Economia do Espírito Santo cresce pelo terceiro ano, mas ritmo pode cair

Mesmo com juros altos e cenário global instável, Estado mantém crescimento, com destaque para indústria e agropecuária

Foto: Divulgação FINDES

A economia do Espírito Santo manteve trajetória de crescimento pelo terceiro ano consecutivo, mesmo diante de um cenário marcado por juros elevados, incertezas internacionais e pressão sobre commodities. Em 2025, a atividade econômica do Estado avançou 3,2%, superando o desempenho nacional no mesmo período.

Os dados são do Indicador de Atividade Econômica (IAE-FINDES), divulgado pelo Observatório da Federação das Indústrias do Espírito Santo. O resultado consolida uma sequência positiva iniciada em 2023, quando o crescimento foi de 3,4%, seguido por 2,5% em 2024.

Apesar do desempenho recente, a expectativa para 2026 é de desaceleração, com projeção de crescimento de 2,1%. O cenário reflete a combinação de fatores internos e externos que seguem pressionando a economia.

Entre os principais desafios está a taxa básica de juros elevada. A Selic em 15% ao ano reduz a capacidade de investimento das empresas e encarece o crédito, impactando tanto a indústria quanto o consumo das famílias.

O ambiente internacional também influenciou diretamente os resultados. Mesmo com aumento de 11% no volume exportado, houve queda de 2,1% no valor das exportações, afetadas pela redução dos preços de commodities como petróleo, celulose, minério de ferro e café.

Indústria puxa crescimento

O principal motor da economia capixaba em 2025 foi a indústria, com avanço de 6,1%. O destaque ficou para a indústria extrativa, que cresceu 18,6%, impulsionada pela expansão da produção de petróleo e gás natural.

A produção média de petróleo no Estado chegou a 192,9 mil barris por dia, alta de 24,5% em relação a 2024. Já o gás natural registrou crescimento ainda mais expressivo, com aumento de 39,5%.

Esse desempenho está ligado, principalmente, à evolução da produção no campo de Jubarte, com ganhos relevantes tanto em petróleo quanto em gás.

Por outro lado, a indústria de transformação teve queda de 0,8%, pressionada por segmentos como papel e celulose, alimentos e minerais não metálicos, afetados pelo cenário externo e pelo custo elevado do crédito.

A agropecuária apresentou o maior crescimento percentual entre os setores, com alta de 13,9% em 2025. Ainda assim, sua contribuição para o resultado geral da economia foi mais limitada.

O desempenho foi puxado pela agricultura, que cresceu 16,7%, com destaque para a produção de café conilon, principal cultura do Estado. Condições climáticas favoráveis e investimentos em mecanização contribuíram para o aumento da produtividade.

A pecuária também avançou, mas em ritmo mais moderado, com crescimento de 1,3%.

O setor de serviços cresceu 1,2% em 2025, sustentado principalmente pelo aumento da demanda por transporte de cargas, impulsionado pela produção industrial e agrícola.

O comércio também teve desempenho positivo, favorecido pela elevação da renda das famílias e pelo aumento do consumo em segmentos como supermercados, vestuário e materiais de construção.

Já outros serviços acompanharam o ritmo de expansão, com crescimento distribuído entre diferentes atividades.

Economia do Espírito Santo cresce pelo terceiro ano, mas ritmo pode cair

A projeção de desaceleração para 2026 indica um cenário mais desafiador. A manutenção de juros elevados, aliada às incertezas no mercado internacional, deve limitar novos investimentos e reduzir o ritmo de crescimento.

Mesmo assim, o desempenho recente mostra que a economia capixaba tem conseguido manter resiliência, com expansão sustentada por diferentes setores.

O desafio agora será equilibrar crescimento com um ambiente econômico ainda restritivo, mantendo a competitividade em um cenário global mais instável.