Guera das moquecas

Apresentador inflama a rivalidade: a melhor moqueca é a capixaba ou a baiana?

Conversa entre Gregório Duvivier e João Vicente reacende rivalidade gastronômica e expõe disputas culturais em torno da moqueca capixaba e baiana

Moqueca capixaba

A eterna disputa entre baianos e capixabas sobre qual moqueca é a melhor (e qual seria a “verdadeira”) ganhou mais um capítulo. De um lado, a moqueca baiana, com dendê e leite de coco; do outro, a moqueca capixaba, preparada sem esses ingredientes e tradicionalmente feita em panela de barro. Essa rivalidade cultural voltou ao centro do debate em uma conversa exibida no videocast Não Importa, entre Gregório Duvivier e João Vicente.

Durante o episódio, Duvivier reconhece que o tema costuma gerar reações intensas, especialmente nas redes sociais. O apresentador relata um episódio vivido durante um réveillon, quando uma discussão entre uma amiga baiana e uma amiga capixaba sobre a preparação do prato ganhou contornos mais duros. Segundo ele, a versão capixaba teria sido classificada como uma “moqueca branqueada” por não levar dendê, numa leitura que associa ingredientes culinários a disputas simbólicas sobre herança cultural e identidade étnica.

A partir desse relato, Duvivier disse que a capixaba envolvida na discussão levantou um contraponto histórico. Ela afirmou que a palavra “moqueca” tem origem indígena, derivada de “moquém”, técnica ancestral de preparo de alimentos. Segundo o relato do humorista, o dendê teria sido introduzido no Brasil após a colonização portuguesa, o que indicaria que o prato existia antes da incorporação desse ingrediente à culinária brasileira.

Ao final do trecho, Duvivier admite que, do ponto de vista sensorial, prefere a moqueca com dendê, associada à tradição baiana. Ainda assim, defende que a disputa não deveria ser reduzida a uma lógica de vencedores e perdedores, mas encarada como expressão da diversidade cultural brasileira.

A conversa no Não Importa evidencia como a moqueca extrapola o prato e se transforma em símbolo de pertencimento regional. Mais do que uma receita, ela representa história, memória e identidade, e segue sendo um tema de debate quando baianos e capixabas se encontram à mesa ou nas redes sociais.

A história sobre as moquecas é contada a partir dos 27 minutos.

Moqueca capixaba ou baiana?

A frase “moqueca é capixaba, o resto é peixada” tornou-se uma das expressões mais emblemáticas da identidade cultural do Espírito Santo. O bordão é atribuído ao jornalista e escritor Cacau Monjardim e ganhou força por traduzir, de forma direta e provocativa, o orgulho capixaba em relação à sua culinária tradicional.

A declaração surgiu a partir de uma comparação gastronômica feita por Monjardim após experimentar a moqueca baiana. Ao defender a versão capixaba, ele sustentou que apenas o prato preparado no Espírito Santo corresponderia, de fato, ao conceito original de moqueca. As demais variações, segundo essa leitura, se enquadrariam melhor como peixadas, ou seja, ensopados de peixe influenciados por outros ingredientes e tradições culinárias.

Com o tempo, a frase ultrapassou o campo da crítica gastronômica e passou a integrar o vocabulário popular, sendo repetida em restaurantes, festas tradicionais e debates culturais. Mais do que uma provocação, o bordão consolidou-se como um símbolo de pertencimento e afirmação da cultura capixaba.

Embora carregada de ironia, a frase atribuída a Cacau Monjardim ajudou a projetar nacionalmente a moqueca capixaba como patrimônio simbólico do Espírito Santo. O debate, quase sempre bem-humorado, segue alimentando conversas sobre gastronomia, identidade regional e diversidade cultural, mostrando que, no Brasil, a comida é também linguagem, memória e território.

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