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A fibromialgia, síndrome que causa dor generalizada, acomete de 2% a 6% da população mundial. O dado foi apresentado pelo médico André Félix Gomes Cordeiro, anestesiologista com especialização em dor, em apresentação à Comissão de Saúde da Assembleia Legislativa, nesta terça-feira (29).
Além das dores musculares, fadiga e distúrbios do sono, que afetam pelo menos 86% dos pacientes, os fibromiálgicos também sofrem com dores articulares, cefaleia, pernas inquietas, dormência e formigamento, comprometimento da memória e da concentração, câimbras, nervosismo e depressão.
O médico destacou a importância de o paciente ser visto de forma global, tanto para o diagnóstico da doença, quanto para o tratamento. “Cada dor de cada um deve ser respeitada de modo individual. E é preciso entender o paciente de forma global, de forma integral”, comentou Cordeiro.
Diagnóstico e tratamento
O palestrante frisou, ainda, a dificuldade de diagnóstico da doença: “Os sintomas e comorbidades associados à fibromialgia tornam o diagnóstico difícil, tornando-a subdiagnosticada e subtratada. O diagnóstico pode levar mais de dois anos para ser feito, com pacientes visitando uma média de 3,7 médicos diferentes”, explicou.
Sobre o tratamento, o profissional disse que, além do tratamento convencional com medicamentos, é preciso um trabalho conjunto com profissionais de várias áreas, como psicólogos, fisioterapeutas e nutricionistas. “O tratamento medicamentoso é só um pedaço e as intervenções não farmacológicas são importantes”, ressaltou.
Dor crônica
Cordeiro apresentou, ainda, dados referentes à dor crônica de forma geral. Estudos feitos nos Estados Unidos demonstraram que 20,5% da população estadunidense sofre com dores crônicas e 10% dos adultos têm dores que causam limitações no trabalho.
A perda de produtividade leva a um impacto de US$ 296 bilhões por ano no Produto Interno Bruto (PIB) norte-americano. No Brasil, cerca de 45% das pessoas sofrem com dores crônicas, mas não há estudo revelando os impactos no PIB.
Iniciativa parlamentar
O presidente da Comissão de Saúde, deputado Doutor Hércules (MDB), destacou algumas iniciativas apresentadas por ele em defesa dos direitos dos fibromiálgicos. Ele é autor de lei que instituiu o Dia Estadual de Conscientização e Enfrentamento à Fibromialgia (12 de maio) e de projeto de lei (PL 591/2021), que tramita na Casa, que reconhece as pessoas com fibromialgia como pessoas com deficiência.




