Prejuízo

Queda inesperada de café causa perdas de até 10 sc/ha no Norte do ES

Queda inesperada de café causa perdas de até 10 sc/há no Norte do ES. inúmeros produtores viram a safra deste ano se transformar em prejuízo.

Estimativa é de perda entre cinco e 10 sc/ha (Foto: reprodução)

O período mais esperado do ano para os cafeicultores é, sem dúvida, a colheita dos grãos. Porém, vários produtores viram a safra deste ano se transformar em prejuízo. Da noite para o dia, o café passou de verde para seco e caiu do pé antes de ser colhido. A estimativa, segundo especialistas e relatos de produtores, é de uma perda de entre cinco e 10 sacas de 60 quilos por hectare.

O fato ocorreu em uma série de propriedades da Região Norte do Espírito Santo, especialmente em regiões mais planas, como Linhares, Sooretama, Jaguaré e Pedro Canário. É o caso do produtor Deivid Brumana, dono de lavouras de conilon nos dois primeiros municípios citados.

Foi surreal o que aconteceu este ano. Caiu tudo de uma vez, mais ou menos 20% dos grãos por pé. É a primeira vez que vejo isso acontecer. Meu café não chegou a madurar, de verde já foi para seco”, relata Brumana.

O produtor e engenheiro agrônomo Filipe Akira Kuboyama, explica que o fato aconteceu com vários clones diferentes, mas, em especial, com o K61, pirata, e o LB15, de Rondônia.

Sobre os motivos para a queda precoce dos grãos, o especialista cita “a seca no final de 2024, que pode causar um estresse fisiológico da planta, a chuva nas primeiras semanas da safra, que atrasou a colheita, e alta produtividade dos clones precoces, que maduraram de uma só vez. Nesse caso, o produtor não deu conta de colher, porque a colheita é um processo lento”, destaca Kuboyama.

Ainda segundo ele, as plantas, ou são muito produtivas, ou muito resistentes. Logo, os clones muito produtivos, como os precoces, são poucos resistentes.

Não tem como ser os dois, porque a mesma energia que a planta usa para encher o grão da produção é a que usa para ter resistência. Então, já que nossas plantas são muito produtivas, são pouco resistentes a qualquer intempérie, pragas e doença”.

Saída possível

Queda ocorreu em municípios mais planos, como Linhares, jaguaré, Pedro Canário e Sooretama

Sem ter como catar manualmente os grãos do solo – e na tentativa de amenizar as perdas-, ocorreu uma corrida dos cafeicultores em busca de máquinas recolhedoras de café do chão. Esses equipamentos normalmente são utilizados para auxiliar na colheita feita por máquinas semimecanizadas e automotrizes. Mas nem todos conseguiram chegar a tempo.

Foi o caso do cafeicultor Fabio Antônio Sartori, do Córrego Dezoito, interior de Jaguaré. “Todo ano tem uma certa perda, mas esse ano foi diferenciado. Caiu muito. Acredito que perdi umas oito sacas por hectare, em média. Quando pensei em comprar a máquina para fazer um teste, não achei mais no mercado”.

Pelos cálculos do gerente comercial de uma revendedora de máquinas e implementos agrícolas de Linhares, Rafael Venturini, além do Sartori, mais de 50 produtores procuraram a máquina e não encontraram mais disponível para entrega este ano.

Hoje, se tivesse na loja mais 60 máquinas, vendia tudo, tamanha é a procura. Se compararmos a colheita do ano passado com a deste ano, vendemos cerca de 200% a mais em 2025”, explica Venturini.

Para se ter uma ideia da busca, o Brumana, aquele do começo desta reportagem, comprou o equipamento há cerca de 30 dias e ainda espera a entrega do fornecedor. “Não consigo recuperar os 100%. Devido à chuva, tem café brotando no chão, além disso, o trator passa por cima e afunda na terra. A expectativa é de conseguir recolher entre 200 e 250 sacas, nessa área de 50 hectares, onde 70% é café de primeira colheita”.

Consequências

Em propriedades onde não será possível retirar o café do meio da lavoura, Kuboyama aponta outro agravante, além da perda do café, que é a proliferação de pragas, em especial da broca-do-café.

A broca é uma praga difícil de combater e que fica até 150 dias no chão. Ou seja, pode acontecer de aumentar a população dessa praga nas lavouras, devido ao número elevado de grãos no chão. Pode chegar ao ponto de afetar até mesmo a próxima safra. Outra consequência é a brotação dos grãos, que também vai precisar ser combatida“.

Para evitar perdas com a queda do café, Kuboyama diz que a receita seria “fazer um planejamento de clones, médio e tardio, ter uma boa equipe e fazer uma programação, uma melhor gestão da colheita”.

Sobre o autor Rosimeri Ronquetti Rosi Ronquetti é jornalista, formada em 2009 e pós-graduada em gestão em assessoria de comunicação. Repórter do agro, sua atuação se concentra na produção de reportagens do setor (incluindo perfis e histórias). Algumas de suas reportagens conquistaram premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos