Mais lidas 🔥

Agricultura familiar
Capixaba vence concurso nacional de inventos com descascador de café portátil

Agro capixaba
Produção de cacau coloca Espírito Santo entre os maiores do país

Safra exclusiva
Café raro cultivado no Brasil alcança R$ 90 mil por saca e mira mercado de luxo

Agro capixaba
Barragens mudam a realidade de produtores no norte capixaba

Campeão Brasileiro
Jacques Carneiro vence campeonato brasileiro e levará prova de café do Brasil ao mundial

A madeira tratada pode ter inúmeros usos no estabelecimento rural e, pensando nisso, a Embrapa Pecuária Sul (RS) e a Universidade Federal de Pelotas (UFPel) disponibilizam ao produtor uma planilha exclusiva para o cálculo do custo de produção e do tratamento dessa matéria-prima. O objetivo é aprimorar o planejamento e a gestão do recurso nas propriedades.
A planilha auxilia no cálculo do volume de madeira a ser tratada; na obtenção da quantidade de insumos necessários; na inclusão de todos os custos envolvidos no tratamento e na obtenção do seu custo por peça tratada. Caso o produtor tenha um plantio florestal na propriedade, a tecnologia também calcula o custo de produção com a opção de adicioná-lo ao custo envolvido no tratamento da madeira.
Um dos tratamentos recomendados pela Embrapa é o de substituição de seiva, considerado um procedimento simples para ser feito pelo produtor (veja Comunicado Técnico sobre). Para isso, é preciso dimensionar o volume da madeira a ser tratada e a quantidade de água e de produtos hidrossolúveis usados no processo. Com a tecnologia, é possível fazer os cálculos automaticamente. “A planilha é um facilitador para o produtor rural calcular a quantidade de produto hidrossolúvel que será usado na sua solução preservativa. Em vez de estar fazendo uma série de cálculos, ele só vai inserir algumas informações na planilha e já vai ter automaticamente os resultados”, destaca o professor da UFPel e um dos responsáveis pela planilha, Leonardo Oliveira.
Conforme o pesquisador da Embrapa Hélio Tonini, também da equipe que desenvolveu a ferramenta, fazer esse tipo de tratamento na propriedade pode ser vantajoso, principalmente para produtores detentores de pequenas áreas florestais em monocultivos ou sistemas silvipastoris que necessitam de madeira tratada para a manutenção de cercas e demais construções rurais, reduzindo os custos com a compra de madeira e o frete até a propriedade.
Tonini conta que, décadas atrás, as tramas, mourões, palanques, postes etc. utilizados nas cercas das propriedades eram provenientes de espécies nativas, geralmente disponíveis no local, como o angico vermelho e a guajuvira, consideradas de alta durabilidade natural. “A durabilidade era um fator determinante para a escolha do material utilizado, já que essas peças de madeira têm contato direto com o solo e são expostas às intempéries e a ação de fungos e insetos”, lembra o pesquisador. “Com a escassez de madeiras nativas de alta durabilidade natural, passou-se a confeccionar essas peças a partir da madeira de eucalipto, normalmente de plantios mais jovens e mais suscetíveis à degradação por agentes decompositores e que necessitam de tratamento com substâncias químicas, capazes de protegê-la da biodegradação e de prolongar sua vida útil”, explica.
Com o tratamento, a madeira tem durabilidade, no mínimo, cinco vezes maior. “Por exemplo, se nós colocarmos em contato com o solo, uma cerca com madeira de eucalipto sem nenhum tratamento vai durar de dois a três anos, no máximo, e vai se degradar. Entretanto, se fizermos o tratamento dessa peça, ela vai durar 15 anos ou mais. Portanto, a gente prolonga o uso e estende a vida útil desse material, e o produtor vai ter madeira com maior durabilidade dentro da sua propriedade” explica.
Acesse aqui a planilha e veja os itens que podem ser calculados para determinar o custo de produção e de tratamento da madeira na propriedade rural.
Serviços ambientais
Em 2023, os produtos gerados pelas árvores totalizaram R$ 37,9 bilhões, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Além dos produtos madeireiros (madeira em tora, lenha, carvão, cavacos, entre outros) e não madeireiros (frutos, sementes, casca, folhas, óleos, resinas) obtidos em florestas plantadas e nativas, as árvores cumprem diversas funções ambientais de grande valor para os produtores rurais e à sociedade. Entre esses serviços estão a estabilização de encostas e proteção das fontes de água; e a formação de cercas vivas e quebra-ventos para a proteção dos cultivos agrícolas, pastagens e animais dos efeitos adversos do clima, melhorando os indicadores de conforto térmico animal e, com isso, gerando aumentos na produtividade e fertilidade do rebanho.
Outra importante função ambiental das árvores é a de retirar gás carbônico (CO2) da atmosfera durante o seu processo de crescimento. O elemento é imobilizado na biomassa, o que as torna agentes de mitigação de emissão de gases de efeito estufa, especialmente os emitidos pela pecuária. Estudos científicos vêm demostrando que, em sistemas de integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF), a taxa de lotação animal neutralizável pelas árvores está geralmente acima das médias regionais, com excedentes variando entre 3,8 a 6,8 UAs (unidade animal) por hectare.
Comunicado técnico
Tonini e Oliveira também assinam o comunicado técnico 110 – Tratamento da madeira na propriedade rural, procedimentos para a sua aplicação, licenciamento e gestão financeira. A publicação apresenta o contexto da produção de madeira, e está divida em tópicos como tratamento da madeira, cuidados para tratamento e preservação da matéria-prima, cuidados com os produtos químicos usados na propriedade rural e explica como usar a planilha.
A origem da Planilha
A planilha foi desenvolvida em parceria com o curso de Engenharia Industrial Madeireira da UFPel, a partir de uma capacitação realizada em Bagé (RS), em 2019, sobre o tratamento de madeira na propriedade rural. Para aquela capacitação foi desenvolvida uma versão preliminar da planilha, com o objetivo de auxiliar os produtores interessados em fazer o tratamento para a preservação da madeira, utilizando a metodologia de substituição de seiva.






