História de família

Cerveja capixaba de caldo de cana ganha ouro em copa sul-americana

Os amigos André e Fabrício com Pedro Piol, que inspirou a cerveja. Foto: arquivo pessoal

O hábito do ibiraçuense Pedro Piol, 87 anos, de repetir receitas de produtos fermentados que fazia na juventude foi o pontapé inicial para a criação de uma cerveja artesanal premiada. Feita de maneira colaborativa pelos amigos e cervejeiros Fabrício Torri e André Piol, neto de Pedro, a cerveja foi batizada de Casamento de Pedro Piol – Specialty Saison.

Mas, para entender toda essa história, que se passa em Ibiraçu, norte do Espírito Santo, é preciso voltar à década de 1960, quando tudo começou. Quando Pedro Piol se casou, em 1963, não existia geladeira para conservar as bebidas geladas. Foi aí que ele teve a ideia de fazer um “vinho de cana” para servir aos convidados.

“Naquela época, não tinha geladeira, então precisava ser uma bebida que não estragasse, e eu resolvi fazer a cerveja de vinho, que é como a gente chama. É uma bebida natural e muito boa, feita com caldo de cana, gengibre e caldo de limão. Foi um sucesso.”

Passado o casamento, muitos anos depois, sempre que tem vontade de tomar a “cerveja de vinho”, o aposentado repete a receita. Em um desses momentos de nostalgia, Pedro e Fabrício provaram a bebida, e a história ganhou outros contornos.

“Eu e Fabrício nos desafiamos. Resolvemos tentar fazer uma cerveja pegando esse conhecimento que o meu avô teve lá atrás e adaptamos ao nosso mundo atual da cerveja. Ele fez o vinho de cana conforme fazia antigamente e a gente integrou na cerveja. Cerca de 20% a 30% da bebida foi ele que fez”, detalha André.

Fizeram a primeira etapa na Três Torres, cervejaria de Fabrício, que fica em João Neiva. Depois, realizaram a segunda etapa na I Lupi Cervejaria, da família Piol, e o resultado inicial não foi tão bom. “Foi preciso quase um ano de aprimoramento para chegar ao ponto ideal da cerveja.”

E o resultado não poderia ser melhor. A Casamento de Pedro Piol – Specialty Saison ganhou medalha de ouro na Copa Sul-Americana de Cerveja, realizada em Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul, em junho deste ano.

“Tenho muito orgulho do meu neto. Ele é muito caprichoso e já ganhou um punhado de medalhas com as cervejas que faz. É também o único descendente que deu continuidade a essa criação. É uma herança que estou deixando e que ele está levando adiante”, conta, orgulhoso, Pedro Piol.

 

Cervejaria se tornou negócio de família

Três gerações tocam a cervejaria

O trabalho com a cerveja começou por acaso na vida de André e se tornou um negócio da família. Formado em engenharia química, ele começou a fazer cerveja no fundo do quintal de casa em 2014. O pai, José Francisco Piol, abraçou a ideia e ajudou a comprar os equipamentos necessários para a produção.

“Começamos a mandar nossas cervejas para serem avaliadas em concursos, e os retornos eram positivos. Começamos a ganhar medalhas, e o que era só um passatempo virou um negócio.”

André conta que o projeto deixou de ser só dele e do pai e envolveu também o avô, tornando-se assim uma cervejaria familiar. O empreendimento foi registrado em dezembro de 2023. Agora, a família trabalha na implementação de um bar estilo brewpub anexo à cervejaria.

O próximo lote da Casamento de Pedro Piol deve ficar pronto em breve. Os planos são aumentar a produção e engarrafar a bebida.

 

 

Sobre o autor Rosimeri Ronquetti Rosi Ronquetti é jornalista, formada em 2009 e pós-graduada em gestão em assessoria de comunicação. Repórter do agro, sua atuação se concentra na produção de reportagens do setor (incluindo perfis e histórias). Algumas de suas reportagens conquistaram premiações regionais e nacionais de jornalismo. Ver mais conteúdos