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O Governo do Estado de São Paulo lançou um edital inédito para incentivar a conservação da araucária, espécie ameaçada de extinção e também conhecida como pinheiro-brasileiro. A iniciativa prevê pagamentos de até R$ 36 mil por produtor rural e de até R$ 250 mil para organizações que atuem na preservação da espécie, na restauração ambiental e no fortalecimento da cadeia produtiva do pinhão.
O Pagamento por Serviços Ambientais Araucária (PSA Araucária) é conduzido pela Fundação Florestal, vinculada à Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil). O lançamento ocorreu em Cunha, no Vale do Paraíba, durante a 16ª Exposição do Pinheiro Brasileiro, em uma região reconhecida pela produção de pinhão.
A proposta é estimular produtores rurais e organizações da sociedade civil a desenvolver ações de conservação, plantio de mudas, restauração de áreas de preservação permanente, implantação de pomares e uso sustentável dos recursos naturais. O programa também busca gerar renda para comunidades locais por meio da bioeconomia ligada ao pinhão.
“Este edital reforça o compromisso do Governo de São Paulo com soluções inovadoras de conservação, que integram proteção ambiental, desenvolvimento sustentável e geram valor de mercado e renda no território”, destacou Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo.
Cunha concentra mais de 95% da coleta de pinhão no estado e foi escolhida para receber o projeto-piloto na Zona de Amortecimento do Parque Estadual da Serra do Mar, no Núcleo Cunha. Entre 2023 e 2025, produtores da região coletaram mais de 1.100 toneladas de sementes. Para 2026, a estimativa é de colheita superior a 368 toneladas.
A coleta do pinhão pode ser feita de forma sustentável e representa uma importante fonte de renda para famílias da região. Já o corte da araucária é altamente restrito, em razão do histórico de exploração excessiva e não sustentável da espécie.
Produtor rural em Cunha, Ademar Monteiro colhe pinhão desde a época de seu pai e afirma que a atividade sustenta famílias há gerações. Segundo ele, o projeto pode ajudar a estimular o plantio e a conservação das árvores.
“O projeto vai ser bom, porque o pinhão tem muito valor na nossa região. O problema é a mão de obra; as árvores envelhecem e é preciso estimular o plantio”, afirmou Monteiro.
Também moradora de Cunha, Euza Monteiro, de 73 anos, reforçou a importância da preservação da espécie para garantir a continuidade da produção.
“Se a gente arrumar tudo direitinho, é uma coisa boa, porque daqui a pouco não tem pinhão. Se não plantar e não cuidar, vai acabar — e já está acabando. Agora que está tendo o projeto, é plantar para colher”, disse.
Podem participar do edital produtores rurais, com foco em agricultores familiares e pequenos produtores, além de organizações sem fins lucrativos que atuem na conservação da araucária e na cadeia do pinhão. No caso das organizações, é necessário ter ao menos 12 meses de existência antes da publicação do edital e atuação comprovada na conservação da espécie em Cunha.
Para os produtores rurais, o processo exige manifestação de interesse, documentos pessoais, conta no Banco do Brasil em nome do inscrito, declaração da gestão do Parque Estadual da Serra do Mar — Núcleo Cunha, Cadastro Nacional da Agricultura Familiar, quando houver, imóvel inscrito no Cadastro Ambiental Rural e comprovação de vínculo documental com a área.
O PSA Araucária integra o Pró-Araucária, programa estruturado pela Fundação Florestal em 2025. A iniciativa atua em seis eixos: restauração ecológica, fortalecimento da cadeia socioprodutiva do pinhão, capacitação técnica, certificação e rastreabilidade de produtos florestais, valorização da identidade territorial e educação ambiental, com incentivo à pesquisa e à inovação.




