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Cerca de 100 pessoas, entre produtores, presidentes de cooperativas e associações, e representantes do Governo do Estado e de órgãos institucionais, como Sebrae, Incaper e Senar, participaram, ontem (27), de um seminário sobre Indicação Geográfica (IG) de cafés. O encontro aconteceu em Pedra Menina, Dores do Rio Preto.
Promovido pelo Sebrae, o evento discutiu o uso estratégico das IGs, como forma de agregar valor ao principal produto agrícola do Espírito Santo e da região do Caparaó, o café, e apresentou um panorama do atual mercado internacional do produto, além das tendências de um mercado que não para de crescer, o de cafés especiais. A estimativa é que esses cafés representem, hoje, de 12% a 15% do mercado mundial do produto, um mercado que cresce 20% ao ano.
De acordo com o superintendente do Sebrae-ES, José Eugênio Vieira, o órgão já vinha trabalhando, mesmo que de uma forma bem modesta, na área do agronegócio, mas agora o setor primário é uma prioridade. “Nós trabalhamos em vários pontos, levando tecnologia, levando conhecimento, fazendo diagnósticos, orientando, criando oficinas, criando cursos, criando oportunidades, para que o empreendedor possa melhorar a sua qualidade ”, explicou.
Segundo o superintendente, o mercado exige que o produtor saia da zona de conforto e invista em novos processos, pelos quais possa diferenciar seu produto, e a criação de uma Indicação Geográfica, aliada à capacitação que o Sebrae vem disponibilizando, permitirá isso. “A exigência da modernização é um fato que não pode ser deixado de lado e considerado irrelevante. Essa é a razão do Sebrae estar trabalhando nas Indicações. Nós temos vários processos. Estamos no processo do inhame, da carne de sol, do cacau, do café, e isso em função da própria exigência do mercado. Ou você se adapta ao mercado ou você vai ficar o tempo todo produzindo produtos em grande quantidade, mas sem qualidade e com preços lá em baixo ”, disse José Eugênio.
O diretor de atendimento do Sebrae-ES, Ruy Dias de Souza, acrescentou que a Indicação Geográfica é um poderoso instrumento de marketing, que pode beneficiar toda a região. “Queremos patrocinar o valor agregado. Precisamos vender o nosso produto mais caro e não trabalhar com commodity, na medida do possível. Nossa estratégia é a agregação de valores ”, disse ele.
Qualidade
Mas para vender caro, é necessário que haja garantia de qualidade. Daí, a necessidade desse processo de IG ser bem discutido e abraçado pelos produtores de cafés especiais, explicou o diretor do Instituto Inovates, Gabriel Fabres Belique. O Instituto foi contratado, pelo Sebrae, para fazer o processo de registro da IG dos cafés especiais do Caparaó, junto ao INPI (Instituto Nacional de Propriedade Industrial). O processo ainda deve demorar um pouco, para ser finalizado, a expectativa é de, pelo menos, mais um ano. Produtores de 15 municípios serão beneficiados: nove no Espírito Santo e seis em Minas Gerais. “A IG é possível, quando se vincula a qualidade de um produto a um território. É isso que dá diferencial competitivo ao produto ”, falou Belique.
Um fato interessante, lembrou Belique, é que a Indicação Geográfica, na metodologia utilizada pelo Sebrae, é também uma importante ferramenta de agregação de valor. “A IG cria instrumentos de qualidade e de garantia de qualidade que o consumidor precisa, cada vez mais, enxergar. Através de seus instrumentos de controle, ela garante qualidade ao consumidor final ”, completou.
Presente no Seminário, a secretária estadual de Ciência e Tecnologia, Camila Dalla, destacou o apoio do Governo do Estado ao processo de Indicação Geográfica dos cafés especiais do Caparaó. “Pretendemos montar alguma estrutura voltada para o café. Quando você fala de café no Brasil, você pensa logo no Espírito Santo, como produtor. Todo mundo, no país, reconhece isso. A gente tem que estar, cada vez mais, atento a isso e, no que tange à Indicação Geográfica, a gente tem que pensar, tanto na questão de melhorar o sistema produtivo das lavouras, quanto de difundir esse selo. Temos esses dois desafios ”, comentou.
