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O avanço das chamadas “canetas emagrecedoras”, como os medicamentos à base de semaglutida e tirzepatida, pode provocar uma mudança estrutural no consumo global de alimentos nas próximas décadas. A análise é da Cogo Inteligência em Agronegócio.
Segundo a análise, esses medicamentos tendem a reduzir o apetite e a frequência das refeições. Ao mesmo tempo, podem aumentar a preferência por alimentos com maior densidade nutricional, especialmente proteínas magras, como frango, ovos, peixes e cortes bovinos porcionados.
A avaliação aponta ainda uma possível queda no consumo de ultraprocessados e carboidratos refinados. Com isso, parte da indústria de alimentos pode ser pressionada a adaptar portfólios, embalagens, formulações e estratégias comerciais para atender a um consumidor que come menos, mas busca maior valor nutricional por porção.
De acordo com a Cogo Inteligência em Agronegócio, cerca de 56% dos usuários desses medicamentos relatam adotar dietas mais saudáveis. Esse comportamento abre espaço para o crescimento dos chamados “Smart Foods”, alimentos formulados com mais proteína, acima de 20 gramas por porção, e baixo índice glicêmico.
Impacto no milho e no farelo de soja
Para o agronegócio, um dos principais efeitos pode estar na demanda indireta por milho e farelo de soja. A possível ampliação do consumo de proteína animal tende a elevar também a necessidade de ração para aves, suínos, bovinos, peixes e outras cadeias produtivas.
Segundo a análise, a ração animal é composta majoritariamente por milho, que representa cerca de 60% da formulação, e farelo de soja, com participação próxima de 25%. Por isso, qualquer expansão relevante na produção de proteína animal pode repercutir diretamente sobre esses dois insumos.
As projeções citadas indicam que a demanda por milho para ração pode crescer entre 3% e 10% nos próximos sete anos. Já o farelo de soja teria potencial de alta de até 12% no mesmo período.
Brasil pode se beneficiar
A análise aponta que o Brasil aparece bem posicionado nesse cenário. O país é um dos principais exportadores globais de frango e tem posição de liderança no mercado de soja, dois segmentos que podem ser favorecidos pela mudança no padrão alimentar.
Além da produção primária, a transformação industrial também pode ganhar espaço. O material cita que empresas como JBS, BRF e Marfrig já investem em produtos voltados ao consumidor mais consciente e em snacks proteicos, segmento que, segundo o texto, cresce acima de 12% ao ano nos Estados Unidos.
A indústria brasileira de ingredientes também pode encontrar oportunidades no desenvolvimento de isolados proteicos de soja, usados em suplementos, alimentos funcionais e produtos com maior concentração de proteína.
Nova lógica de consumo
A tendência descrita pela consultoria indica que as canetas emagrecedoras podem ir além do mercado farmacêutico. Ao influenciar o apetite, a rotina alimentar e a escolha dos consumidores, esses medicamentos têm potencial para redesenhar parte da cadeia de alimentos.
Nesse novo cenário, proteínas magras, alimentos funcionais, frango, ovos, peixes, cortes bovinos porcionados, soja e milho podem ganhar relevância. Para o agro brasileiro, a mudança representa um movimento a ser acompanhado de perto, tanto pela indústria quanto pelos produtores ligados às cadeias de grãos e proteína animal.





