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Lição de agricultura familiar – Rafael Pregioni: produtor de Ibitirama é exemplo de sucesso no campo

por Redação Conexão Safra

em 05/10/2013 às 0h00

6 min de leitura


Essa história começa quando o pai de dona Neuzinha Pregioni comprou sua primeira propriedade no Córrego da Saudade, em Ibitirama. Neta de italianos, dona Neuzinha teve cinco irmãos, todos homens. “Acabava trabalhando mais do que todo mundo, para dar conta do serviço com tanta gente dentro de casa ”.


Dona Neuzinha é simpática, falante, autêntica e muito bonita também. Em 1967, foi eleita rainha de uma festa local. Três anos depois, casou-se com o sr. Rafael, seu primeiro e único namorado, rapaz distinto, de Mimoso do Sul. “Depois de casada continuei trabalhando na roça, e ainda cuidava da minha casa e a da minha mãe ”, conta.


Essa história estava apenas começando, afinal, tinham a vida inteira para caminhar juntos. “A gente só tinha era muita coragem. Começamos do nada. Rafael é meu grande companheiro, e sempre vivemos com muita harmonia ”.


Dona Neuzinha diz que ela e o sr. Rafael eram colonos do avô dela até comprarem quatro alqueires de terra, e finalmente receberem a herança do pai dela. O casal batalhou muito para ampliar a propriedade. A dedicação e a administração firme do sr. Rafael multiplicou a terra. Hoje são mais de 12 alqueires, e não é só um sítio, são dois, próximo à localidade de Figueira, em Ibitirama.


Há mais de vinte anos, no entanto, dona Neuzinha teve um sério problema de coluna, o que dificultou sua lida na roça. Ela trocou a ajuda que dava ao marido na lavoura pelos trabalhos artesanais e passou a complementar a renda da família com um trabalho precioso (confira na matéria a seguir).


Com sua nova atividade, dona Neuzinha continuou a colaborar com o marido. “Muito do que tenho em casa comprei com o dinheiro dos meus trabalhos artesanais. Gosto da casa arrumada, com tudo direitinho mesmo. E a gente sempre pôde comprar porque eu ajudei muito o Rafael ”. E dona Neuzinha completa, “comprei jogo de cozinha, máquina de lavar, televisão, máquina de costura, geladeira, microondas, forno, fogão, jogo de quarto, sempre pagando tudo certinho. Aí, o dinheiro da roça o Rafael investia na propriedade, para ampliar a terra e comprar equipamentos, e foi sempre assim, um ajudando o outro ”.

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O casal Pregioni sempre se preocupou em fazer tudo com muita perfeição. O sr. Rafael declara que nunca pensou primeiro no lucro, mas em cuidar da sua terra com muito zelo. “Com esse pensamento é que construímos tudo o que temos, sempre com muito capricho ”.



Economia e mesa farta


O tempo mostrou que o sr. Rafael é um homem vitorioso. Na sua administração não há milagres, há equilíbrio. Ele está sempre de olho na qualidade e na forma do que produz (processos), e muito mais atento ainda na contenção das despesas. E é firme em tudo. Planta quase tudo o que a família consome, cria aves e suínos. Faz o que pode para economizar.


“Vejo muitos agricultores só reclamando, da terra, do governo, da inflação, do preço do café, mas as coisas sempre foram assim. Acredito que muito do que acontece é por falta de trabalho mesmo. Já comprei terra boa, terra que não era boa e ficou boa, mas, gente, toda a terra é boa, ela dá tudo para nós, a gente é que precisa cuidar bem dela. Aqui a gente planta, cria animais, produz um monte de coisas para não ter que comprar no mercado. Produzimos quase tudo o que a gente consome mesmo, por causa da economia que a gente faz, mas principalmente porque a gente sabe o que está comendo, tudo muito natural. Hoje todo mundo quer é comprar pronto, aí sai caro mesmo, não tem jeito não ”, comenta.


E comida na mesa da família é mais do que farta. A casa vive cheia de amigos e parentes. Há pouco fizeram uma reunião para comemorar a saúde de parentes próximos que haviam se recuperado de sérios tratamentos médicos. “Juntou mais de cem pessoas naquele dia aqui em casa, foi uma beleza, graças a Deus, e é sempre assim, a gente gosta muito de receber nossos amigos ”, fala dona Neuzinha.



Café dos bons


O sr. Rafael Pregioni produz café arábica de qualidade em sua propriedade. Está muito atento às inovações. Quando precisa, chama algum técnico do Incaper para orientá-lo.


“Vivi tudo nessa lida com o café e a grande mudança que percebi foi no jeito de plantar. Em 1971, quando meu sogro e eu fomos os primeiros da nossa região a mudar a forma de trabalhar com a lavoura “morro acima ” para “plantar de banda ” e passamos a usar a tal curva de nível, referindo-se à então nova forma de manejo do café.


Para entender o que aconteceu com o sr. Rafael Pregioni, no início dos anos 70, procuramos informações no site CafePoint, em um fórum técnico sobre manejo de lavouras.


Lá encontramos que cafezais em áreas montanhosas, plantados “morro abaixo ”, eram comuns no passado, facilitando a erosão e a degradação dos solos, levando a menor vida útil das lavouras. Hoje, a prática de controle à erosão é essencial, para evitar os erros do passado e, também, para o aproveitamento da água e para a melhor eficiência no uso dos insumos (custosos) aplicados no solo.


A técnica usada atualmente a que o sr. Rafael se refere é o plantio em nível, com terraços espaçados de acordo com a sua declividade para retenção da água, cobertura do solo e no aumento de matéria orgânica.


Para atender à regulamentação do novo Código Florestal Brasileiro, o sr. Rafael já reservou mais de 20% da sua propriedade para preservação e plantou uma vasta floresta nativa de madeira tipo jacaré.


Poda pelo meio


O agricultor Delcleci Machado, genro e parceiro do Sr. Rafael, inovou na poda dos pés de café. Ao invés de cortar na base, na parte debaixo do pé, Cleci aproveitou metade da planta. “Um vizinho meu fez esse corte e eu também resolvi aproveitar os pés que eu não precisava cortar tão na base. “A planta responde rápido e abre florada na metade
do tempo. É muito mais prático ”.



Arte das mulheres da família Pregioni


Com a limitação que dona Neuzinha adquiriu com o problema da coluna, ela se dedicou a trabalhos manuais e se tornou uma grande artesã. Seu talento é impressionante. Nunca frequentou nenhum curso, mas trabalha com festas e cria toda a decoração para os eventos, painéis belíssimos, bolos, doces e também produz peças de decoração como cortinas, jogos completos de cama, mesa e banho. Enfim, ela costura, pinta e borda com uma destreza profissional.


O talento é natural e as peças são trabalhadíssimas. E o talento parece que está no sangue da família. Sua filha Nilcéia também cria peças com grande categoria e a neta, Rafaela, já dá os primeiros passos na arte.


A família quase não dá conta das encomendas, “porque a produção é lenta e a gente também dá conta de todo o serviço de casa ”, esclarece Nilcéia. Ela conta que os pedidos do Natal começam a ser produzidos em setembro. E produzem vários itens. De panos de pratos a enxovais completos, com preços que variam de 20 a 500 reais. Quem quiser encomendar o contato pode ser feito pelo telefone 28 9273 4607.

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