Mais lidas 🔥

Inovação na piscicultura
Tilápias ficam mais saudáveis com uso de planta medicinal

Agricultura familiar
Capixaba vence concurso nacional de inventos com descascador de café portátil

Agro capixaba
Preço do mamão Havaí despenca e atinge mínima no Espírito Santo

Tempo e agronegócio
El Niño está chegando! Saiba como o fenômeno vai impactar na agricultura brasileira

Duas histórias, uma conexão
Quando o sotaque da roça sobe ao palco, e vence!

*Leandro Fidelis
| Devaniro (camisa listrada) e o gerente Mario |
O atendimento bilíngue aproxima clientes e funcionários do Sicoob em cidades de origem pomerana na região serrana capixaba. Ao procurar valorizar a cultura das comunidades onde está inserida, a cooperativa de crédito facilita a comunicação com centenas de descendentes, em especial agricultores.
É o caso das agências de Laranja da Terra, ligada ao Sicoob Sul-Serrano, e de Santa Maria de Jetibá, do sistema Centro-Serrano. Com 70% dos 1.445 associados falantes da língua de imigração, a primeira unidade optou pelo bilinguismo para deixar o cliente pomerano mais à vontade e preservar uma tradição com mais de 150 anos.
Similar ao holandês, ao vestfaliano e ao saxão antigo, até hoje o pomerano é a língua materna de muitos habitantes da região e até mais falada que o português em muitos distritos na zona rural. Estima-se que no Espírito Santo mais de 120 mil pessoas falem o pomerano.
Desde 2008, Laranja da Terra é um dos cinco municípios capixabas onde o idioma é cooficializado (os outros são Domingos Martins, Pancas, Santa Maria e Vila Pavão). Trata-se do reconhecimento do bilinguismo vigente no município, garantindo a sua promoção por meio do sistema educacional e das políticas culturais. Assim, ao lado do português, o morador tem o direito de falar pomerano não apenas nas escolas, mas em todos os setores públicos e privados.
Gerente fluente
| Devaniro (camisa listrada) e o gerente Mario |
No Sicoob de Laranja da Terra, pelo menos cinco funcionários, além do gerente, entendem ou falam fluentemente o idioma. Na direção da unidade há três anos, Mario Keffler (35) conta que aprendeu o pomerano com os pais em casa e teve o primeiro contato com o português apenas na escola, algo bastante comum nos municípios de colonização pomerana.
Keffler ressalta que a contratação de funcionários que falam a língua de imigração não é pré-requisito, mas agrega valor ao atendimento. “A gente nota que o povo pomerano é mais tímido. Muitos idosos têm receio de falar português errado e passar vergonha, mas se a abordagem for na língua pomerana, ele se sente mais confortável em passar informações. Isso gera confiança. ”
Pela proximidade desse atendimento, Mario avalia que as relações entre a equipe e os clientes fica mais informal. “Nós falamos a língua do cooperado, independentemente do idioma. O cooperativismo proporciona isso ”, diz o gerente.
O agricultor Devaniro Nass (48), da localidade de Picadão, a 10 km da sede de Laranja da Terra, faz questão de conversar em pomerano com os funcionários da agência do Sicoob. Segundo ele, 80% da comunicação em casa ocorre no idioma. “Tenho três netos pequenos que só vão aprender o português na escola. É muito bom chegar aqui no Sicoob e ter um gerente que sabe o idioma ”, afirma Nass.
| Atendimento em Santa Maria de Jetibá: Gilmar Boldt e o pai, Evaldo. |
O pomerano é também língua recorrente no interior das agências do Sicoob de Santa Maria, Caramuru (Santa Leopoldina) e Domingos Martins. Na primeira unidade, mais de 70% dos atendentes falam o idioma de imigração. A contratação facilita a vida de clientes como Gilmar Boldt (38) e o pai, Evaldo (66), ambos agricultores. “Nos sentimos em casa. Dificilmente outro banco teria a mesma disponibilidade ”, diz Gilmar.
* “Você me entende? ” em língua pomerana.





