Atendimento bilíngue aproxima banco de agricultores pomeranos

É o caso das agências de Laranja da Terra, ligada ao Sicoob Sul-Serrano, e de Santa Maria de Jetibá, do sistema Centro-Serrano...

*Leandro Fidelis

Devaniro (camisa listrada) e o gerente Mario

O atendimento bilíngue aproxima clientes e funcionários do Sicoob em cidades de origem pomerana na região serrana capixaba. Ao procurar valorizar a cultura das comunidades onde está inserida, a cooperativa de crédito facilita a comunicação com centenas de descendentes, em especial agricultores.

É o caso das agências de Laranja da Terra, ligada ao Sicoob Sul-Serrano, e de Santa Maria de Jetibá, do sistema Centro-Serrano. Com 70% dos 1.445 associados falantes da língua de imigração, a primeira unidade optou pelo bilinguismo para deixar o cliente pomerano mais à vontade e preservar uma tradição com mais de 150 anos.

Similar ao holandês, ao vestfaliano e ao saxão antigo, até hoje o pomerano é a língua materna de muitos habitantes da região e até mais falada que o português em muitos distritos na zona rural. Estima-se que no Espírito Santo mais de 120 mil pessoas falem o pomerano.

Desde 2008, Laranja da Terra é um dos cinco municípios capixabas onde o idioma é cooficializado (os outros são Domingos Martins, Pancas, Santa Maria e Vila Pavão). Trata-se do reconhecimento do bilinguismo vigente no município, garantindo a sua promoção por meio do sistema educacional e das políticas culturais. Assim, ao lado do português, o morador tem o direito de falar pomerano não apenas nas escolas, mas em todos os setores públicos e privados.

Gerente fluente

Devaniro (camisa listrada) e o gerente Mario

No Sicoob de Laranja da Terra, pelo menos cinco funcionários, além do gerente, entendem ou falam fluentemente o idioma. Na direção da unidade há três anos, Mario Keffler (35) conta que aprendeu o pomerano com os pais em casa e teve o primeiro contato com o português apenas na escola, algo bastante comum nos municípios de colonização pomerana.
Keffler ressalta que a contratação de funcionários que falam a língua de imigração não é pré-requisito, mas agrega valor ao atendimento. “A gente nota que o povo pomerano é mais tímido. Muitos idosos têm receio de falar português errado e passar vergonha, mas se a abordagem for na língua pomerana, ele se sente mais confortável em passar informações. Isso gera confiança. ”
Pela proximidade desse atendimento, Mario avalia que as relações entre a equipe e os clientes fica mais informal. “Nós falamos a língua do cooperado, independentemente do idioma. O cooperativismo proporciona isso ”, diz o gerente.

O agricultor Devaniro Nass (48), da localidade de Picadão, a 10 km da sede de Laranja da Terra, faz questão de conversar em pomerano com os funcionários da agência do Sicoob. Segundo ele, 80% da comunicação em casa ocorre no idioma. “Tenho três netos pequenos que só vão aprender o português na escola. É muito bom chegar aqui no Sicoob e ter um gerente que sabe o idioma ”, afirma Nass.

Atendimento em Santa Maria de Jetibá: Gilmar Boldt e o pai, Evaldo.

O pomerano é também língua recorrente no interior das agências do Sicoob de Santa Maria, Caramuru (Santa Leopoldina) e Domingos Martins. Na primeira unidade, mais de 70% dos atendentes falam o idioma de imigração. A contratação facilita a vida de clientes como Gilmar Boldt (38) e o pai, Evaldo (66), ambos agricultores. “Nos sentimos em casa. Dificilmente outro banco teria a mesma disponibilidade ”, diz Gilmar.

* “Você me entende? ” em língua pomerana.

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