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Fruticultura

Achachairu: Itarana se consolida como polo de fruta exótica

por Fernanda Zandonadi e Rosimeri Ronquetti

em 31/03/2025 às 5h00

3 min de leitura

Achachairu: Itarana se consolida como polo de fruta exótica

O achachairu é uma fruta boliviana com sabor doce e um toque de acidez. Parente do brasileiro bacupari, tem ganhado espaço em feiras e mercados e conquistado paladares país afora. No Espírito Santo, Itarana se consolida como terra forte no cultivo da iguaria. Tanto que um projeto em tramitação na Assembleia Legislativa quer tornar o município Capital Estadual do Achachairu.

É um título mais do que merecido, já que o município se consolida como um grande polo produtor da fruta no Brasil. Distante oito quilômetros do Centro de Itarana, a fazenda Matutina Malavazi, do senhor Abel Basílio de Souza Neto, tem hoje mais de três mil plantas. As primeiras matrizes foram trazidas por um familiar diretamente da Bolívia, há 25 anos, e foram plantadas apenas para consumo próprio.

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Desde 2010, no entanto, a família apostou na plantação comercial, plantou 800 pés e hoje comercializa a fruta. As mudas levam em torno de três anos para serem transplantadas e mais oito anos para frutificarem, o que torna a fruta algo muito raro e desejado. A maior parte da produção é exportada ou vai para outros Estados, como São Paulo.

“Atualmente somos os maiores produtores da fruta no Brasil e as estatísticas nos colocam como segundo no mundo, por isso Itarana se destaca na produção. Atendemos a atacadistas, distribuidores e varejistas, mas também enviamos para qualquer pessoa física em qualquer lugar do país por meio das vendas pela internet”, explica.

O senhor Abel fala que o achachairu é uma fruta muito versátil e pode ser usada para sucos, sorvetes e geleias. Até mesmo a casca pode ser aproveitada em refrescos e licores. A principal forma de consumo, no entanto, ainda é in natura. “É conhecida como umas das melhores frutas do mundo e uma das mais raras. É da mesma família do mangostão, tem sabor similar, porém mais intenso.

Produção em alta

Em Córrego Bananal, distante nove quilômetros da sede de Itarana, outra família se destaca pelos pomares de achachairu. Filipe Loriato conta que começaram a plantação há mais de dez anos e, há seis, produzem a fruta comercialmente. “Hoje, em produção, temos aproximadamente 50 pés, que são as plantas mais velhas. Plantas novas que ainda vão entrar em produção temos aproximadamente 1.500”.

Ele explica que cada planta, na fase adulta, produz de 100 a 150 quilos aproximadamente. Como a produção ainda é pequena, as vendas são feitas no próprio município e no entorno, além de consumidores finais e mercados. A ideia, no entanto, é expandir e investir em mais áreas de plantio.

“Nós mesmos produzimos nossas mudas e, por ser um processo lento, fazemos na época da safra, que é quando temos disponibilidade de sementes. Plantamos a muda somente quando vemos que ela está em uma estatura boa, com mais resistência pra que a pega seja mais garantida. Esse processo leva de um ano e meio a dois anos”, explica.

O quilo do achachairu é vendido por, em média, R$ 20, o que mostra que o mercado de frutas exóticas está aquecido. “Poucas pessoas querem investir em uma planta que demora em média sete anos para produzir, por esse motivo a escassez no mercado e a procura grande fazem o preço da fruta subir”, diz Loriato.

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