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Cientistas ligados à Universidade de São Paulo (USP), Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e da Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, identificaram um possível risco à saúde de crianças de até seis anos que consumirem bananas cultivadas em solos contaminados pelos rejeitos de mineração de ferro que chegaram ao estuário do rio Doce, em Linhares (ES), após o rompimento da barragem de Fundão, em 2015. Os resultados foram publicados no início de outubro na revista científica Environmental Geochemistry and Health e também no site da Fapesp.
O estudo avaliou banana, mandioca e polpa de cacau produzidos em áreas que vêm recebendo esse material há quase uma década. Nos solos da região, há concentrações elevadas de metais como cádmio, cromo, cobre, níquel e chumbo, associados aos óxidos de ferro que compõem o rejeito. A principal conclusão do trabalho que, entre todos os alimentos avaliados, apenas a banana apresentou risco significativo para crianças pequenas.
Embora os chamados Índices de Risco Totais (IRTs) para a maioria dos alimentos analisados tenham ficado abaixo do nível de risco (menor que 1), indicando que o consumo dos alimentos cultivados no estuário do rio Doce não apresentava ameaça significativa para os adultos, o resultado para a banana em crianças excedeu o limiar 1, sugerindo potenciais impactos à saúde. Adultos, por outro lado, não apresentaram risco significativo com o consumo da fruta da região.
O principal fator de risco foi a maior concentração de chumbo presente no fruto, que também apresentou teor de cádmio superior ao preconizado pela FAO (Food and Agriculture Organization ou Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura). Segundo os cientistas, a exposição prolongada ao chumbo, mesmo em baixas doses, está associada a danos irreversíveis no desenvolvimento neurológico, incluindo reduções no QI, déficits de atenção e distúrbios comportamentais.analisada.
“Esses elementos existem naturalmente no ambiente, estamos expostos a eles em uma concentração menor, mas no caso de um desastre como o de Mariana, quando se espera que a exposição aumente, é preciso redobrar a atenção”, conta Tamires Cherubin, doutora em ciências da saúde e também autora do trabalho.
Os resultados não caracterizam uma emergência alimentar, mas reforçam a necessidade de monitoramento contínuo, especialmente porque crianças são mais vulneráveis aos efeitos neurológicos do chumbo, a exposição é acumulativa, podendo causar impactos mesmo após longos períodos, parte da população local ainda depende de produtos cultivados ali.
“Com o passar do tempo de exposição, considerando a expectativa de vida do Brasil, de mais ou menos 75 anos, pode surgir o risco carcinogênico, uma vez que existe a possibilidade de ocorrerem danos diretos e indiretos ao DNA”, diz Cherubin.
Essas mutações têm o potencial de resultar em maior incidência de cânceres de diversos tipos como os que afetam o sistema nervoso central, o trato gastrointestinal e o sistema hematológico. “Tudo depende da capacidade do organismo humano de absorver e metabolizar esses elementos que estão disponíveis no ambiente”, afirma a pesquisadora.





