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Com potencial para exportar e compradores internacionais interessados no cacau produzido no Espírito Santo, a Associação dos Cacauicultores do Espírito Santo (Acau) fez o dever de casa. A entidade buscou as certificações e os cursos necessários e está apta para atender ao comércio exterior.
A preparação para a exportação veio, justamente, da crescente demanda internacional pelas amêndoas capixabas. É o que afirma o secretário-executivo da Acau, André Luís Carvalho Scarpini.

“Nós somos procurados por compradores da França, Itália, Bélgica, Holanda e Rússia. Existem interessados na China e em Cingapura. Já fizemos, inclusive, rodadas de negócio com um comprador da Geórgia e da Bielorrússia. Então, nós temos a procura, por isso nos preparamos”, conta o secretário.
Agora, a Acau se prepara para atender às rigorosas exigências do mercado europeu. A legislação europeia European Union Deforestation Regulation (EUDR), aprovada em 2023 e com previsão de entrar em vigor em 30 de dezembro deste ano, estabelece critérios para a importação de produtos agropecuários pela União Europeia.
Os requisitos da EUDR são semelhantes para diferentes cadeias agropecuárias, mas o cacau apresenta uma particularidade que exige atenção especial: o sistema de cultivo conhecido como cabruca. Atualmente, estima-se que 80% do cacau produzido no estado esteja nesse sistema.
“Trata-se de um modelo tradicional, que só acontece no Brasil, em que o cacau é plantado sob a sombra da mata nativa. A legislação prevê controle contínuo e verificação por satélite. Qualquer inconformidade precisará ser justificada para que o produtor não fique fora do mercado. Nesse contexto, situações comuns no manejo da cabruca, como a queda natural de árvores, a abertura de pequenas clareiras ou a limpeza da área, podem gerar alertas nas análises remotas”, explica André.
Em busca de parcerias para ajudar na preparação dos cacauicultores interessados em exportar para o mercado europeu, a Acau está em contato com órgãos como o Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Espírito Santo (Idaf) e o Ministério da Agricultura e Pecuária, por meio da Superintendência Federal de Agricultura no Estado (Mapa/SFA-ES), solicitando apoio institucional.
Pesquisa busca mapear áreas de cacau em cabruca
Em resposta à necessidade de segurança jurídica relacionada às exigências da legislação da União Europeia, referentes à transparência e à sustentabilidade nas áreas de produção livres de desmatamento, um grupo de pesquisadores de diversas instituições do Espírito Santo está desenvolvendo um projeto de mapeamento de uso e cobertura do solo no estado.
O estudo, iniciado em 2023 e conduzido por fotointerpretação e inteligência artificial, é focado na produção de café, silvicultura e cacau. O pesquisador do Incaper, Renato Taques, responsável pela pesquisa na região norte, explica que, no caso do cacau, o mapeamento busca identificar a estrutura da vegetação, especialmente a presença de sub-bosque, característica comum dos sistemas de cultivo em cabruca.
Segundo o pesquisador, para mapear as áreas cultivadas nesse sistema, estão sendo testadas e avaliadas metodologias que envolvem a obtenção de dados com drone e um sensor laser chamado Light Detection and Ranging (LiDAR), ou “detecção e alcance por luz”, em português.
“Esse sensor é acoplado ao drone e obtém dados em 3D da superfície, permitindo identificar, dentro das manchas de floresta, quais áreas possuem sub-bosque que indicaria o cultivo de cacau”, explica.
Renato acrescenta que a altura da copa das árvores ajuda a diferenciar as camadas da vegetação, permitindo separar árvores mais altas do estrato onde normalmente se encontra o cacau. “Assim, esperamos conseguir diferenciar áreas com cultivo de cacau em cabruca de áreas sem cultivo de cacau”.
Professor e pesquisador da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes), Campus Alegre, responsável pela pesquisa na região sul, Samuel de Assis Silva tranquiliza os produtores. Ele explica que “a retirada de uma planta ou de algumas plantas dentro de uma estrutura já estabelecida não causa um impacto tão grande a ponto de ser perceptível pelos modelos mais utilizados internacionalmente”.

na região sul. Foto: arquivo pessoal
O projeto está na fase de planejamento para dar início às avaliações em campo. A previsão é que ainda neste ano seja concluída a avaliação da metodologia de mapeamento. Caso a técnica se mostre aplicável, serão iniciados os levantamentos e mapeamentos das áreas de cacau em cabruca com o equipamento. A conclusão final de todo o estudo está prevista para dezembro de 2027.
Participam do projeto pesquisadores da Ufes (Campus Alegre), do Incaper e da Secretaria de Estado da Agricultura, Aquicultura e Pesca (Seag). A iniciativa conta com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação do Espírito Santo (Fapes) e da AL-INVEST Verde.