Produtores do Caparaó conheceram experiências bem sucedidas
Durante o Seminário, os produtores e representantes de sindicatos e associações da região do Caparaó Capixaba e Mineiro, ouviram dois exemplos bem sucedidos em que a IG já vem mudando a vida de muita gente. O primeiro foi o caso dos produtores de cafés especiais do Cerrado Mineiro.
Moacir Aga Neto, coordenador de Novos Negócios da Federação dos Agricultores do Cerrado Mineiro, destacou o modelo organizacional que reúne os produtores, como um grande diferencial, para que a IG venha dando certo por lá. “Há muitos anos atrás, nos reunimos em associações e investimos nos processos produtivos. Depois, veio a necessidade de abrir mercado. “Nossas cooperativas surgiram a partir de nossas associações. Depois de saber como produzir, fomos atrás de como vender ”, contou ele. “No nosso sistema organizacional, as cooperativas vendem, as associações são a força política e também temos um instituto voltado para pesquisa e tecnologia ”, acrescentou.
Moacir destacou alguns pontos importantes para que o processo de IG dê certo. “Precisamos de pessoas engajadas, de jovens dando sequência ao trabalho, de embaixadores divulgando nosso produto (no caso, os próprios produtores), de conexão com os compradores, da sensação de pertencimento da região e de parceiros institucionais, como o Sebrae, por exemplo. Isso foi fundamental para o nosso sucesso ”, explicou ele. “Trocamos o apelo do produto pelo apelo da região, que é muito mais forte ”, finalizou Moacir.
Outra experiência de IG compartilhada no seminário de ontem foi a da região de Alta Mogiana, em São Paulo. A superintendente da Associação dos Produtores de Cafés Especiais de lá, Patrícia Milan, destacou a necessidade de se manter a reputação e a credibilidade da IG. “Se a Indicação Geográfica não tem reputação e não tem credibilidade, ela não vai agregar valor no produto ”, disse. Para garantir isso, Patrícia frisou a necessidade de uma gestão organizada. “A gente precisa da entidade gestora, precisa do Conselho Regulador, que vai ajudar a direcionar como vai ser o crescimento dessa IG ”, explicou.
Conselhos
Ela esclareceu que, em Alta Mogiana, a Associação trabalha com dois Conselhos, umadministrativo, que atua no direcionamento estratégico, e um técnico, que trabalha nas normativas. “Qual café vai ter selo ou não vai? Quem vai poder usar essa logomarca da região? Essas definições nós damos para o nosso Conselho Técnico. Também é esse conselho técnico que define o processo de avaliação de qualidade do café. Tem que ter um padrão mínimo de qualidade e todos os cafés que vão com selo tem que passar por esse processo. Analisamos cada safra, cada lote de café para saber qual café vai ter direito ou não ao selo ”, disse ela.
Patrícia também lembrou a necessidade da logomarca da IG representar quem produz o café. “Nós precisávamos de uma nova marca unir a região e para comunicação com o mercado. Foi difícil, houve muita discussão, mas chegamos num consenso. Não adianta ter uma bela imagem para o consumidor se o produtor da região não se identifica ”, concluiu.
Para Afonso Lacerda, presidente da Associação de Cafés Especiais do Caparaó, a principal mensagem do seminário foi a necessidade do trabalho conjunto. “Nós vimos, nas experiências de Minas e de São Paulo, que o maior desafio foi a união das associações e dos produtores. Nós ainda estamos começando, mas acreditamos que isso acontecerá aqui também. Nossa associação é nova, mas a expectativa é grande ”, disse.
Fonte: aquinoticias.com





