Mais lidas 🔥

Empreendedorismo no café
Empreendedor transforma Kombi em ponto de venda dos cafés de qualidade que ele mesmo produz

Dia do Agricultor
Do concreto ao cafezal: uma história de transformação no interior capixaba

Investigação
Operação prende suspeitos de fraude na comercialização de café no sul do ES

Política agrícola
Projeto cria preço mínimo para proteger produtores de cacau

28 de julho, Dia do Agricultor
O café que trouxe uma geração de volta ao sítio centenário

O Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) concedeu o registro de Indicação Geográfica (IG) de Denominação de Origem (DO) para o Café do Caparaó. A oficialização da marca foi publicada hoje, na revista do instituto, dois anos após o depósito do pedido.Esta é a primeira IG do Espírito Santo na modalidade Denominação de Origem.
O sonhado selo abrange café Coffea arábica em grãos verdes (grão cru), industrializado na condição de torrado e/ou torrado e moído, produzido na região do entorno do Pico da Bandeira, entre Espírito Santo e Minas Gerais.
A área geográfica da Denominação de Origem do Café do Caparaó envolve dez municípios capixabas e seis mineiros. Do lado do Espírito Santo temos Dores do Rio Preto, Divino de São Lourenço, Guaçuí, Alegre, Muniz Freire, Ibitirama, Iúna, Irupi, Ibatiba e São José do Calçado. Atravessando a fronteira mineira, temos: Espera Feliz, Caparaó, Alto Caparaó, Manhumirim, Alto Jequitibá, e Martins Soares.Os trabalhos tiveram início em 2014, capitaneados pelo Sebrae, Ifes (Campus Alegre), Incaper, Associação dos Produtores de Cafés Especiais do Caparaó (Apec) e prefeituras, com consultoria do Instituto Inovates.
O processo de estruturação de uma DO demanda vários documentos técnicos/científicos, projetos e estudos para comprovar a vinculação do produto daquele território específico ao meio geográfico, ao chamado “terroir ”, bem como a influência que os saberes, a cultura da região exerce sobre o produto final.
“A Indicação Geográfica demonstra todo o reconhecimento que o café do Caparaó merece. A região possui aspectos naturais e humanos que a diferenciam de outras e, assim, produz um café único e especial. Esse reconhecimento vai trazer diversos benefícios, não só para os produtores, da IG, como também para o desenvolvimento do território como um todo, seja por meio do turismo de negócios, de experiência, do agroturismo, seja por meio de outros serviços vinculados a ele, à região ”, afirma o superintendente do Sebrae/ES, Pedro Rigo.

Entre os diversos benefícios da formalização do registro, além da valorização do produto e da região, há a promoção junto ao mercado internacional. O acordo Mercosul União Europeia, por exemplo, uma vez firmado, possibilitará o reconhecimento mútuo das IG das partes envolvidas, trazendo ganhos para as IG nacionais.
Para o produtor e presidente da Apec, Jorge Araújo Santos, esse reconhecimento é um marco na cafeicultura da região e também para os produtores.
“Nós temos um produto de qualidade, com ‘terroir’ diferente, que vai conquistar ainda mais o Brasil e o mundo, como já vem conquistando seu espaço e seu lugar. Esse é um ganho para todos nós, e vai contribuir para o crescimento da região. Desde 2014 trabalhamos para conquistar esse reconhecimento e chegou esse dia tão esperado. Estamos muitos felizes com essa conquista ”, afirmou Jorge Araújo. A APEC é a representante dos produtores locais junto ao INPI e responsável pela gestão desta Identidade Geográfica.

O extensionista do Escritório Local de Desenvolvimento Rural (ELDR) do Incaper de Guaçuí, Maxwell Assis, participou do processo de solicitação da IG para o café do Caparaó. O Incaper trabalha para a melhoria da qualidade do café arábica na Região do Caparaó há mais de 15 anos. O engenheiro agrícola explicou que “o reconhecimento da IG é uma conquista do trabalho construído por diversas mãos ”, como a dos cafeicultores que compõem a APEC e outros parceiros institucionais e privados. A demanda pelo selo da IG, segundo o extensionista, nasceu pelos cafeicultores da Apec em 2014.
“Os cafés especiais produzidos no Caparaó têm qualidade diferenciada. São produzidos pela agricultura familiar, com respeito ao meio ambiente e diversos requisitos técnicos e selo abraça todas essas questões. Essa conquista é muito relevante e tem um caráter de diferenciação. Ressalto a importância de uma ação coletiva que nasceu na base dos cafeicultores”, disse.
Um dos objetivos do registro é referendar os requisitos técnicos da produção do café arábica. As instituições como o Incaper fazem parte do conselho regulador, que irá atuar no pedido do selo, nos processos técnicos e em vistorias e auditorias nas propriedades para definir se os critérios técnicos de produção são atendidos.
“A conquista da IG para os cafés arábica produzidos na Região do Caparaó é um marco para o Espírito Santo e para a cafeicultura capixaba. É mais um reconhecimento da qualidade dos nossos cafés e do trabalho árduo dos cafeicultores para a produção de cafés especiais. Esse registro é ainda uma confirmação do trabalho exemplar do Incaper desempenhado há anos para o melhoramento do café no sul do Estado ”, destacou o diretor-presidente do Incaper, Antônio Machado.

O secretário de Estado da Agricultura (Seag), Paulo Foletto falou sobre o importante momento para a cafeicultura capixaba. “O café do Caparaó mostra sua força e se diferencia de outras regiões do Brasil e do mundo. Prova disso é o reconhecimento através das premiações ao longo dos anos. É também a valorização do produtor rural que trabalha para melhorar cada vez mais a qualidade dos grãos ”, pontuou o secretário.
“O reconhecimento é uma conquista para os produtores e uma possibilidade de agregar valor para o produto e a região, promovendo o desenvolvimento rural e a sustentabilidade ”, ressalta a coordenadora de Indicação Geográfica de Produtos Agropecuários do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Débora Gomide Santiago.
O projeto para a Denominação de Origem do Café do Caparaó não é o único envolvendo os cafés capixabas. O Conilon ES e as Montanhas Capixabas também reivindicam o selo da Indicação Geográfica e avançam nas etapas exigidas para obter a certificação.
*Com informações adicionais do Sebrae/ES/Incaper e Mapa






