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Geral

Escola Família Agrícola muda a vida da família Bortolotti

por Redação Conexão Safra

em 05/10/2013 às 0h00

6 min de leitura


A vida do produtor rural Pedro Bortolotti Menegardo é uma história de sucesso e orgulho. Com simplicidade e determinação, ele provou que é possível alcançar seus objetivos e passa a lição para os fi lhos, que hoje são seu maior motivo de orgulho. Uma trajetória que começou quando ainda era criança e foi marcada na passagem pela Escola Família Agrícola (EFA), onde seus fi lhos também passaram e hoje, todos os quatro, cursam a faculdade de medicina.


Nada foi fácil, mas Pedro hoje colhe os bons frutos com os ensinamentos que teve na EFA. Produtor da localidade de São Vicente, em Rio Novo do Sul, Pedro trabalha com a atividade agrícola desde criança. “Meu pai produzia café, milho, arroz, feijão e bananeira. Nós vivíamos em situação de pobreza, não tinha recurso para nada e nos alimentávamos mal. Chegamos até a passar fome ”, contou.


Em 1970, depois de ter completado a 5ª série, Pedro foi estudar na Escola Família Agrícola. “Eu passava 15 dias na escola e 15 dias em casa trabalhando. Nessa época eu tive uma visão do mundo e da produção, como o plantio de banana, poda do café, adubação química, de toda a tecnologia usada. Foi quando então passei a usar as técnicas na propriedade. A média do cacho de banana passou para 10 kg cada, e saímos da condição de miséria para melhor condição de vida ”, continuou Pedro.


Segundo o produtor, a família teve condições de construir casas (até então moravam em uma casa de pau a pique), passaram a ter energia elétrica, sistema de água. “Até 1974, trabalhei na Associação Empreendedora dos Jovens Agricultores (AEJA), mas logo pensei: porque aprender tanta tecnologia e empregá-la só em uma associação? Saí de lá e empreguei tudo que tinha aprendido em nossa propriedade e os anos de 1978 até 1982 foi o auge da nossa produção ”, ressaltou.


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Dificuldades e superação


Após um ano e oito meses de namoro, Pedro se casou com Mercedes Sartório Menegardo, que residia na localidade de Monte Alegre, próxima a São Vicente. Vagner foi o primogênitodo casal. Nos anos de 1982 a 1987, depois do nascimento dos outros três fi lhos, Glauber, Cristiani e Larissa, a família passou por um momento difícil por causa da queda do preço do café e o mal do Panamá, uma doença que atingiu as bananeiras.


“Foi uma época ruim. Já tínhamos os quatro fi lhos, mas não cruzamos os braços. Diversifi camos a produção e passamos a plantar banana d’água, plantamos mais café, compramos gado de leite, mas a crise estava em todos os segmentos. Fizemos uma pró-várzea, mas a enchente arrancou todo o arroz. Não entramos em desespero e pensei: Deus vai determinar o caminho ”, explicou Pedro.


Os produtores já sabiam que a educação seria determinante para um bom futuro para os fi lhos. “O Vagner estudou o primário aqui em São Vicente e depois foi para Rio Novo, onde estudou até a 8ª série. Depois foi para a Escola Família Agrícola de Olivânia, em Anchieta. O mesmo fez o Glauber. A Cristiani também. Só a caçula, a Larissa, não quis passar pela Escola Família Agrícola e fez o Ginásio em Rio Novo. Tínhamos que procurar ser os melhores sempre e queríamos que os nossos fi lhos também fossem os melhores. Em todo o tempo que meus fi lhos estudaram aqui, acompanhei de perto os estudos deles. Fazia as lições juntos, passava com eles no fi m do dia tudo que tinham aprendido na escola ”, afi rmou o produtor.


