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Quando o assunto é mudanças climáticas, em 2025 os olhos do mundo estão voltados pra o Brasil, que em novembro será sede da COP30 – a maior conferência climática do mundo, organizada pela Organização das Nações Unidas (ONU). Antes do evento, que será realizado em Belém do Pará, a Capital capixaba sediará a Conferência Sustentabilidade Brasil 2025.
Realizada pelo Instituto Sustentabilidade Brasil (ISB), a conferência acontece de 11 a 14 de junho, na Praça do Papa, em Vitória. Com programação gratuita e aberta ao público, o evento reúne 120 especialistas em 40 painéis organizados em 13 trilhas temáticas. Idealizada sob a liderança de Daniela Klein, diretora do ISB e coordenadora da curadoria técnica, a conferência foi estruturada para responder a uma pergunta central: qual a solução prática para a transformação?
O agronegócio está no centro desse debate e a trilha do setor foi concebida para evidenciar os inúmeros avanços da sustentabilidade nas cadeias produtivas nacionais, mas sem deixar de abordar os muitos desafios ainda a superar. Ao longo de cinco painéis conectados a trilhas horizontais como Economia Azul, Competitividade, Inovação e Comunicação, a proposta é ampliar o campo do debate, sem ignorar os impactos das mudanças climáticas e das mudanças de comportamento dos consumidores no setor agroalimentar.
Segundo Daniela Klein, a construção dessa trilha reflete a intenção de reunir especialistas com visões complementares, capazes de discutir desde a tecnologia aplicada ao campo até as disputas por imagem e narrativa que afetam a reputação internacional do agro brasileiro.

“Há muita polarização quando se fala de agro e clima, mas a verdade é que é o setor que tem capacidade de reduzir emissões e sequestrar carbono adicional, auxiliando aos demais. Será um espaço rico para evidenciar os avanços que o setor tem feito, sem deixar de abordar os desafios que as mudanças climáticas impõem e as oportunidades de contribuição para gerar prosperidade no rural”, resume.
O agro na mesa das decisões
A trilha agronegócio foi desenhada com o apoio técnico da Secretaria de Estado da Agricultura do Espírito Santo (Seag) e promove uma abordagem transversal, cruzando com cinco outras trilhas temáticas da conferência. A proposta é evidenciar como a sustentabilidade no campo não depende apenas de tecnologia, mas de articulação política, consumo consciente, justiça territorial e comunicação qualificada.
Para o subsecretário de Desenvolvimento Rural do Espírito Santo e co-curador da trilha, Michel Tesch, a inclusão do agro no centro do debate climático é uma oportunidade de qualificar a discussão com base em dados e experiências reais.

“Existe uma percepção equivocada sobre a relação entre agropecuária e clima. O principal fator de emissões no Brasil é o desmatamento ilegal, não a produção agropecuária em si. Temos tecnologia disponível para produzir com eficiência, resiliência e preservando os recursos naturais. No Espírito Santo, por exemplo, já vemos resultados concretos de iniciativas que aliam produtividade e preservação”, afirma.
Ao integrar especialistas de diferentes áreas e valorizar a experiência de quem está em campo, a trilha propõe uma discussão mais técnica e menos polarizada sobre o papel estratégico do agro na agenda climática e na transição para uma economia de baixo carbono.
Políticas públicas, mercado e soluções regenerativas

O painel de abertura, “O Agronegócio Brasileiro e os Desafios da COP30”, reúne três nomes que refletem diferentes eixos de influência no setor: a gestão pública, por meio de Enio Bergoli, secretário de Agricultura do Espírito Santo; a formulação estratégica nacional, com Marcello Brito, coordenador do Consórcio Amazônia Legal e voz reconhecida na interface entre produção e conservação; e o empreendedorismo sustentável, representado por Mariana Caetano, agroambientalista que atua com inovação baseada na natureza. A composição permite uma leitura multifacetada dos caminhos possíveis para o agro brasileiro na agenda climática.
Agro azul: quando território e bioma se encontram
No painel “Do Campo ao Oceano. Tecnologias Marítimas e o Futuro do Agro”, que conecta a trilha com Economia Azul, o foco está na intersecção entre produção agroalimentar e os ecossistemas costeiros. A mesa reúne Roberta Garcia (Incaper), com experiência em pesca artesanal e políticas para comunidades litorâneas; Marcelo Polese (Ifes), que atua em formação técnica para a cadeia da pesca; e o professor português Sérgio Leandro, referência em governança oceânica, especialista em biodiversidade marinha e transferência tecnológica. A diversidade de experiências oferece insumos para ampliar a visão sobre agro e mar como parte da mesma equação.
Mercado, rastreabilidade e exigências globais
No painel “Sustentabilidade no centro da atenção dos consumidores de alimentos e bebidas”, os participantes trazem olhares complementares sobre como o setor agroalimentar tem respondido às novas exigências do mercado. Michel Tesch (Seag) tem atuado fortemente na formulação de políticas públicas que buscam alinhar a produção rural às tendências de consumo sustentável.
Malu Molina, líder de inteligência em governo e comércio na Euromonitor International no Brasil, garantirá foco em dados e tendências globais. Verônica Bitti (Nestlé) tem experiência na gestão de cadeias produtivas e em estratégias de rastreabilidade e sustentabilidade no campo. A composição da mesa permite discutir como o agro brasileiro pode se adaptar e se posicionar diante de um consumidor cada vez mais atento às práticas ambientais e sociais.
Inovação e tecnologias aplicadas ao campo
O painel “Tecnologias Disruptivas para o Agronegócio Sustentável” reúne experiências diversas na aplicação de soluções inovadoras ao setor agropecuário. Amanda Azevedo Bertolazie (Symbiotech) atua no desenvolvimento de bioinsumos e alternativas de base biológica para substituir práticas convencionais. Lara Line, do Ministério da Agricultura, lidera a coordenação da plataforma AgroBrasil+Sustentável, voltada à integração de dados e indicadores para políticas públicas.
Naldo Dantas, articulador de projetos entre a indústria e o campo, esteve à frente de uma iniciativa capixaba para o desenvolvimento de maquinário voltado à colheita de pimenta-do-reino. A diversidade técnica e institucional dos participantes abre espaço para discutir os desafios da inovação rural e caminhos para ampliar o acesso a tecnologias sustentáveis em diferentes escalas de produção.
Comunicação, imagem e futuro do agro
O painel “Comunicação e o Futuro Sustentável do Agro” encerra a trilha com uma discussão sobre percepção pública, reputação e estratégias de engajamento para o setor. A mesa reúne profissionais com experiências complementares: Márcio Cândido Ferreira (Cecafé), com atuação na valorização da cafeicultura brasileira nos mercados internacionais; Talita Asano, consultora ESG com foco no agro, trabalha com análise de riscos reputacionais e comunicação de práticas sustentáveis; e Eurípedes Pedrinha, do Sebrae-ES, desenvolve projetos de branding e fortalecimento de identidade territorial junto a pequenos produtores. O painel oferece um panorama amplo sobre como o agro pode aprimorar sua interlocução com diferentes públicos e consolidar narrativas mais conectadas à sustentabilidade.





