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Importação de café do Peru preocupa produtores do ES

Além do problema da seca, os produtores do Espírito Santo descobriram mais um motivo para se preocupar...

por Redação Conexão Safra

em 18/05/2016 às 0h00

3 min de leitura

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Além do problema da seca, os produtores do Espírito Santo descobriram mais um motivo para se preocupar: o Ministério da Agricultura voltou a autorizar, no apagar das luzes da transição de governo, a importação de grãos verdes de café provenientes do Peru.
O setor teme que a entrada de café estrangeiro no mercado brasileiro pressione para baixo o preço dos grãos produzidos no país, o que iria impactar diretamente toda a cadeia produtiva. Segundo representantes do setor cafeeiro no estado , a decisão do governo foi tomada sem qualquer diálogo com o setor produtivo.

Outro argumento usado para barrar a importação é de que as pragas existentes nas plantações do Peru poderiam ser trazidas ao Brasil, numa ameaça às plantações de cacau e café no país.

O presidente Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (Faes), Júlio Rocha, teme que a entrada do café peruano também abra caminho para importação de grãos oriundos de outros países, incluindo Vietnã, que é o principal concorrente internacional do Espírito Santo na venda de conilon.

Júlio faz questão de ressaltar que a proibição definitiva da importação, que é uma cobrança antiga da cadeia produtiva, não fere as relações de livre comércio. Na avaliação dele, em países onde certos “segmentos são pujantes ”, os governos buscam proteger suas economias, o que não estaria acontecendo com o Brasil.

“Fica difícil concorrer de forma globalizada com países onde a OIT (Organização Internacional do Trabalho) não se intromete, como no Vietnã, onde um trabalhador ganha US$ 3 por dia. Seria injusto para o produtor capixaba ”, justifica.

As torrefadoras e multinacionais do café defendem a compra de café verde do Peru como uma maneira de melhorar suas vendas com o marketing de um blend (mistura) próprio com o grão importado. O argumento é rebatido pelo setor, que diz que o Brasil – maior produtor e exportador mundial de café – conta com variedades suficientes para atender o mercado.

Produtividade

A decisão do governo federal chega em um momento de baixa produtividade da cafeicultura capixaba. Para se ter uma ideia, a diminuição dos estoques e os entraves logísticos no Porto de Vitória fizeram a exportação de café verde diminuir 62,3% nos quatro primeiros meses de 2016.

Foram comercializadas pouco mais de 44 mil toneladas, contra 113 mil toneladas exportadas no mesmo período de 2015. A receita obtida com a venda do produto despencou 60,6%, passando de US$ 236,8 milhões em 2015 para US$ 89,2 milhões este ano.

Fonte: G1 Espírito Santo

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