Vagner foi o primeiro fi lho a prestar vestibular. Ele primeiro tentou medicina, mas não conseguiu e passou em odontologia na UFMG. “Ele foi para lá e se formou dentista. O nosso segundo filho, o Glauber, também passou em odontologia na UFES e na UFMG, mas acabou optando por Minas Gerais, já que o irmão já morava lá. Os dois ganharam a bolsa 100% da UFMG e não tiveram nenhuma despesa enquanto estiveram lá ”, contou a mãe, Mercedes.


Enquanto os dois irmãos cursavam a faculdade de odontologia, Cristiane se preparava para o vestibular. Ela fez medicina na Ufes e Famárcia, e passou para Farmácia e continuou tentando Medicina. Quando estava no 6º período de Farmácia, ela passou para Medicina na Ufes. Já Larissa, também passou para Medicina na Universidade de Vila Velha (UVV). “Não tínhamos dinheiro para pagar, mas o Vagner e Glauber, que trabalhavam como dentista, falaram que ela podia entrar, que eles ajudariam a pagar. Nosso maior ensinamento é esse. Um irmão ajudando o outro ”, contou orgulhoso Pedro.


Com dois anos trabalhando como dentista em Belém, os filhos deram um carro zero km para os pais de presente de Natal. Mesmo dentistas formados e trabalhando, Galuber e Vagner tentaram vestibular para Medicina e os dois passaram. Hoje, os quatro filhos de Pedro de Mercedes estão na faculdade de Medicina. “Nossos filhos nos orgulham muito. São determinados e sempre buscaram o que queriam ”, comentou Mercedes.


Vagner estuda na Universidade Estadual de Manaus e está no 9º período de Medicina. Ele é casado com Mayane, com quem tem um filho de dois anos, Eduardo. Apesar de ainda não ter se decidido, ele comentou com os pais que pensa em ser cirurgião. Já Glauber, está cursando Medicina na Universidade Federal de Belém e está no 5º período. Ele já mencionou que quer ser otorrino, mas não se decidiu.


Cristiani e Larissa também não se decidiram. A primeira está no 9º período de Medicina na Ufes, e já falou em ser geriatra. Já Larissa, está no 11º período, e sendo a caçula, será a primeira dos filhos de Pedro e Mercedes a se formar. “Ela se forma em junho. Gosta muito de criança e acho que vai ser pediatra ”, arriscou a mãe orgulhosa.



Mudança de vida


Em 1995 um jovem do Pará, João Uchoa, fez estágio na propriedade da família Bortolotti e marcou uma nova era produtiva deles. “Já plantávamos o palmito Juçara e nunca usamos veneno, sempre preocupados com a preservação do meio ambiente e fomos deixando os palmitos por amor à natureza. O palmito Juçara e o açaí são da mesma família e o João nos deu a ideia de aproveitarmos o açaí, que naquela época era pouco conhecido ”, contou Pedro.


O que era uma ideia ganhou corpo e passou a ser uma fonte de renda e de trabalho. “No começo, as sacolinhas eram amarradas com barbante e entregávamos em pequenos estabelecimentos e as notícias que fomos recebendo eram positivas e começamos a nos animar. Compramos um freezer, uma seladeira e começamos a vender o produto para Vitória ”, relembrou o produtor.


Além de processar a produção, Pedro passou a comprar a produção dos vizinhos e de outros municípios no entorno. Hoje, cerca de 200 produtores em oito municípios vizinhos encaminham a produção para a polpa de açaí.


Pedro, a esposa e o irmão, Vicente de Paula Mengali Bortolotti cuidam da atividade. “Quando olhamos nossa história até chegar onde estamos, não acreditamos. Tudo parecia impossível e hoje estamos aqui, fazendo o que gostamos, tendo uma vida melhor, com os nossos quatro filhos na faculdade de Medicina. Posso afirmar que a base familiar é tudo e foi por isso que alcançamos todos os nossos objetivos. A Igrejinha nossa é a família. Quando escolhi a Mercedes para ser minha esposa, há 36 anos, era porque a minha alegria era estar ao lado dela e estamos felizes após tantos anos e com tantos motivos para nos orgulhar. Só tenho que agradecer a Deus por tudo ”, completou Pedro.

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