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Discreta no campo, sofisticada no mercado e cada vez mais estratégica para a diversificação agrícola do Espírito Santo, a macadâmia é uma cultura que revela seu potencial quando os números são colocados em perspectiva. Produzida integralmente em São Mateus, no norte do Estado, a oleaginosa combina estabilidade produtiva, ganhos expressivos de eficiência e forte inserção no mercado internacional, com destino praticamente exclusivo aos Estados Unidos.
Os dados mais recentes indicam que o avanço da macadâmia capixaba está associado principalmente ao aumento da produtividade, e não à expansão de área. Entre 2022 e 2024, a área cultivada permaneceu estável, em torno de 660 hectares, enquanto a produção cresceu de forma consistente. Foram 1.470 toneladas em 2022, 1.530 toneladas em 2023 e 2.055 toneladas em 2024, um salto de 39,8% em apenas dois anos, sem ampliação da área colhida.
O desempenho reflete a maturação dos pomares, a adoção de tecnologias e o aprimoramento do manejo agrícola, características típicas de culturas perenes e de sistemas produtivos que priorizam eficiência e regularidade de oferta.
Além do mercado interno, a macadâmia produzida no Espírito Santo tem forte presença no comércio exterior. Em 2023, as exportações somaram US$ 1,18 milhão, com 152,9 toneladas embarcadas. Em 2024, mesmo diante de oscilações nos preços internacionais, o volume exportado avançou para 165,4 toneladas, totalizando US$ 969,7 mil. Já em 2025, considerando o período de janeiro a novembro, as exportações alcançaram US$ 1,27 milhão, com 183 toneladas, superando os resultados dos anos anteriores antes mesmo do fechamento do ano.
O destino dessas exportações evidencia o posicionamento do produto em um nicho exigente. Cerca de 99% do valor e do volume da macadâmia capixaba têm como destino os Estados Unidos, mercado que demanda padrões rigorosos de qualidade e regularidade no fornecimento.
Em 2025, o debate em torno do chamado “tarifaço” norte-americano acendeu um alerta entre exportadores brasileiros. A macadâmia esteve entre os produtos inicialmente monitorados, mas o cenário evoluiu de forma favorável. O produto foi incluído na lista de exceções tarifárias, preservando sua competitividade no mercado dos Estados Unidos e reduzindo riscos para a cadeia produtiva capixaba.
Para o secretário de Estado da Agricultura, Enio Bergoli, o episódio reforça a importância do acompanhamento permanente do mercado internacional. “O mercado de alimentos de maior valor agregado exige atenção constante. No caso da macadâmia, monitoramos o debate tarifário, dialogamos com o setor e atuamos para garantir previsibilidade aos produtores e exportadores. A inclusão do produto nas exceções foi fundamental para manter o Espírito Santo competitivo nesse nicho”, avaliou.
Segundo Bergoli, a trajetória da macadâmia ilustra a relevância de políticas agrícolas que combinem inteligência de mercado, monitoramento internacional e apoio a cadeias produtivas ainda pouco conhecidas, mas com elevado potencial econômico.
Toda a produção e exportação de macadâmia do Espírito Santo têm origem em São Mateus, um único município que, mesmo com área estável, conseguiu se posicionar em um mercado global altamente especializado. O desempenho da cultura reforça o avanço da agricultura capixaba não apenas em volume, mas em qualidade, eficiência produtiva e estratégia de inserção internacional.





