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Quando o assunto é produção de café, o Espírito Santo sai na frente. Considerado o maior produtor de conilon do Brasil, o estado é responsável por cerca de 78% da produção nacional. Dessa representatividade, o café robusta tem destaque e soma 283 mil hectares plantados em território capixaba.
São 40 mil propriedades rurais cultivando o grão e é dessa estatística que a Fazenda Bela Morena faz parte. Localizada no município de Jaguaré-ES, um dos maiores municípios produtores de conilon, está a propriedade da família Altoé, onde todas as atividades da lavoura são trabalhadas com afinco por José Sartório Altoé, sua esposa Teresinha Lucia Sossai Altoé e a filha Letícia Sossai Altoé.
Mas toda a pujança deste município e estado destaque em produtividade cafeeira foi afetada em meados de 2014 a 2017, quando a forte crise hídrica desertou muitas terras e agricultores capixabas. A família Altoé persistiu, mesmo com a queda da produção e a diminuição drástica na renda.
Foi nesse cenário, em setembro de 2017, que José conheceu a Assistência Técnica e Gerencial (ATeG) do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Espírito Santo (SENAR-ES). Associado e participativo no Sindicato Rural de Jaguaré há 27 anos, se inscreveu no programa e começou a compartilhar suas atividades na propriedade com o Técnico de Campo da ATeG, José Inácio Polonini.
“As primeiras ações que fizemos após o diagnóstico da ferramenta ISA (Indicadores de Sustentabilidade em Agroecossistemas) foram colocar equipamentos parados em operação, reduzir custos e fazer adequações em relação aos defensivos agrícolas utilizados. Seguindo as normativas, foram feitas as adequações necessárias, como armazenamento correto de embalagens incluindo os vasilhames vazios, os fungicidas, inseticidas e herbicidas, tudo em prateleiras, nada no chão”, lembra o técnico.
A família Altoé também dedica uma atenção especial ao uso correto dos Equipamentos de Proteção Individual (EPIs) em suas atividades. Nós capacitamos nossos funcionários com treinamentos oferecidos pelo Sindicato Rural e recentemente recebemos um treinamento aqui na propriedade voltado especialmente para quem trabalha conosco. Estão todos capacitados para atuar com produtos fitossanitários de forma segura, destaca José Altoé.
E como o próprio patriarca da família comenta, antes do SENAR-ES chegar em sua propriedade, o gerenciamento dos negócios era levado como fosse possível. Foi com o retorno da filha Letícia, formada em Direito e também na primeira turma do Curso Técnico em Agronegócio do SENAR-ES, que a administração da Fazenda começou a decolar.
“Eu vi a necessidade de retornar para o campo para crescer em conjunto com minha família. Meu pai é muito bom na parte técnica, com excelente conhecimento da agricultura, mas a parte administrativa sempre foi um gargalo para nós. E a ATeG despertou a necessidade de irmos além da lida com a mão na terra. Era o momento de gerenciar nossos gastos para começar a ter lucros. Então aliei o conhecimento que adquiri na parte administrativa do Curso Técnico e a legislação do Direito para ajustar as coisas. A partir daí começamos a enxergar nossa propriedade como um negócio”, lembra Letícia.
Sustentabilidade
A ATeG também trabalhou fortemente a sustentabilidade da fazenda. Foi desenvolvida e instalada uma fossa séptica com manutenções periódicas e a palha do café que normalmente é aplicada na roça de forma in natura recebeu um processo de compostagem sendo reaproveitada de forma eficiente. “Para a conservação do solo, José Sartório fez cobertura com gramínea, o que rendeu melhora na temperatura e conservação de água”, destaca o técnico.
Diversificação
De uma terra castigada pela seca para uma lavoura com custo operacional mais baixo e um crescimento de 50% na produção de café conilon. Esse é o resultado da Fazenda Bela Morena, da família Altoé, somente na atividade cafeeira. A diversificação de culturas hoje é realidade e já gera renda extra para a família que, com planilhas e anotações responsáveis, tem pleno controle de receitas, despesas, registros climáticos, ou seja, tudo que acontece na propriedade.
“Isso ajuda a fecharmos o custo no fim do mês. E também nos deu amparo para cultivar além do café, e hoje temos pimenta-do-reino e coco”, afirma Teresinha.
“Não há dúvidas de como a CNA, o Sindicato Rural e o SENAR fazem a diferença na vida do produtor rural. Nós pagamos nossa contribuição, pois somos prova viva do quanto é importante ter representatividade e saber que o valor retorna para o sindicato de nossa região capacitando os trabalhadores e produtores das propriedades rurais. A ATeG abriu nossos olhos e graças a essa assistência estamos crescendo cada vez mais”, afirma Teresinha.




