementar a dieta dos animais, fornecendo proteínas e energia adicionais. A escolha dos suplementos deve levar em consideração as necessidades específicas do rebanho, bem como a disponibilidade e os preços dos insumos no mercado (Paulino et al., 2019).
Outra estratégia relevante é a adoção de sistemas de pastejo rotacionado, que permitem melhor gerenciamento dos recursos forrageiros disponíveis. Ao dividir as áreas de pastagem em piquetes e controlar o acesso dos animais a esses piquetes de forma rotativa, é possível otimizar o aproveitamento da forragem e reduzir o impacto da seca na produtividade do gado. Estudos mostram que o pastejo rotacionado pode aumentar a produção de carne e leite por hectare, mesmo em condições de estresse hídrico (Silva et al., 2020).Além das estratégias mencionadas, é fundamental que os pecuaristas estejam atentos à gestão hídrica e ao manejo adequado dos recursos naturais, visando a conservação do solo e da água.
A implementação de práticas de conservação ambiental, como isolamento de nascentes, pequenas barragens, plantio de árvores em áreas de descanso, pode contribuir para a resiliência do sistema produtivo diante das adversidades climáticas. Em suma, a adoção de estratégias de alimentação adequadas é essencial para garantir a sustentabilidade da pecuária durante o período da seca no Brasil. O armazenamento de alimentos, a suplementação nutricional, manejo de pasto correto, e a conservação ambiental são algumas das medidas que podem ser adotadas pelos pecuaristas para mitigar os impactos da escassez de água e garantir o bem-estar e a produtividade do gado. Lembrando que consultar um profissional da área é importante para definição da estratégia correta.

Foto: divulgação
Renata Erler é zootecnista, fundadora da GO On Agro Consultoria Agropecuária, especialista em gestão pecuária 360º.




